Fed está dividido sobre ritmo e intensidade de corte de juros
Essa é a avaliação de analistas, para quem o cenário econômico se tornou ainda mais desafiador com a eclosão da guerra no Oriente Médio
atualizado
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A decisão anunciada nesta quarta-feira (18/3) de manutenção da taxa de juros nos Estados Unidos, pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), era esperada pelo mercado. Por isso, os analistas concentraram-se em captar sinais sobre quando pode ocorrer um eventual corte da taxa, hoje fixada no intervalo entre 3,50% e 3.75%.
Na avaliação de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o Fed indicou a possibilidade de afrouxar a taxa de juros em 0,25 ponto percentual ainda em 2026. Os membros do órgão, contudo, seguem divididos a respeito da magnitude e velocidade das reduções.
“Doze deles esperam ao menos mais um corte, enquanto sete disseram que a taxa de juros deve permanecer onde está até a virada do ano”, diz Zogbi. “O cenário torna-se mais desafiador em meio a impactos inflacionários da guerra, enquanto a taxa de desemprego permanece em patamares saudáveis, mas a abertura de vagas continua fraca.”
Para a economista, as projeções mostram ainda um otimismo com a atividade, com um crescimento do PIB projetado para 2,4%, ante 2,3% da análise anterior. “Essa expectativa, junto a uma leitura acima do esperado da inflação ao produtor publicada nesta quarta-feira, pode implicar em expectativas de taxas de juros altas por mais tempo, motivando algum aumento da aversão a risco no mercado.”
Impacto da guerra
André Valério, economista do Banco Inter, observa que o Fed não adotou uma mudança relevante nas projeções para a economia americana. “A expectativa de juros ao fim de 2026, 2027 e 2028 permanece a mesma da de dezembro”, diz. “A projeção de desemprego para 2026 ficou inalterada em 4,4%. Por outro lado, as projeções de inflação e PIB aumentaram frente a dezembro, mas também muito na margem.”
Valério acrescenta que a reunião desta quarta-feira “já ocorreu defasada”, devido à incerteza causada pela guerra. “Como esperado, não há nenhuma novidade relevante no comunicado ou nas projeções”, afirma. “Isso porque o Fed ainda não tem expectativa sobre os impactos do conflito na economia americana.”
