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Negócios

PIB dos EUA acelera a 2% no 1º trimestre, mas vem abaixo do esperado

Alta de 2% ficou abaixo das estimativas de analistas do mercado, que projetavam expansão de 2,2% do PIB dos EUA no primeiro trimestre

Repórter de Negócios30/04/2026 09:52, atualizado 30/04/2026 13:20
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Getty Images
Imagem da bandeira dos Estados Unidos - Metrópoles

A economia dos Estados Unidos avançou 2% no primeiro trimestre deste ano. É o que mostra a primeira leitura dos dados, divulgada nesta quinta-feira (30/4) pelo Departamento de Comércio do governo norte-americano.

O resultado veio abaixo das estimativas de analistas do mercado, que projetavam expansão de 2,2% no primeiro trimestre.

No quarto trimestre de 2025, o PIB dos EUA avançou 0,5%, na base anual (dado revisado). No terceiro trimestre, 4,4%. No segundo, 3,8%. E, no primeiro, recuou 0,5%.

Dado é observado pelo Fed

O dado sobre a atividade econômica é um daqueles levados em consideração para a definição da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano).

Ao fim da terceira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed em 2026, nessa quarta-feira (29/4), o BC dos EUA anunciou a manutenção dos juros no atual patamar, de 3,5% a 3,75% ao ano. Nas duas reuniões anteriores do Fed, em janeiro e março, os juros também haviam sido mantidos nessa faixa.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 16 e 17 de junho.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Análise

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, a composição do resultado do PIB “veio mista”. “O consumo desacelerou para 1,6%, enquanto o investimento empresarial surpreendeu positivamente, com alta de 10,4%, puxado sobretudo por gastos em tecnologia e inteligência artificial”, observou.

Para Shahini, “o dado reforça que a economia dos EUA segue crescendo, mas com uma mudança clara nos componentes do PIB: menor consumo das famílias e maior dependência do investimento privado, especialmente em inteligência artificial”.

“Do lado da demanda, o consumo já mostra sinais de moderação, pressionado pela inflação elevada — puxada por energia — e pela consequente perda de renda real. A isso se soma o choque geopolítico no Oriente Médio, que adiciona um vetor relevante de incerteza sobre atividade e confiança nos próximos trimestres. Para o Federal Reserve, o quadro segue complexo: crescimento ainda resiliente, mas inflação persistente e riscos assimétricos. Esse cenário reforça a tendência de manutenção de juros elevados por mais tempo”, completa Shahini.

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