Depois de atingirem maior valor em 4 anos, preços do petróleo recuam

Na véspera, a cotação do petróleo atingiu o maior nível desde 2022. Sessão de quarta-feira foi a oitava consecutiva de valorização no preço

atualizado

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Foto: U.S. Navy via Getty Images
imagem colorida de Navio perto do Estreito de Ormuz
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Os preços internacionais do petróleo esboçaram um “alívio”, na manhã desta quinta-feira (30/4), apesar de permanecerem as tensões entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o regime iraniano, em meio aos conflitos no Oriente Médio e ao bloqueio naval norte-americano no Estreito de Ormuz.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.

Depois de terem atingido, na véspera e nas primeiras horas da sessão desta quinta-feira, o maior valor em quatro anos, os preços do petróleo passaram a operar em baixa.


O que aconteceu

  • Por volta das 10h30 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) recuava 2,47% e era negociado a US$ 104,24.
  • No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) cedia 3,73%, a US$ 113,63.
  • Mais cedo, a cotação do petróleo atingiu o maior nível desde 2022, no início da guerra entre Rússia e Ucrânia, com o barril do brent superando os US$ 118 e batendo US$ 125 nos contratos futuros.
  • A sessão dessa quarta-feira (29/4) foi a oitava consecutiva de valorização nos preços do petróleo, a maior sequência em quatro anos.
  • Desde o início da guerra entre EUA, Israel e Irã no Oriente Médio, o preço do barril do petróleo tipo brent acumula alta de mais de 60%.

Bloqueio dos EUA está “condenado ao fracasso”, diz Irã

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse, nesta quinta-feira (30/4), que “qualquer tentativa de cerco ao Irã por mar está condenada ao fracasso”, em referência ao bloqueio naval que os Estados Unidos estão fazendo no Estreito de Ormuz.

Segundo ele, o bloqueio é, na verdade, “uma fonte de tensão e perturbação para uma estabilidade duradoura no Golfo Pérsico”. Apesar do acordo de cessar-fogo, o presidente dos EUA, Donald Trump, tem dito que o bloqueio naval continuará até que as negociações sejam 100% finalizadas.

A mensagem de Pezeshkian foi divulgada por ocasião do Dia Nacional do Golfo Pérsico. No texto, Pezeshkian ressalta que a identidade iraniana está atrelada à via navegável.

“Estreito de Trump”

O presidente dos EUA, Donald Trump, compartilhou nas redes sociais, nessa quarta-feira, a imagem de um mapa com o Estreito de Ormuz, renomeado como “Estreito de Trump”.

A publicação ocorre em meio à escalada de tensões entre Washington e Teerã, em uma região considerada estratégica para a exportação global de combustíveis e marcada por restrições mútuas e ameaças ao tráfego marítimo.

No último fim de semana, o Irã apresentou uma nova proposta aos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar o conflito armado. A oferta incluía o adiamento das discussões sobre o programa nuclear iraniano, mas foi rejeitada por Trump.

O republicano indicou que houve avanços nas negociações, mas condicionou qualquer acordo à proibição total de armas nucleares pelo regime iraniano. “Eles já avançaram bastante. A questão é se eles vão longe o suficiente”, afirmou.

Trump afirmou, no Salão Oval da Casa Branca, que rejeitou a proposta do Irã de suspender o bloqueio norte-americano e reabrir o Estreito de Ormuz.

“O bloqueio é um pouco mais eficaz do que os bombardeios. Eles estão sufocando como um porco recheado. E vai ser pior para eles. Eles não podem ter uma arma nuclear”, disse.

O líder norte-americano ainda indicou que houve avanços nas negociações com o Irã, mas condicionou qualquer acordo à proibição total de armas nucleares pelo regime iraniano. Trump indicou que houve progresso nas conversas, mas demonstrou cautela sobre o desfecho.

“Eles já avançaram bastante. A questão é se eles vão longe o suficiente”, afirmou. Ele reforçou que não aceitará um acordo que permita o desenvolvimento nuclear iraniano. “Nunca haverá um acordo a menos que eles concordem que não haverá armas nucleares”, completou.

Segundo o republicano, as tratativas têm evoluído com mais agilidade devido ao uso de contatos telefônicos em vez de reuniões presenciais. “Estamos conversando com eles agora e não estamos mais viajando em voos de 18 horas toda vez que queremos ver um documento. Estamos fazendo tudo por telefone, e é muito bom”, completou o presidente.

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