Trump volta a atacar Powell, do Fed: “Se não sair, terei de demiti-lo”

Donald Trump indicou Kevin Warsh para a presidência do BC dos EUA, no lugar de Jerome Powell, cujo mandato termina em maio deste ano

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Imagem de aperto de mãos entre Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, em foto de 2017 - Metrópoles
1 de 1 Imagem de aperto de mãos entre Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, em foto de 2017 - Metrópoles - Foto: Drew Angerer/Getty Images

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a mirar sua artilharia em um dos alvos preferenciais desde que assumiu para um segundo mandato na Casa Branca – o chefe do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), Jerome Powell.

Em entrevista à Fox Business, exibida nesta quarta-feira (15/4), o republicano voltou a ameaçar Powell, cujo mandato no comando da autoridade monetária termina em maio, e disse que pode demiti-lo.

“Se ele (Powell) não sair (da presidência do Fed) a tempo, infelizmente terei de demiti-lo”, afirmou Trump, que defende uma saída antecipada do presidente do BC dos EUA.

Fed sob novo comando

Em janeiro deste ano, Donald Trump anunciou Kevin Warsh, ex-diretor do Fed, para a presidência da autoridade monetária.

“Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos grandes presidentes do Fed, talvez o melhor”, escreveu Trump, à época, nas redes sociais.

O perfil de Kevin Warsh é considerado o de alguém muito próximo do sistema financeiro, que conhece os bastidores de Wall Street como poucos – uma verdadeira “raposa” do mercado. Nos últimos anos, Warsh chamou atenção de Trump por vocalizar muitas das críticas ao sistema financeiro norte-americano feitas pelo próprio presidente dos EUA.

Kevin Warsh foi indicado para o Fed há 20 anos, em 2006, pelo então presidente dos EUA George W. Bush. Antes de chegar à diretoria da autoridade monetária, ele foi assistente especial de Bush para política econômica e secretário-executivo do Conselho Econômico Nacional.

Warsh fez parte do Conselho de Governadores do Fed, de 2006 a 2011, e acompanhou de perto a crise financeira de 2008 e o colapso de grandes bancos como o Lehman Brothers. O futuro presidente do Fed teve atuação importante nas negociações entre o Tesouro, o BC dos EUA e instituições financeiras. Até mesmo seus críticos reconhecem que Warsh tem excelente trânsito em Washington e Wall Street.

Nos últimos anos, a postura e a retórica de Kevin Warsh mudaram e ele passou a adotar um tom mais duro e crítico ao Federal Reserve. Em diversas entrevistas e pronunciamentos, o ex-diretor da autoridade monetária defendeu uma “mudança de regime” no Fed, com revisões sobre os instrumentos que levam o BC dos EUA a tomar suas decisões sobre a taxa de juros.

Em linhas gerais, Warsh está alinhado a Trump na defesa de uma política monetária menos contracionista, com a intensificação do corte de juros – o que agrada, em cheio, a Casa Branca. Por outro lado, o indicado por Trump também critica a expansão do balanço do Fed.

Em outubro do ano passado, em entrevista à Fox Business, Warsh foi enfático ao defender a redução da taxa de juros pelo Fed.

“Juros mais baixos, combinados com o tipo de revolução tecnológica que as políticas do presidente permitiram, com o enorme volume de investimentos que está acontecendo na economia doméstica e vindo do exterior, são a semente da nossa revolução de produtividade”, afirmou.

Trump quer corte de juros

Desde o início de seu segundo mandato na Casa Branca, Trump se tornou praticamente um inimigo público de Jerome Powell e fez diversas cobranças públicas para que o Fed reduzisse a taxa de juros.

Na última reunião do Fed, em março, os juros foram mantidos no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 28 e 29 de abril. Neste momento, a esmagadora maioria do mercado aposta na manutenção dos juros no patamar atual. Segundo a plataforma FedWatch, 98,4% acreditam que não haverá alterações na taxa, enquanto 1,6% esperam uma alta de 0,25 ponto percentual. O corte é descartado.

Composição do Fed

O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed é composto por 12 membros: os sete integrantes do Conselho de Governadores do Sistema do Federal Reserve, o presidente do Federal Reserve de Nova York e quatro dos onze presidentes restantes do Federal Reserve, que cumprem mandatos de um ano em regime de rodízio.

A diretoria do Federal Reserve é composta por sete integrantes que cumprem mandatos de 4 a 14 anos – todos são indicados pela Presidência dos EUA. A indicação para o cargo de presidente do Fed é definida pela Casa Branca e confirmada por uma votação no Senado norte-americano a cada 4 anos.

Em 2022, Jerome Powell foi indicado pelo então presidente dos EUA, Joe Biden, para um segundo mandato à frente do Fed.

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