Ata do Copom reforça sinalização para corte na Selic a partir de março
Documento expõe argumentos para decisão sobre taxa e diz que mudança em trajetória está condicionada a uma confirmação de cenário
atualizado
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou, nesta terça-feira (3/2), a ata referente à reunião de janeiro. O comunicado oficial da última reunião reforça a sinalização do início de cortes na taxa básica de juros da economia, a Selic.
A taxa foi mantida em 15% no último encontro, realizado nos dias 27 e 28 de janeiro deste ano, mas os diretores do Banco Central que formam o Copom adiantaram que, caso as perspectivas se confirmem, haverá o início dos cortes no índice.
“O comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, diz trecho da ata.
Entenda a situação dos juros no Brasil
- A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
- Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic. A missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
- Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
- Dessa forma, o crédito fica mais caro, e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.
- Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato de Galípolo à frente do BC.
Ao mesmo tempo em que indica o início de um ciclo de cortes, o Copom também ressalva que a medida vai depender “da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.
O horizonte relevante citado pelo Copom diz respeito ao intervalo dos próximos 18 meses. A decisão do Copom foi unânime.
Na ata, o Copom considera que a inflação pode encerrar 2026 em 3,4% e atingir 3,2% no terceiro trimestre de 2027. A perspectiva vem, entre outros fatores, diante da expectativa de aplicação da bandeira amarela em 2026 e do dólar se manter em patamar próximo ao atual patamar (R$ 5,35).
O ciclo de aperto monetário teve início em setembro de 2024, quando o comitê decidiu interromper o ciclo de cortes e elevar a Selic, que passou dos então 10,50% ao ano para 10,75% ao ano.
A Selic está no patamar mais elevado em quase 20 anos. Conforme dados da série histórica, a taxa de juros é a maior desde julho de 2006, época do fim do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Como o Copom enxerga o momento
O Copom deixa claro na ata o entendimento de que o cenário externo é incerto, sobretudo em relação à política econômica dos Estados Unidos, sob a condução do presidente Donald Trump.
Quando olha para dentro do país, o colegiado vê uma trajetória de “moderação” no crescimento da atividade econômica, mas com o mercado de trabalho ainda aquecido.
A decisão do Copom foi tomada dia 28 de janeiro. No dia seguinte, os dados do Caged revelaram a perda de 618 mil postos de trabalho em dezembro de 2025. Em dezembro, é habitual uma retração no mercado de trabalho, no entanto, o número veio acima do esperado. Em novembro, no entanto, tinha havido a criação de 85,8 mil vagas com carteira assinada.
Recado ao governo
Os diretores do Banco Central manifestaram na ata a necessidade de o governo federal reduzir os estímulos ao consumo e se concentrar na disciplina fiscal, ou seja, no controle das despesas.
“O Comitê manteve a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. Em particular, o debate do Comitê evidenciou, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária”, declara o colegiado.
Calendário das reuniões do Copom em 2026
- 17 e 18 de março
- 28 e 29 de abril
- 16 e 17 junho
- 4 e 5 de agosto
- 15 e 16 de setembro
- 3 e 4 de novembro
- 8 e 9 de dezembro
