Petróleo se aproxima de US$ 115 com Trump e saída dos Emirados da Opep

Pela manhã, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) subia 2,81%, a US$ 114,39

atualizado

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Donald Trump EUA
1 de 1 Donald Trump EUA - Foto: Chip Somodevilla/Getty Images

Os preços internacionais do petróleo operavam mais uma vez em alta, na manhã desta quarta-feira (29/4), diante de uma nova escalada nas tensões entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o regime do Irã.

Apesar dos esforços diplomáticos em prol das negociações entre norte-americanos e iranianos pelo fim dos conflitos no Oriente Médio, a percepção do mercado, neste momento, é a de que um acordo ainda está distante.

A situação foi agravada pelo anúncio feito pelos Emirados Árabes Unidos, na véspera, de que vão deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a aliança ampliada Opep+, a partir de 1º de maio. A notícia aumentou a volatilidade no mercado global de energia e levantou dúvidas sobre o futuro da coordenação da oferta de petróleo entre grandes produtores.


Preços do petróleo

  • Por volta das 7h45 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 3,37% e era negociado a US$ 103,30.
  • No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) subia 2,81%, a US$ 114,39, se mantendo no maior patamar em um mês.
  • Na véspera, os preços fecharam em alta. Na terça-feira (28/4), o barril de petróleo WTI subiu 3,69%, a US$ 99,93. O brent registrou ganhos de 2,66%, a US$ 104,40 o barril.

Emirados Árabens deixam a Opep

O anúncio dos Emirados Árabes, feito nessa terça-feira (28/4), ocorre em um momento de forte instabilidade geopolítica no Oriente Médio, diante da guerra entre EUA e Irã, com impactos diretos sobre rotas estratégicas de escoamento, como o Estreito de Ormuz – ponto por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

A manobra também é interpretada como uma tentativa de Abu Dhabi de ampliar a autonomia produtiva e acelerar investimentos no setor energético.

A Opep, responsável atualmente por cerca de 30% a 40% da produção global de petróleo, vinha atuando em conjunto com aliados da Opep+ para controlar a oferta e influenciar os preços internacionais.

A saída dos Emirados, terceiro maior produtor do grupo, é vista como um enfraquecimento relevante dessa coordenação.

Em comunicado, o ministro de Energia dos Emirados, Suhail Al Mazrouei, afirmou que a decisão reflete uma mudança estratégica de longo prazo.

“Esta decisão reflete a visão estratégica e econômica de longo prazo dos Emirados Árabes Unidos e o perfil energético em evolução, incluindo o investimento acelerado na produção doméstica de energia”, disse.

Trump reage a chanceler alemão sobre Irã

O presidente dos EUA, Donald Trump, reagiu às declarações do chanceler alemão, Friedrich Merz, que afirmou que o país estaria sendo “humilhado” pelo Irã.

Em uma publicação na rede Truth Social, Trump disse que o chanceler alemão “parece achar aceitável que o Irã tenha uma arma nuclear”. “Ele não sabe do que está falando. Se o Irã possuísse armamento nuclear, todo o planeta estaria sob ameaça”, escreveu.

Sem mencionar diretamente Merz, em outro trecho, o presidente norte-americano afirmou que está tomando medidas que, segundo ele, deveriam ter sido adotadas por outras nações há muito tempo. Ele também criticou a Alemanha, sugerindo que o país atravessa um momento negativo.

“Eu estou fazendo algo com o Irã, agora, que outras nações, ou presidentes, deveriam ter feito há muito tempo. Não é à toa que a Alemanha está indo tão mal, tanto economicamente quanto de outras maneiras!”, escreveu Trump.

Na última segunda-feira (27/4), Merz havia feito críticas à atuação dos EUA, apontando tentativas de se afastar de um conflito iniciado sem metas bem definidas. Ele também descreveu os iranianos como “negociadores habilidosos”.

Trump ameaça Irã com IA

Donald Trump usou uma imagem feita com inteligência artificial (IA) para fazer novas ameaças ao Irã, nesta quarta-feira (29/4). Na foto, o presidente dos EUA aparece segurando um fuzil com explosões ao fundo. “Chega de ser bonzinho”, diz o texto.

“O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo não nuclear. É melhor ficarem espertos!”, escreveu na legenda do post na rede social Truth Social.

EUA e Irã ainda não conseguiram chegar a um acordo para terminar a guerra. A expectativa é que Teerã apresente uma nova proposta aos mediadores no Paquistão nos próximos dias.

No último sábado (25/4), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, se encontrou com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, em Islamabad. A delegação americana desistiu da viagem ao país.

Segundo agência estatal iraniana, Araghchi entregou uma lista ao Paquistão com pontos considerados inegociáveis pelo governo iraniano.

Por enquanto, o cessar-fogo entre os dois países dura três semanas.

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