EUA: procuradora encerra investigação contra Powell, presidente do Fed

Na prática, a medida abre caminho para a nomeação do sucessor de Jerome Powell no comando do Fed, Kevin Warsh, indicado por Donald Trump

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O Departamento de Justiça do governo dos Estados Unidos informou, nesta sexta-feira (24/4), que a investigação criminal sobre o presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), Jerome Powell, foi encerrada.

Na prática, a medida abre caminho para a nomeação do sucessor de Powell no comando do Fed, Kevin Warsh, indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e sabatinado pelo Senado na última terça-feira (21/4).

A decisão de acabar com a investigação sobre Powell foi anunciada pela procuradora-chefe do distrito de Columbia, Jeanine Pirro, em mensagem publicada no X (antigo Twitter).

Impasse e investigação interna

O impasse em torno da investigação havia sido agravado após o senador Thom Tillis, do Partido Republicano da Carolina do Norte, ter condicionado a aprovação do nome de Warsh pelo Senado ao fim das apurações sobre Powell.

Em termos práticos, o caso envolvendo o atual presidente do Fed agora será analisado pelo inspetor-geral do próprio BC dos EUA. Ele deve investigar os gastos da autoridade monetária na reforma da sede do Fed, que supostamente serviram de base para a investigação criminal.

“O inspetor-geral tem autoridade para responsabilizar o Federal Reserve perante os contribuintes americanos. Espero um relatório completo em breve e estou confiante de que o resultado ajudará a resolver, de uma vez por todas, as questões que levaram este escritório a emitir intimações”, afirmou Pirro.

“Assim, ordenei ao meu gabinete que encerrasse a investigação enquanto o inspetor-geral conduz o inquérito”, prosseguiu a procuradora. “No entanto, observem que não hesitarei em reiniciar uma investigação criminal caso os fatos o justifiquem.”

Kevin Warsh foi sabatinado no Senado

Indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para assumir o comando do Fed, Kevin Warsh foi sabatinado pelo Senado e defendeu uma nova postura da autoridade monetária diante da inflação.

Durante a sabatina, o indicado pelo presidente dos EUA ao Fed responsabilizou a gestão do atual chefe do BC norte-americano, Jerome Powell, pela escalada da inflação no país após a pandemia de Covid-19, a partir de 2020. Para Warsh, a alta nos preços continua sendo “um grande problema” para a população.

“Embora seja verdade que a inflação esteja menos problemática neste momento, no sentido de que o ritmo de aumento dos preços é menos severo do que era havia alguns anos, os americanos trabalhadores ainda a sentem”, disse o futuro presidente do Fed durante audiência no Comitê Bancário do Senado.

“Isso significa que é necessária uma mudança de regime na condução da política monetária pelo Fed. Precisamos de um novo e diferente arcabouço para combater a inflação”, completou Warsh, sem fornecer maiores detalhes.

Na sabatina, o indicado por Donald Trump à presidência do Federal Reserve garantiu que adotará uma postura de independência em relação ao mandatário da Casa Branca.

Desde o início de seu segundo mandato como presidente dos EUA, em janeiro de 2025, Trump elegeu o chefe do Fed, Jerome Powell, como um de seus maiores alvos. O republicano faz críticas frequentes ao BC norte-americano e cobra publicamente o corte dos juros. O mandato de Powell termina em maio.

“Presidentes (dos EUA) tendem a ser favoráveis à queda dos juros. Acho que a diferença é que o presidente Trump expressa isso de forma bastante clara”, afirmou Warsh.

Em seguida, o indicado ao comando do BC dos EUA assegurou que será independente à frente da autoridade monetária. “A independência cabe ao Fed. A liderança do Fed precisa decidir o que é a coisa certa a fazer”, disse.

Questionado pelo senador John Neely Kennedy, do estado da Louisiana, se seria um mero “fantoche” de Trump no Fed, Warsh foi enfático: “Absolutamente não. Atuarei de forma independente à frente do Federal Reserve”.

O indicado à presidência do Fed afirmou ainda que Trump jamais lhe pediu que assumisse qualquer compromisso em relação à eventual queda dos juros.

Na última reunião do Fed, em março, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 28 e 29 de abril. Neste momento, praticamente a totalidade do mercado aposta na manutenção dos juros no patamar atual. Segundo a plataforma FedWatch, 99,5% acreditam que não haverá alterações na taxa, enquanto 0,5% esperam uma alta de 0,25 ponto percentual. O corte é descartado.

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