Dólar recua pós-Copom e Fed, com dados dos EUA e desemprego no Brasil
No dia anterior, o dólar terminou a sessão em alta de 0,4%, cotado a R$ 5,00. Ibovespa recuou 2,05%, aos 184,7 mil pontos
atualizado
Compartilhar notícia

Em um dia de agenda econômica movimentada no Brasil e nos Estados Unidos, o dólar operava em baixa, nesta quinta-feira (30/4), com o mercado financeiro repercutindo as decisões de política monetária nos dois países, na véspera.
Nesta quinta, os investidores também repercutem os dados do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA e do Índice de Preços de Gastos com Consumo (PCE, na sigla em inglês), a chamada “inflação do consumo” na maior economia do mundo.
No cenário doméstico, o principal destaque do dia é a divulgação do índice de desemprego pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Dólar
- Às 9h19, a moeda norte-americana recuava 0,38% e era negociada a R$ 4,983.
- No dia anterior, o dólar terminou a sessão em alta de 0,4%, cotado a R$ 5,00.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 3,42% em abril e 8,88% em 2026 frente ao real.
Ibovespa
- As negociações do Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), começam às 10 horas.
- Na véspera, o indicador fechou o pregão em queda de 2,05%, aos 184,7 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula baixa de 1,45% no mês e valorização de 14,66% no ano.
Copom reduz juros, mas deixa mercado “às cegas”
Nessa quarta-feira (29/4), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa básica de juros do Brasil, a Selic, para 14,5% ao ano, mantendo um ciclo de cortes após descer a taxa a 14,75% na última reunião. Antes disso, a Selic se manteve em 15% ao ano por cinco reuniões consecutivas.
O anúncio já era esperado por parte do mercado financeiro, levando em consideração a comunicação do comitê que indicava o início da flexibilização monetária.
O Copom não ofereceu nenhuma indicação ao mercado a respeito de novos cortes da Selic na próxima reunião do órgão, em 16 e 17 de junho. É isso o que mostra o comunicado divulgado pela autoridade monetária.
O trecho do documento destinado a eventuais projeções diz que, no cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o “comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária”.
A seguir, acrescenta que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros precisam “incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.
No comunicado, o Copom ainda destaca como fator de incerteza a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. “O ambiente externo permanece incerto, em função da indefinição a respeito da duração, extensão, e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais”, afirma o texto. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.”
Em um trecho importante do novo comunicado, o Copom também mudou a projeção de aumento de preços. Ele anota que as expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,9% e 4%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,5%.
Nos EUA, Fed mantém os juros inalterados na despedida de Powell
Na terceira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) em 2026, nessa quarta-feira (29/4), a taxa de juros foi mantida inalterada pela autoridade monetária pela terceira vez consecutiva.
Acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado, a taxa básica de juros da economia norte-americana segue no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano. Nas duas reuniões anteriores do Fed, em janeiro e março, os juros também haviam sido mantidos nessa faixa.
A decisão do BC dos EUA não foi unânime. Foram oito votos a favor da manutenção do patamar atual dos juros (Jerome Powell, John Williams, Michael Barr, Michelle Bowman, Lisa Cook, Philip Jefferson, Anna Paulson e Christopher Waller) e quatro contrários (Stephen Miran, Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan). Foi a votação mais dividida no Fomc em mais de 30 anos, desde 1992.
O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 16 e 17 de junho, já sem o atual presidente do Fed, Jerome Powell, no comando do BC dos EUA. Seu mandato termina em maio.
Powell será sucedido pelo ex-diretor do Fed Kevin Warsh, indicado ao cargo pelo presidente dos EUA, Donald Trump – desafeto do atual chefe do BC dos EUA. O nome de Warsh foi aprovado pelo Comitê Bancário do Senado e, agora, será analisado pelo plenário da Casa.
Desemprego no Brasil fica em 6,1% em março
O IBGE divulgou nesta manhã a taxa oficial de desemprego no Brasil em março deste ano, que ficou em 6,1% ao final do primeiro trimestre. O índice cresceu 1 ponto percentual em relação ao último trimestre do ano passado.
Em fevereiro de 2026, o desemprego no Brasil foi de 5,8%. O resultado de março veio em linha com a média das estimativas do mercado, que eram justamente de 6,1%.
De acordo com o IBGE, a população desocupada no país (6,6 milhões) subiu 19,6% (ou mais 1,1 milhão de pessoas) no trimestre, mas caiu 13% (menos 987 mil pessoas) no ano. Já a população ocupada (102 milhões) recuou 1% (ou 1 milhão de pessoas) no trimestre, mas avançou 1,5% (mais 1,5 milhão) no ano.
PIB e “inflação do consumo” nos EUA
No front internacional, os investidores repercutem os dados do PIB dos EUA no primeiro trimestre de 2026 e da chamada “inflação do consumo” (o PCE) em março.
O PIB da maior economia do mundo no primeiro trimestre do ano subiu 2%, acelerando em relação à alta de 0,5% no trimestre anterior, mas abaixo das estimativas do mercado.
Já o PCE ficou em 0,7% em março deste ano, na comparação com o mês anterior. Na base anual, em relação a março de 2025, a inflação do consumo nos EUA ficou em 3,5%.
Os resultados vieram em linha com as expectativas do mercado. A maioria dos analistas projetava exatamente índices de 0,7% e 3,5%. Em fevereiro, a inflação do consumo nos EUA ficou em 0,4% (mensal) e 2,8% (anual).
Os dados sobre atividade econômica e inflação estão entre aqueles que são mais levados em consideração para a definição da taxa básica de juros pelo Fed.
A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.
