Preço do petróleo começa a semana em alta e volta a bater US$ 100
Mercado aguarda os desdobramentos da guerra no Oriente Médio após o Irã apresentar proposta aos EUA para a reabertura do Estreito de Ormuz
atualizado
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Os preços internacionais do petróleo operavam em alta, na manhã desta segunda-feira (27/4), e voltavam a rondar os US$ 100 em meio à apreensão do mercado em relação ao avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã em torno da reabertura do Estreito de Ormuz e do fim dos conflitos no Oriente Médio.
O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
O que aconteceu
- Por volta das 9h20 (pelo horário de Brasília), o contrato futuro para junho do barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) avançava 0,72% e era negociado a US$ 95,08.
- No mesmo horário, o contrato futuro para junho do petróleo do tipo brent (referência para o mercado internacional) subia 1,07%, a US$ 100,19.
- Na última sessão, os preços fecharam em queda. Na sexta-feira (24/4), o barril de petróleo WTI recuou 1,51%, a US$ 94,40. O brent cedeu 0,22%, a US$ 99,13.
Irã tenta acordo pela reabertura de Ormuz
O Irã apresentou, no fim de semana, uma nova proposta aos EUA com o objetivo de reabrir o Estreito de Ormuz. O ponto central da oferta é o adiamento das discussões sobre o programa nuclear.
O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o “gargalo” mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
Segundo fontes próximas ao assunto, essa manobra visa a destravar a diplomacia, que se encontra em um impasse devido às divisões internas na liderança iraniana sobre quais concessões nucleares seriam aceitáveis.
A proposta, embora pareça um caminho mais rápido para a paz, gera um dilema significativo para a Casa Branca. Ao separar o fim das hostilidades da questão atômica, o Irã tenta remover o principal trunfo do presidente dos EUA, Donald Trump.
O líder norte-americano considera o bloqueio naval e a pressão militar ferramentas essenciais para forçar Teerã a abrir mão de seu estoque de urânio enriquecido e suspender o enriquecimento de forma permanente – objetivos que são pilares de sua estratégia de guerra.
Do lado dos EUA, a resistência ao plano iraniano é evidente. Trump sinalizou, em entrevista recente, que pretende manter o cerco naval que tem asfixiado as exportações de petróleo do Irã.
A lógica de Washington é baseada na vulnerabilidade infraestrutural do adversário: sem poder escoar a produção, o sistema de oleodutos iraniano corre riscos técnicos graves. Trump acredita que essa pressão extrema levará o regime a ceder em todas as frentes nas próximas semanas.
O cenário de incerteza deve ser debatido em reunião crucial, na Sala de Situação, nesta segunda-feira (27/4). Trump se reunirá com sua equipe de segurança nacional e política externa para avaliar os próximos passos e decidir se aceita a dissociação proposta por Teerã ou se mantém a estratégia de “pressão máxima”.
Trump abre caminho para negociação
Nesse domingo (26/4), Trump afirmou que o Irã poderia entrar em contato com os EUA se quisesse negociar o fim da guerra entre os dois países. “Se eles quiserem conversar, podem vir até nós ou podem nos ligar. Há um telefone”, disse.
O republicano afirmou ainda que possui “linhas seguras e agradáveis, embora não tenha certeza se alguma linha telefônica é segura, francamente”. “Se eles quiserem, podemos conversar”, completou.
No último sábado (25/4), Trump cancelou a ida da equipe de negociações dos EUA ao Paquistão para conversar com os representantes do Irã. Em publicação na rede Truth Social, o mandatário detalhou que suspendeu a viagem momentos antes da delegação embarcar, pois considerou que seria uma “perda de tempo”.
