Dólar dispara e Bolsa cai com nova alta do petróleo e juros nos EUA
Discurso duro do presidente do banco central americano, Jerome Powell, ampliou alta da moeda americana, que subiu 0,90%, a R$ 5,24
atualizado
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O dólar registrou alta de 0,90% em relação ao real, cotado a R$ 5,24, nesta quarta-feira (18/3). O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em queda de 0,43%, aos 179,6 mil pontos.
O pregão teve dois grandes vetores. O principal deles foi o preço internacional do petróleo, que segue em alta. Além disso, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) adotou um tom duro ao anunciar a manutenção da taxa de juros americana no intervalo entre 3,5% e 3,75%.
No caso do petróleo, a guerra no Oriente Médio mantém a commodity sob forte pressão. Às 10 horas, o barril para venda em maio do tipo Brent, a referência global, avançava 2,11%, a US$ 105,6. No fim da tarde, ele já subia 7,50%, a US$ 111,25. O West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, também às 10 horas, anotava elevação de 1,65%, a US$ 97,1. Ao final da sessão, esse salto era de 4,30%, a US$ 99,6.
Em relação ao Fed, o impacto de um discurso duro do presidente do órgão, Jerome Powell, fez com que a alta do dólar acentuasse e, ao mesmo tempo, o Ibovespa caísse com maior intensidade.
É isso o que observa Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad. Para ele, o dólar operou sem direção definida ao longo da sessão, em meio a um ambiente de cautela. “O movimento de queda, no entanto, ganhou força após a decisão do Federal Reserve de manter a taxa de juros inalterada, como amplamente esperado, e, principalmente, depois das declarações do presidente do órgão, Jerome Powell, que adotou um tom mais duro ao reforçar que ‘se não houver progresso na inflação, não haverá corte de juros'”, diz.
Na avaliação do especialista, tal posição indica que, embora tenha havido avanço no processo desinflacionário, ele não se encontra no “ritmo desejado”. “A comunicação foi interpretada como mais hawkish (dura), levando a uma abertura da curva de juros nos Estados Unidos e a uma reprecificação das expectativas de política monetária, com o mercado passando a ver dezembro como o momento mais provável para o primeiro corte de juros pelo Fed”, afirma. “Como resultado, o dólar acelerou o movimento de alta no exterior, com o DXY renovando máximas próximas de 100 pontos, com o real acompanhando o movimento.”
Destaque da comunicação
Shahini acrescenta que houve um mudança na comunicação do Federal Reserve ao longo das últimas reuniões. E ela merece destaque. “Após um período em que o foco do Fed esteve na perda de dinâmica do mercado de trabalho e na criação de vagas de setor privado americano, o discurso recente passa a colocar a dinâmica da inflação novamente no centro da atuação do órgão”, diz. “A mensagem de Powell reforça que, apesar de algum progresso, o processo desinflacionário ainda é insuficiente, o que indica um Fed menos disposto a antecipar cortes de juros e mais dependente de evidências de desaceleração dos preços.”
