Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Negócios

Bolsas: Europa e EUA sobem com alívio do petróleo e decisão sobre juro

Alívio no preço do petróleo influenciou positivamente bolsas da Europa. Nos EUA, apesar de queda das big techs, indicadores operavam no azul

30/04/2026 13:14, atualizado 30/04/2026 13:17
Compartilhar notícia
Cate Gillon/Getty Images
Imagem de pessoa passando em frente a painel da Bolsa de Valores de Londres - Metrópoles

Depois de uma sequência de pregões marcados pela preocupação dos investidores, os principais índices das bolsas de valores da Europa fecharam em alta, nesta quinta-feira (30/4), diante da queda dos preços internacionais do petróleo, o que gerou um alívio nos mercados globais.

Os investidores também repercutiram as decisões do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) e do Banco da Inglaterra (BoE) sobre a taxa básica de juros nos Estados Unidos e na Europa.

Em Nova York, as principais bolsas de valores também operavam no azul, na tarde desta quinta-feira, mesmo com a forte queda das ações de alguns dos gigantes de tecnologia – as chamadas “big techs”.


Europa fecha em alta

  • O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, fechou em alta de 1,38%, aos 611,28 pontos.
  • Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX terminou o dia com ganhos de 1,33%, aos 24,2 mil pontos.
  • Em Londres, o FTSE 100 encerrou o pregão em alta de 1,51%, aos 10,3 mil pontos.
  • O CAC 40, da Bolsa de Paris, avançou 0,53%, aos 8,1 mil pontos.
  • O índice Ibex 35, de Madri, encerrou o pregão em alta de 0,78%, aos 17,7 mil pontos.

Bolsas dos EUA operam no azul

  • Em Nova York, os principais índices das bolsas de valores dos EUA operavam com ganhos na tarde desta quinta-feira.
  • Por volta das 13 horas (pelo horário de Brasília), o índice Dow Jones avançava 1,49%, aos 49,5 mil pontos.
  • No mesmo horário, o S&P 500 tinha alta 0,42%, aos 7,1 mil pontos.
  • O Nasdaq Composto, que reúne as ações de empresas do setor de tecnologia, oscilava 0,02%, aos 24,6 mil pontos, praticamente estável, ainda sentindo os efeitos da queda das big techs.

Banco da Inglaterra decide não mexer nos juros

O principal destaque do dia na agenda econômica europeia foi a decisão do Banco da Inglaterra (BoE) de manter inalterada a taxa de juros de referência, em 3,75% ao ano, confirmando as expectativas do mercado.

A decisão da autoridade monetária britânica não foi unânime. Houve um voto a favor de uma alta de 0,25 ponto percentual, para 4% ao ano.

No comunicado que acompanhou a decisão, o BoE afirma que a inflação ao consumidor na Europa avançou para 3,3% em um período de 12 meses. “Há risco de efeitos secundários relevantes na formação de preços e salários, aos quais a política monetária precisaria reagir”, alertou o Banco da Inglaterra.

Nos EUA, Fed mantém os juros inalterados na despedida de Powell

Na terceira reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) em 2026, nessa quarta-feira (29/4), a taxa de juros foi mantida inalterada pela autoridade monetária pela terceira vez consecutiva.

Acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado, a taxa básica de juros da economia norte-americana segue no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano. Nas duas reuniões anteriores do Fed, em janeiro e março, os juros também haviam sido mantidos nessa faixa.

A decisão do BC dos EUA não foi unânime. Foram oito votos a favor da manutenção do patamar atual dos juros (Jerome Powell, John Williams, Michael Barr, Michelle Bowman, Lisa Cook, Philip Jefferson, Anna Paulson e Christopher Waller) e quatro contrários (Stephen Miran, Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan). Foi a votação mais dividida no Fomc em mais de 30 anos, desde 1992.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros está marcado para os dias 16 e 17 de junho, já sem o atual presidente do Fed, Jerome Powell, no comando do BC dos EUA. Seu mandato termina em maio.

Powell será sucedido pelo ex-diretor do Fed Kevin Warsh, indicado ao cargo pelo presidente dos EUA, Donald Trump – desafeto do atual chefe do BC dos EUA. O nome de Warsh foi aprovado pelo Comitê Bancário do Senado e, agora, será analisado pelo plenário da Casa.

PIB e “inflação do consumo” nos EUA

Os investidores europeus também repercutiram os dados do PIB dos EUA no primeiro trimestre de 2026 e da chamada “inflação do consumo” (o PCE) em março.

O PIB da maior economia do mundo no primeiro trimestre do ano subiu 2%, acelerando em relação à alta de 0,5% no trimestre anterior, mas abaixo das estimativas do mercado.

Já o PCE ficou em 0,7% em março deste ano, na comparação com o mês anterior. Na base anual, em relação a março de 2025, a inflação do consumo nos EUA ficou em 3,5%.

Os resultados vieram em linha com as expectativas do mercado. A maioria dos analistas projetava exatamente índices de 0,7% e 3,5%. Em fevereiro, a inflação do consumo nos EUA ficou em 0,4% (mensal) e 2,8% (anual).

Os dados sobre atividade econômica e inflação estão entre aqueles que são mais levados em consideração para a definição da taxa básica de juros pelo Fed.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Após bater recorde em 4 anos, preço do petróleo cai

Os preços internacionais do petróleo esboçaram um “alívio”, na manhã desta quinta-feira, apesar de permanecerem as tensões entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o regime iraniano, em meio aos conflitos no Oriente Médio e ao bloqueio naval norte-americano no Estreito de Ormuz.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Depois de terem atingido, na véspera e nas primeiras horas da sessão desta quinta-feira, o maior valor em quatro anos, os preços do petróleo passaram a operar em baixa.

Por volta das 10h30 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) recuava 2,47% e era negociado a US$ 104,24. No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) cedia 3,73%, a US$ 113,63.

Mais cedo, a cotação do petróleo atingiu o maior nível desde 2022, no início da guerra entre Rússia e Ucrânia, com o barril do brent superando os US$ 118 e batendo US$ 125 nos contratos futuros.

A sessão dessa quarta-feira foi a oitava consecutiva de valorização nos preços do petróleo, a maior sequência em quatro anos. Desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã no Oriente Médio, o preço do barril do petróleo tipo brent acumula alta de mais de 60%.

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters