Selic: guerra pressiona inflação e pode mudar rota da taxa de juros

Copom havia sinalizado redução nos juros em março, caso cenário esperado se confirmasse, mas conflito no Oriente Médio pode mudar caminho

atualizado

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Fachada do Banco Central, em Brasília. Copom decide Juros nesta quarta
1 de 1 Fachada do Banco Central, em Brasília. Copom decide Juros nesta quarta - Foto: BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto

Os diretores do Banco Central (BC) se reúnem na próxima terça-feira (17/3) para definir a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic. O colegiado levará para a reunião um cenário diferente do verificado no último encontro, em janeiro, quando ficou sinalizada uma redução no índice. A pressão inflacionária decorrente da guerra no Oriente Médio é um ponto que contrasta com a trajetória indicada em janeiro para a Selic.

Com a guerra, os preços do petróleo dispararam no mercado. O barril do tipo brent, que é referência internacional, valia US$ 85,04 no meio da tarde dessa terça-feira (10/3). Na terça, especialmente, o item recuava de preço após declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que a guerra teria curta duração.


Entenda a taxa Selic

  • A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
  • Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic, uma vez que a missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
  • Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
  • Dessa forma, o crédito fica mais caro e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.

As variações nos preços do petróleo têm relação, principalmente, com a interrupção do trânsito no Estreito de Ormuz. Passam por lá de 20% a 25% de todo o petróleo global.

Além da elevação nos preços do petróleo, o dólar também subiu nos últimos dias. Um dia antes do início do conflito, em 27 de fevereiro, a moeda fechou cotada a R$ 5,13 no Brasil. No entanto, houve variações desde então e ela chegou a apresentar alta de 3,5% na última sexta-feira (6/3), cotada a R$ 5,31.

O cenário transformado pela guerra refletiu nas expectativas do mercado. Os analistas consultados pelo Banco Central para elaboração do Boletim Focus, realizado semanalmente, interromperam a sequência de redução na expectativa da inflação para o fim deste ano e aumentaram a previsão para a Selic.

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A previsão da inflação estabilizou em 3,91% e a da Selic foi elevada de 12% para 12,13%. A expectativa de Selic mais elevada tem relação com a previsão de um ritmo mais lento na queda de juros no Brasil. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano.

“Isso sugere um ciclo de cortes ainda provável, mas mais curto, mais gradual e mais dependente do cenário externo do que se imaginava há poucas semanas”, considera o CEO da Equity Group, João Kepler.

O cenário atual pode mudar a rota prevista para a taxa de juros no Brasil. Petróleo e dólar são dois pontos que têm influência significativa na inflação. A Selic no patamar de 15%, considerado elevado pelo governo federal e pelo mercado, tem como foco o controle da inflação.

Combustíveis têm papel direito na composição da inflação oficial e ainda implicam nos fretes, ou seja, podem resultar na elevação do preço de outros itens. Produtos que são comercializados internacionalmente ou objeto de importação pelo Brasil têm impacto pela cotação do dólar, que tem variado nos últimos dias.

A previsão

Em 28 de janeiro deste ano, o Copom deliberou por manter a taxa em 15% ao ano, mas adiantou que se a economia continuasse caminhando no mesmo sentido, haveria cortes. A mensagem foi reforçada na ata do colegiado, divulgada em 3 de fevereiro.

“O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz trecho da ata.

A meta de inflação para 2026 é de 3%. No entanto, há uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Desta forma, o índice é considerado cumprido se variar de 1,5% a 4,5%. A inflação oficial, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) por meio do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente aos 12 meses encerrados em janeiro está em 4,44%

A previsão do Copom sobre reduzir a Selic pode ter mudança na rota com o novo cenário imposto pela guerra centrada entre Irã, Estados Unidos e Israel.

Expectativa

O ministro da FazendaFernando Haddad, considera que o Banco Central vai saber tomar a decisão mais adequada sobre a taxa básica de juros no Brasil.

“O Banco Central, com base nos dados, vai verificar a conveniência de um movimento ou outro (redução ou alta da Selic). Isso é atribuição dos diretores que estão lá indicados para isso, para essa missão. Nós temos uma doença, um remédio, e o que o Banco Central faz é administrar a dose”, afirmou o ministro na terça-feira (10/3).

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