Justiça do DF ouve Turra em audiência de instrução da morte de Rodrigo. Veja vídeo
Sessão será realizada nesta segunda (25), às 9h, e decidirá se o ex-piloto irá ao Tribunal do Júri em razão da morte de Rodrigo Castanheira
atualizado
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Após exatos 123 dias desde a noite em que o adolescente Rodrigo Castanheira, de 16 anos, foi agredido pelo ex-piloto de Fórmula Delta Pedro Arthur Turra Basso (imagem em destaque), 19 anos, o caso segue, nesta segunda-feira (25/5), para uma das fases mais decisivas do julgamento: a audiência de instrução. A sessão será realizada na 1ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Águas Claras às 9h.
Esta etapa é o momento em que o juiz responsável ouve testemunhas de acusação, de defesa e, ao fim, o próprio réu. Durante a audiência, o magistrado ainda pode analisar documentos, laudos periciais, vídeos e demais elementos reunidos durante a investigação.
Vale ressaltar também que a audiência é uma etapa oportuna para ambas as defesas confrontarem as versões apresentadas ao longo do inquérito policial. Na ocasião, eles podem tanto esclarecer contradições, quanto até mesmo consolidar elementos que poderão ser usados futuramente pela acusação e pela defesa perante os jurados.
Ao Metrópoles, o advogado da família de Rodrigo Castanheira, Albert Halex, afirmou que a expectativa é de que a audiência traga clareza e sirva para que a “verdade sobre o que aconteceu com o Rodrigo fique ainda mais evidente”.
“A família não quer vingança, quer Justiça. E estamos confiantes de que ela virá. Esperamos que que Pedro Turra seja pronunciado e levado a julgamento pelo júri popular. A sociedade precisa se pronunciar sobre o que foi feito com o Rodrigo, um adolescente de 16 anos, cheio de vida, que foi morto por socos desferidos de forma brutal e sem qualquer justificativa”, disse.
Já para a defesa de Pedro Turra, o advogado Paulo Suzano, a audiência de instrução está “sujeita ao imponderável”. Segundo Suzano, o curso do processo pode mudar significativamente com pequenos trechos de um singelo depoimento.
“A defesa nutre a firme expectativa de que a medida em que os fatos passam a ser apreciados pelo Poder Judiciário será definitivamente afastada a indevida contaminação midiática que embriagava a fase inquisitorial, e que tanto afrontou a causa da justiça e da verdade”, disse em nota.
Como Pedro Turra responde por homicídio qualificado, o procedimento segue o rito do Tribunal do Júri. Após o encerramento da instrução, caberá ao magistrado decidir se existem indícios suficientes de autoria e materialidade para que o acusado seja submetido a júri popular.
O ex-piloto está preso preventivamente no Pavilhão de Segurança Máxima do Complexo Penitenciário da Papuda (DF), desde 30 de janeiro de 2026. Ao menos sete pedidos de habeas corpus de Turra foram negados pelo Tribunal de Justiça do DF (TJDFT) e também pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) também pediu uma condenação a Turra ao pagamento de, no mínimo, R$ 400 mil em danos morais à família.
Para relembrar o caso, o Metrópoles reuniu todos os fatos que aconteceram desde o dia da briga até a audiência de instrução. Confira a cronologia do caso abaixo na reportagem.
22 de janeiro
Pedro Arthur Turra Basso e Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira se envolveram em uma briga na noite de 22 de janeiro, em Vicente Pires (DF).
Em imagens gravadas por testemunhas e amigos de Turra, que chegaram ao local junto a ele, mostram o ex-piloto desferindo socos diretamente contra a cabeça do adolescente e o questionando se ia “arregar”, conforme o vídeo no início da reportagem.
Inicialmente, a versão apresentada indicava que a confusão teria começado após Turra jogar um chiclete mascado em um amigo da vítima.
O Metrópoles, inclusive, teve acesso a prints anexados à denúncia do Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) de conversas do ex-piloto Pedro Turra com amigos e a esposa, momentos antes de chegarem ao local da briga.
As mensagens escritas e os áudios detalham a sequência que antecedeu o ataque e também mostram o que o acusado disse depois do crime, indicando possível premeditação e tentativa de minimizar a situação.
Veja:
Áudios enviados para a esposa do jovem mostram que ele tinha ciência do risco de confronto: “Tem gente querendo bater em um amigo numa festa, vamos pegar eles”.
23 de janeiro
Poucas horas após a briga, Rodrigo foi internado em estado grave em um hospital particular do Distrito Federal em razão dos socos da agressão.
O adolescente foi intubado, ficou em coma e teve uma parada cardíaca de 12 minutos.
No mesmo dia, Pedro Turra foi preso pela 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires) pelo crime de lesão corporal grave. Em depoimento, Turra disse que “não tinha a intenção” de machucar o jovem, mas sim de “apartar a briga” entre eles.
“Eu estava tentando apartar e tentando jogar ele fora, mas ele não parava. Aí eu tive que dar os murros nele, porque se não ele não iria parar”, contou o ex-piloto à época.
Além de Turra, os outros ocupantes do carro em que Turra dirigia, também prestaram depoimentos. Segundo MPDFT, houve indícios concretos de tentativa de combinação dos depoimentos para favorecer Turra. Na ocasião, todos mencionaram o fator de que a briga foi motivada por um chiclete.
Relembre os depoimentos dos ocupantes
- A esposa de Turra, identificada como Lauanny Faria Braier Borges, insinuou que Rodrigo estaria “alcoolizado” e que o mesmo teria sacado uma canivete – informação que foi desmentida pela polícia, com o decorrer das diligências;
- Um amigo de Turra disse que a briga começou após um empurrão de Rodrigo em cima do ex-piloto – o que também, segundo as investigações, foi considerado inverídico visto que as imagens da briga mostram o ex-piloto empurrando o adolescente primeiro;
- Já um outro amigo, que foi o que gravou a briga, alegou que teria tentado separar a briga. No entanto, após o delegado refutar a argumentação, ao ressaltar que, em nenhum momento da filmagem, ele tentou apartar, o jovem justificou dizendo que, “se sobrasse alguma coisa disso”, ele queria “mostrar que o Turra estava se defendendo”.
24 de janeiro
Dia da audiência de custódia de Turra, quando ele foi solto após pagar uma fiança de mais de R$ 24 mil – valor definido pela Justiça do DF – que foi depositado no mesmo dia.
Ao conceder liberdade ao ex-piloto, a juíza Ana Claudia Loiola, do Núcleo Permanente de Audiência de Custódia do Distrito Federal, entendeu que a conduta do piloto “não evidencia periculosidade exacerbada” a ponto de ser necessário deixá-lo preso.
27 de janeiro
Com a repercussão da história, outros casos relacionados a agressões efetuadas por Turra vieram à tona.
A primeira delas foi uma denúncia em que o ex-piloto Pedro teria desferido um soco em um outro jovem enquanto este estava de costas, e ainda aplicado um mata-leão.
A briga aconteceu em junho de 2025, quando Pedro e outros quatro amigos cercaram o jovem em uma praça de Águas Claras (DF). Segundo o boletim de ocorrência, Turra teria confrontado o rapaz em virtude de um desentendimento passado por conta da então namorada de Pedro.
Ambos, contudo, teriam conversado por cerca de dez minutos e, ao final, o piloto teria afirmado à vítima que estava “tudo certo” entre eles. Ao virar de costas para Turra, a vítima recebeu um soco na costela e caiu o chão. Foram cerca de cinco minutos de agressões sofridas, segundo o B.O.
Em abril, inclusive, o MPDFT pediu o aprofundamento da investigação da briga com mata-leão.
28 de janeiro
Outras duas denúncias vieram à tona: a agressão de Turra contra um homem de 49 anos, após um desentendimento de trânsito; e um vídeo em que o ex-piloto forçou uma adolescente a beber vodca. Ambos os casos também aconteceram em 2025.
A adolescente denunciante era amiga de Turra e sua turma. Além da denúncia da bebida, a jovem relatou outros episódios perturbadores que o ex-piloto cometeu contra ela, como:
- Uma tortura com um arma de choque por 10 minutos enquanto implorava para que as agressões cessassem;
- Um empurrão de Turra durante um passeio de lancha no Lago Paranoá, onde a jovem relatou que quase se afogou em virtude disso e ninguém a ajudou.
Após as denúncias surgirem, a esposa de Turra, Lauanny, ameaçou a ex-amiga do casal a expor expor vídeos pessoais da vítima, caso ela não desistisse da ocorrência registrada contra o piloto. O caso, que está sendo julgado pela Justiça do DF, foi revelado com exclusividade pelo Metrópoles.
30 de janeiro
Pedro Turra é preso preventivamente após uma nova ordem de prisão expedida pelo Judiciário.
Segundo MPDFT, foi sustentado que a agressão não foi um episódio isolado, mas parte de um padrão reiterado de violência, marcado por provocação deliberada, brutalidade e risco concreto de morte.
Moradores do prédio em Águas Claras (DF), onde Turra morava, aplaudiram e comemoram o momento em que o ex-piloto foi preso.
Em sua residência, a PCDF ainda apreendeu um soco inglês e uma faca esportiva.
2 de fevereiro
O ex-piloto é transferido a uma cela individual na Papuda e, posteriormente, encaminhado ao Pavilhão de Segurança Máxima da penitenciária.
Enquanto preso, o TJDFT recebeu a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) contra Pedro Turra por homicídio doloso (quando há intenção de matar) por motivo fútil e reclassificou a tipificação criminal.
7 de fevereiro
Após 16 dias internado em uma UTI, Rodrigo Castanheira morreu. O jovem foi sepultado no dia seguinte à morte no Cemitério da Asa Sul.
Inicialmente, o laudo apontava que o jovem teria morrido em razão de um impacto que sofreu contra a porta do carro durante a briga com Turra.
No entanto, um laudo médico obtido pela família de Rodrigo Castanheira, dias após a morte do jovem, cita que o óbito do jovem foi ocasionado por causa dos socos efetuados. O documento foi elaborado pelo neurocirurgião Fábio Teixeira Giovanetti Pontes, a pedido da família, que fez uma vaquinha para contratar o trabalho.
O neurocirurgião ainda aponta que os socos efetuados por Turra causaram as seguintes sequelas em Rodrigo:
- fratura linear do osso temporal esquerdo;
- laceração da artéria meníngea média esquerda, com consequente formação de hematoma epidural volumoso à esquerda;
- compressão encefálica progressiva;
- edema cerebral refratário;
- herniação encefálica; e
- morte encefálica.
Justiça por Rodrigo
Desde então, os familiares, em meio ao luto, cobram a Justiça pela morte do Rodrigo. A mãe, inclusive, na semana que antecedeu a audiência, postou uma foto do filho em sua rede social e disse: “Foi assim que meu filho ficou por 16 dias antes de morrer vítima de uma emboscada de assassinos”.
Em 29 de março, parentes e amigos realizaram uma manifestação nas proximidades da Torre de TV. Durante o ato, os participantes cobraram uma investigação completa sobre a participação de todos os jovens envolvidos e a responsabilização de todos que estavam presentes na briga que terminou com a morte do adolescente.
“A autoridade policial já apontou em seu relatório final a hipótese de um crime a mando, com motivação passional. O que foi conversado e combinado antes, durante e depois da agressão ao Rodrigo pode estar nessas mensagens, inclusive nas apagadas, que a perícia tem condições técnicas de recuperar. Essa é, para nós, a prova cabal para entender a real motivação do crime e identificar todos os que participaram”, concluiu.



















