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Negócios

Petróleo avança e bate US$ 105 com guerra e saída dos Emirados da Opep

Escalada nas tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio e negociações travadas preocupam mercado e fazem petróleo disparar

Fábio Matos28/04/2026 10:35, atualizado 28/04/2026 15:59
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Divulgação
Barris de Petróleo

Os preços internacionais do petróleo continuavam operando em alta, na tarde desta terça-feira (28/4), diante do aumento das tensões no Oriente Médio, à medida que os dias passam sem que Estados Unidos e Irã entrem em um acordo pelo fim da guerra.

Mais cedo, os Emirados Árabes Unidos anunciaram a saída da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e da Opep+. A decisão do país terá efeito a partir do mês que vem.

O anúncio vem em meio à instabilidade do mercado de energia global devido à guerra no Irã e ao fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota do comércio de petróleo do Oriente Médio.

O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.


O que aconteceu

  • Por volta das 15h45 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) disparava 3,88% e era negociado a US$ 100,11.
  • O contrato futuro para julho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) avançava 2,91%, a US$ 104,65.
  • Mais cedo, o barril do petróleo tipo brent chegou a valer US$ 105,81. Já o WTI cravou US$ 101,81.
  • Na véspera, os preços fecharam em alta. Na segunda-feira (27/4), o barril de petróleo WTI subiu 2,09%, a US$ 96,37. O brent registrou ganhos de 2,58%, a US$ 101,69 o barril.

EUA e Irã negociam fim da guerra

Assim como vem acontecendo nas últimas semanas, os desdobramentos da guerra entre EUA e Irã no Oriente Médio continua ditando o ritmo do mercado. O presidente dos EUA, Donald Trump, está avaliando a nova proposta do Irã para uma solução diplomática à guerra, segundo informou a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, nessa segunda-feira (27/4).

A proposta iraniana inclui a reabertura do Estreito de Ormuz, com a condição do adiamento de um consenso sobre a questão nuclear do país persa. Uma das principais exigências dos EUA para negociar é que o Irã abandone o enriquecimento de urânio – etapa essencial para a produção de armas nucleares.

Pelo lado iraniano, autoridades afirmam que o país não almeja ter armamentos nucleares e enriquece urânio para fins médicos e energéticos.

Em meio às conversas, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã continua proibindo a passagem de embarcações pelo Estreito de Ormuz, e a Marinha dos EUA segue impondo um bloqueio naval no Mar Arábico contra embarcações com destino ou origem em portos iranianos.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, entregou uma lista com pontos considerados inegociáveis pelo governo iraniano durante uma visita ao Paquistão, segundo a agência estatal iraniana.

A agência destacou, no entanto, que a troca de mensagens não integra diretamente as negociações entre Irã e EUA, mas tem o objetivo de esclarecer a posição iraniana sobre o cenário regional e seus pontos considerados inegociáveis. Outros detalhes não foram divulgados.

Putin se alinha ao Irã

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se reuniu, nessa segunda-feira, em São Petersburgo, com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi. Durante o encontro, Putin afirmou esperar que o povo iraniano supere o que classificou como um “período difícil” e que a paz seja restabelecida em breve.

“De nossa parte, faremos tudo o que servir aos seus interesses e aos interesses de todos os povos da região para garantir que a paz seja alcançada o mais rápido possível”, disse Putin a Aragchi, segundo a mídia estatal russa.

Moscou tem se colocado como possível mediador para reduzir as tensões no Oriente Médio após os ataques realizados por EUA e Israel contra o Irã, ações que o governo russo condenou. A Rússia também já ofereceu armazenar o urânio enriquecido iraniano como forma de aliviar o impasse, proposta que não foi aceita pelos americanos.

No encontro, Putin revelou que recebeu uma mensagem do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, e fez um agradecimento. “Gostaria de pedir que transmita meus mais sinceros agradecimentos por isso e confirme que a Rússia, assim como o Irã, pretende continuar nosso relacionamento estratégico”, disse Putin.

As relações entre Rússia e Irã vêm se estreitando. No ano passado, os dois países firmaram um acordo de parceria estratégica com duração de 20 anos. Além disso, os russos estão construindo novas unidades nucleares em Bushehr, onde fica a única usina nuclear iraniana.

Em paralelo, o Irã forneceu drones do tipo Shahed para uso da Rússia na guerra contra a Ucrânia, reforçando a cooperação militar entre os dois países.

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