Powell defende política monetária restritiva, ainda que “levemente”
Presidente do Federal Reserve, o banco central americano, manteve tom duro ao tratar das perspectivas dos juros nos Estados Unidos
atualizado
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O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) Jerome Powell, manteve o tom duro ao definir as perspectivas para as taxas de juros nos Estados Unidos. Ele disse que os dirigentes do órgão consideram importante manter a política monetária “levemente” restritiva para equilibrar os riscos de queda do mercado de trabalho e de alta da inflação.
Ele observou, contudo, que tal política não pode ser excessivamente dura, por causa dos riscos de queda no mercado de trabalho. As afirmações de Powell foram feitas em entrevista concedida depois do anúncio por parte do Fed de manutenção, pela segunda vez, da taxa de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,50% e 3,75%. A medida já era amplamente esperada pelo mercado.
Powell acrescentou que os dirigentes do Fed seguem atentos aos riscos que a guerra traz para o emprego e para a estabilidade de preços, que constituem os pilares do mandato dos integrantes do órgão. “A economia tem se expandido em um ritmo sólido, enquanto a geração de empregos permanece baixa”, afirmou. “A taxa de desemprego sofreu poucas alterações nos últimos meses e a inflação permanece um tanto elevada.”
Powell observou que os gastos dos consumidores seguem firmes e o investimento das empresas segue em expansão. A atividade do setor imobiliário, contudo, permaneceu fraca.
Cenário mais desafiador
Na avaliação de Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, o cenário econômico dos Estados Unidos tornou-se mais desafiador, com impactos inflacionários da guerra, enquanto a taxa de desemprego permanece em patamares saudáveis, mas a abertura de vagas continua fraca.
“Neste contexto, Powell afirmou que a velocidade da convergência à meta de inflação (de 2%) está mais lenta do que o esperado e citou um eventual progresso no alívio da inflação de bens como um dos principais aspectos a serem observados para a tomada de decisão das próximas reuniões”, diz.
Zogbi observa que o presidente do Fed evitou debater a duração ou o impacto efetivo da guerra. “Mas admitiu que os efeitos esperados de um prolongamento do conflito seriam de deterioração do mercado de trabalho e aumento da inflação e ponderou que o choque tende a ser temporário, o que afasta, na nossa visão, a possibilidade de aumentos da taxa de juros no cenário atual”, afirma.
Do lado positivo, nota a analista, as projeções mostram otimismo com a atividade, com um crescimento do PIB de 2,4%, ante 2,3% da publicação anterior. “Powell reforçou o aspecto saudável da economia americana. Essa expectativa, junto a uma leitura acima do esperado da inflação ao produtor publicada mais cedo, pode implicar em expectativas de taxas de juros altos por mais tempo, motivando algum aumento da aversão a risco no mercado.”
