Preços do petróleo perdem força com negociações pelo fim da guerra
O avanço das negociações entre EUA e Irã pelo possível fim da guerra no Oriente Médio trouxe novamente uma onda de otimismo aos mercados
atualizado
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Os preços internacionais do petróleo operavam próximos da estabilidade, na manhã desta sexta-feira (10/4), perdendo força em relação ao dia anterior e operando abaixo dos US$ 100.
O avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã pelo possível fim da guerra no Oriente Médio trouxe novamente uma onda de otimismo aos mercados e ajudou a aliviar a pressão sobre a commodity, diminuindo as tensões da véspera – quando o Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz.
Trata-se do canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
O que aconteceu
- Por volta das 8h10 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para maio do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) recuava 0,15% e era negociado a US$ 97,72.
- No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) caía 0,05%, a US$ 95,87, também praticamente estável.
- Na véspera, o barril do petróleo WTI fechou em alta de 3,66%, cotado a US$ 97,87 o barril, enquanto o brent avançou 1,23%, a US$ 95,92.
Negociações avançam no Paquistão
A mesa de negociações entre EUA e Irã, entre esta sexta-feira e sábado (11/4), ocorre sob forte esquema de segurança em Islamabad, no Paquistão, onde autoridades decretaram feriado e esvaziaram as ruas para viabilizar o encontro.
A capital do Paquistão virou o epicentro da diplomacia global, com delegações iniciando conversas diretas para tentar encerrar uma guerra que já deixou milhares de mortos e provocou impactos econômicos em escala mundial.
Islamabad foi praticamente isolada para sediar as negociações. Áreas estratégicas, como a Zona Vermelha, foram bloqueadas, enquanto o Hotel Serena Islamabad foi reservado para sediar o encontro. Hóspedes foram retirados e forças de segurança reforçaram o controle de acesso.
A delegação norte-americana é liderada pelo vice-presidente J.D. Vance, acompanhado por Steve Witkoff e Jared Kushner. Do lado iraniano, participam o chanceler Abbas Araghchi e o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.
A presença do vice de Donald Trump é vista como um sinal de maior disposição dos EUA para negociar, diante da desconfiança iraniana em relação a rodadas anteriores conduzidas por outros interlocutores.
“É melhor que parem agora”
Na véspera, o tom foi bem diferente. Na noite dessa quinta-feira, Donald Trump fez um alerta ao Irã após relatos de que o país estaria cobrando taxas de petroleiros que passam pelo Estreito de Ormuz.
“Há relatos de que o Irã está cobrando taxas de petroleiros que atravessam o Estreito de Ormuz. É melhor que não estejam fazendo isso e, se estiverem, é melhor que parem agora!”, escreveu em publicação na Truth Social.
Trump também criticou a atuação iraniana na região, sugerindo que Teerã não está respeitando sua parte no acordo de cessar-fogo. “O Irã está fazendo um trabalho muito ruim, desonroso, alguns diriam, em sua liberação da passagem do petróleo pelo Estreito de Ormuz. Isso não é o acordo que temos!”, completou.
“O tempo está se esgotando”
Também na quinta-feira, o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que “o tempo está se esgotando” no contexto do frágil cessar-fogo envolvendo o Oriente Médio e alertou para respostas “firmes”, caso o acordo seja violado.
Em mensagem divulgada nas redes sociais, Ghalibaf reforçou que o Líbano é parte “inseparável” do cessar-fogo, em linha com a posição defendida por Teerã de que o acordo inclui aliados regionais.
O iraniano também advertiu que violações terão “custos explícitos e respostas fortes”, pedindo que os ataques sejam interrompidos imediatamente.
