Comitê do Senado aprova indicação de Warsh ao Fed. Plenário votará
Todos os 13 congressistas republicanos do comitê votaram a favor da indicação de Kevin Warsh, enquanto os 11 democratas não o apoiaram
atualizado
Compartilhar notícia

O Comitê Bancário do Senado dos Estados Unidos aprovou, nesta quarta-feira (29/4), a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano). Agora o assunto será votado pelo plenário do Senado.
Com isso, Warsh – indicado ao posto pelo presidente dos EUA, Donald Trump – fica com o caminho aberto para suceder o atual chefe do Fed, Jerome Powell, cujo mandato termina em maio. A tendência é a de que a sucessão ocorra já nas próximas semanas.
Todos os 13 congressistas republicanos do comitê votaram a favor da indicação de Warsh, inclusive o senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, que havia se manifestado contra anteriormente.
Por outro lado, os 11 senadores do Partido Democrata que integram o comitê votaram de forma contrária a Warsh.
A votação definitiva no plenário do Senado deve ocorrer a partir do dia 11 de maio. Caso isso aconteça, Warsh poderá tomar posse na presidência do Fed até o dia 15 – quando termina o mandato de Powell.
A sabatina de Warsh no Senado
Indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para assumir o comando do Fed, Kevin Warsh foi sabatinado pelo Senado e defendeu uma nova postura da autoridade monetária diante da inflação. Nesta quarta, seu nome foi aprovado pelo Comitê Bancário do Senado e, agora, a votação ocorrerá no plenário.
Durante a sabatina, o indicado pelo presidente dos EUA ao Fed responsabilizou a gestão do atual chefe do BC norte-americano, Jerome Powell, pela escalada da inflação no país após a pandemia de Covid-19, a partir de 2020. Para Warsh, a alta nos preços continua sendo “um grande problema” para a população.
“Embora seja verdade que a inflação esteja menos problemática neste momento, no sentido de que o ritmo de aumento dos preços é menos severo do que era havia alguns anos, os americanos trabalhadores ainda a sentem”, disse o futuro presidente do Fed durante audiência no Comitê Bancário do Senado.
“Isso significa que é necessária uma mudança de regime na condução da política monetária pelo Fed. Precisamos de um novo e diferente arcabouço para combater a inflação”, completou Warsh, sem fornecer maiores detalhes.
Na sabatina, o indicado por Trump à presidência do Federal Reserve garantiu que adotará uma postura de independência em relação ao mandatário da Casa Branca.
Desde o início de seu segundo mandato como presidente dos EUA, em janeiro de 2025, Trump elegeu o chefe do Fed, Jerome Powell, como um de seus maiores alvos. O republicano faz críticas frequentes ao BC norte-americano e cobra publicamente o corte dos juros. O mandato de Powell termina em maio.
“Presidentes (dos EUA) tendem a ser favoráveis à queda dos juros. Acho que a diferença é que o presidente Trump expressa isso de forma bastante clara”, afirmou Warsh.
Em seguida, o indicado ao comando do BC dos EUA assegurou que será independente à frente da autoridade monetária. “A independência cabe ao Fed. A liderança do Fed precisa decidir o que é a coisa certa a fazer”, disse.
Questionado pelo senador John Neely Kennedy, do estado da Louisiana, se seria um mero “fantoche” de Trump no Fed, Warsh foi enfático: “Absolutamente não. Atuarei de forma independente à frente do Federal Reserve”.
O indicado à presidência do Fed afirmou ainda que Trump jamais lhe pediu que assumisse qualquer compromisso em relação à eventual queda dos juros.
Nova era no Fed
Em janeiro deste ano, Donald Trump anunciou Kevin Warsh, ex-diretor do Fed, para a presidência da autoridade monetária.
“Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos grandes presidentes do Fed, talvez o melhor”, escreveu Trump, à época, nas redes sociais.
O perfil de Kevin Warsh é considerado o de alguém muito próximo do sistema financeiro, que conhece os bastidores de Wall Street como poucos – uma verdadeira “raposa” do mercado. Nos últimos anos, Warsh chamou atenção de Trump por vocalizar muitas das críticas ao sistema financeiro norte-americano feitas pelo próprio presidente dos EUA.
Kevin Warsh foi indicado para o Fed há 20 anos, em 2006, pelo então presidente dos EUA George W. Bush. Antes de chegar à diretoria da autoridade monetária, ele foi assistente especial de Bush para política econômica e secretário-executivo do Conselho Econômico Nacional.
Warsh fez parte do Conselho de Governadores do Fed, de 2006 a 2011, e acompanhou de perto a crise financeira de 2008 e o colapso de grandes bancos como o Lehman Brothers. O futuro presidente do Fed teve atuação importante nas negociações entre o Tesouro, o BC dos EUA e instituições financeiras. Até mesmo seus críticos reconhecem que Warsh tem excelente trânsito em Washington e Wall Street.
Nos últimos anos, a postura e a retórica de Kevin Warsh mudaram e ele passou a adotar um tom mais duro e crítico ao Federal Reserve. Em diversas entrevistas e pronunciamentos, o ex-diretor da autoridade monetária defendeu uma “mudança de regime” no Fed, com revisões sobre os instrumentos que levam o BC dos EUA a tomar suas decisões sobre a taxa de juros.
Em linhas gerais, Warsh está alinhado a Trump na defesa de uma política monetária menos contracionista, com a intensificação do corte de juros – o que agrada, em cheio, a Casa Branca. Por outro lado, o indicado por Trump também critica a expansão do balanço do Fed.
Em outubro do ano passado, em entrevista à Fox Business, Warsh foi enfático ao defender a redução da taxa de juros pelo Fed.
“Juros mais baixos, combinados com o tipo de revolução tecnológica que as políticas do presidente permitiram, com o enorme volume de investimentos que está acontecendo na economia doméstica e vindo do exterior, são a semente da nossa revolução de produtividade”, afirmou.
Composição do BC dos EUA
O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed é composto por 12 membros: os sete integrantes do Conselho de Governadores do Sistema do Federal Reserve, o presidente do Federal Reserve de Nova York e quatro dos onze presidentes restantes do Federal Reserve, que cumprem mandatos de um ano em regime de rodízio.
A diretoria do Federal Reserve é composta por sete integrantes que cumprem mandatos de 4 a 14 anos – todos são indicados pela Presidência dos EUA. A indicação para o cargo de presidente do Fed é definida pela Casa Branca e confirmada por uma votação no Senado norte-americano a cada 4 anos.
Em 2022, Jerome Powell foi indicado pelo então presidente dos EUA, Joe Biden, para um segundo mandato à frente do Fed.
