BC deixa mercado às cegas sobre manutenção do ciclo de corte de juros
Comunicado do Comitê de Política Monetária do Banco Central não dá indicação de nova redução da Selic, na próxima reunião do órgão, em maio
atualizado
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O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), não ofereceu nenhuma indicação ao mercado a respeito de novos cortes da taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do órgão, em 16 e 17 de junho.
É isso o que mostra o comunicado divulgado nesta quarta-feira (29/4) pelo BC, no qual o Copom justifica o corte de 0,25 ponto percentual promovido na Selic, agora, fixada em 14,50% ao ano.
O trecho do documento destinado a eventuais projeções disse que, no cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o “Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária”.
A seguir, acrescenta que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros precisam “incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.
Texto idêntico
O texto é idêntico ao do comunicado divulgado na última reunião do Copom, em 18 de março. No encontro anterior, o primeiro do ano, em 28 janeiro, o conteúdo foi diferente.
Na ocasião, o comunicado deu uma orientação nítida aos agentes econômicos ao afirmar que, “em se confirmando o cenário esperado”, iria iniciar a flexibilização da política monetária. E foi o que aconteceu. Em 18 de março, foi promovido o primeiro corte de 0,25 ponto percentual da taxa.
Fator guerra
No comunicado desta quarta-feira, o Copom destaca como fator de incerteza a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. “O ambiente externo permanece incerto, em função da indefinição a respeito da duração, extensão, e desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais”, afirma o texto. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.”
Em um trecho importante do novo comunicado, o Copom também mudou a projeção de aumento de preços. Ele anota que as expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,9% e 4,0%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,5%.
Horizonte relevante
Note-se que o “horizonte relevante” mencionado no texto é o período futuro, geralmente de cerca de 18 meses, em que as decisões de taxa de juros devem produzir o efeito máximo sobre a economia e a inflação.
Na primeira reunião do ano do Copom, em 28 de janeiro, as expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus eram de 4,0% e 3,8%. A projeção de inflação do Copom para o terceiro trimestre de 2027, à época o horizonte relevante de política monetária, ficou em 3,2 %.
Em 18 de março, data do segundo encontro anual do órgão, essas estimativas de inflação passaram para 4,1% (2026) e 3,8% (2027). A projeção do Copom para o horizonte relevante subiu para 3,3%. Agora, como mencionado, ela foi para 3,5%.
Cenário doméstico
Em relação ao cenário doméstico, o Copom manteve o tom do comunicado de março. Disse o órgão: “O conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência.”
