Além de recurso, defesa de Adriana Villela vai pedir nulidade do júri

Arquiteta foi condenada, nessa quarta-feira (02/10/2019), a 67 anos e 6 meses de reclusão, pela morte dos pais e da empregada da família

Rafaela Felicciano/MetrópolesRafaela Felicciano/Metrópoles

atualizado 03/10/2019 13:38

A defesa de Adriana Villela, condenada a 67 anos e 6 meses de reclusão sob a acusação de triplo homicídio triplamente qualificado dos pais e da empregada da família, assassinados em 2009, informou nesta quinta-feira (03/10/2019) que, além de recorrer da decisão do Tribunal do Júri de Brasília, também vai requerer a nulidade do julgamento.

“Em homenagem ao princípio constitucional da ampla defesa, nós estamos entrando com o termo de apelação ainda hoje [quinta]. Em uma petição separada do termo de apelação, que só explicita que não concordamos com o resultado, vamos levar nosso inconformismo ao Tribunal de Justiça requerendo a nulidade do júri em uma questão jurídica. Na visão da defesa, gravíssima e incontornável”, defendeu o advogado da arquiteta Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. Os argumentos ainda estão sendo fundamentados.

“É extremamente forte anular um júri que mobilizou não só a sociedade brasiliense por 10 dias mas toda a estrutura do Tribunal do Júri. Mas é uma questão grave de fundo constitucional. Infelizmente, a anulação se impõe mesmo com a enorme seriedade e competência com que se houve do juiz Paulo Giordano na condução dos trabalhos”, acrescentou.

Após 10 dias de julgamento e logo depois da leitura do veredito, os advogados da arquiteta, Kakay e Marcelo Turbay, distribuíram nota para a imprensa.

“A defesa técnica da Adriana Villela tem a mais absoluta certeza e convicção da sua inocência. Produziu prova negativa da sua participação no terrível assassinato dos seus pais e da colaboradora Francisca. O Tribunal do Júri, no entanto, a condenou sem um fiapo de prova. É um erro judiciário colossal e desumano. Iremos ao Tribunal para reverter esta injustiça”, diz trecho do texto.

“Foi a maior injustiça que eu vi em 40 anos de advocacia criminal. O Tribunal do Júri tem essa característica. Vota sim e não sem ter de fundamentar. O que ocorreu aqui [no julgamento] foi uma monstruosidade”, reagiu o advogado Kakay, logo depois da leitura da sentença, na tarde dessa quarta-feira (02/10/2019).

O julgamento mais longo da história do Distrito Federal chegou ao fim após 10 dias e mais de 100 horas de discussões. A decisão dos sete jurados sorteados para o caso – quatro mulheres e três homens – foi anunciada pelo juiz Paulo Giordano por volta das 18h. O caso, que ficou conhecido como crime da 113 Sul, é um dos mais rumorosos da capital federal.

A arquiteta foi condenada a 32 anos de reclusão pelo homicídio do pai, José Guilherme Villela, a mais 32 anos pelo da mãe, Maria Villela, e a 23 anos pelo assassinato da empregada da família, Francisca Nascimento Silva. Além disso, houve condenação de 3 anos e 6 meses pelo furto de joias e dinheiro. As penas, contudo, não são somadas e o juiz fixa o tempo total. Por isso, chegou-se ao total de 67 anos e 6 meses.

Os outros três envolvidos já condenados pelo Tribunal do Júri tiveram as seguintes penas: 62 anos para Paulo Cardoso Santana; 60 anos para Leonardo Campos Alves; e 55 anos para Francisco Mairlon.

Adriana não esboçou reação. Após ouvir a pena, abraçou a filha, Carolina, e o advogado Antônio Carlos Almeida de Castro, o Kakay, e deixou o plenário do órgão sem falar com a imprensa. A arquiteta não saiu presa do Tribunal do Júri, pois poderá recorrer em liberdade. A eventual prisão só ocorrerá depois de esgotados os recursos e o trânsito em julgado do processo.

Segundo a acusação, Adriana, de 55 anos, contratou por R$ 60 mil Leonardo Campos Alves, ex-porteiro do prédio onde os pais moravam, para assassiná-los. Ele teria contado com ajuda de dois comparsas: o sobrinho Paulo Cardoso e o ex-entregador de gás Francisco Mairlon.

O ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela, a advogada Maria Villela, pais da arquiteta, e a empregada da família, Francisca Nascimento Silva, morreram esfaqueados em 28 de agosto de 2009, no apartamento do casal, na 113 Sul. Foram 73 perfurações provocadas por armas brancas, no total.

O que disse a ré

Ao chegar para o 10º e último dia de julgamento, Adriana falou com a imprensa. “Sou inocente e agradeço por estar trazendo isso à luz agora, aqui no tribunal”, declarou.

Em interrogatório que durou cerca de oito horas na terça-feira (01/10/2019), Adriana narrou bom convívio familiar. Durante toda a explicação, não tirou os olhos dos jurados. “Nós tínhamos um relacionamento amoroso, mas também havia conflitos. Minha mãe não gostava do jeito que eu me vestia. Nem de que discordassem do que ela dizia. Ela era frágil e insegura, e se tornou forte pelas perdas que teve”, frisou.

O Metrópoles acompanhou desde o início, na segunda-feira (23/09/2019) da semana passada, todas as etapas do julgamento. Foram 24 testemunhas ouvidas: oito de acusação e 16 de defesa.

Perdeu algum momento do julgamento? Confira a cobertura do Metrópoles:

Crime da 113 Sul: Adriana Villela é condenada a 67 anos pela morte dos pais

Crime da 113 Sul: Kakay diz que foi alvo de “ataque pessoal”

MP rebate advogado de Adriana: “Enriqueceu defendendo corruptos”

Defesa e acusação batem boca na reta final do julgamento de Adriana

“Adriana é nossa principal testemunha”, diz MP ao citar contradições

OAB: “Ordem não encontrou elementos suficientes para condenar Adriana”

Adriana Villela acredita que Francisco Mairlon seja inocente

Com plenário lotado, Adriana Villela fala com jurados e chora

Promotor: silêncio de Adriana com a acusação vai atrapalhar os jurados

Em meio a julgamento, STF valida laudo com digitais de Adriana Villela

Adriana Villela recebia R$ 8,5 mil de mesada dos pais à época do crime

Após 85 horas de julgamento, depoimento de Adriana fica para esta 3ª

Choro, irritação e selfie: as reações de Adriana durante o júri

Juiz ameaça anular júri de Adriana após intervenções de assistente de acusação

Procurador diz que laudo coloca Adriana em apartamento no dia do crime

Papiloscopista não garante que Adriana esteve na casa dos pais no dia e hora do crime

Júri de Adriana atrai estudantes de direito e até vizinhos dos Villela

Adriana: “A vida me deu um tropeção e meus pais foram assassinados”

“Tinham plena autonomia”, diz Adriana sobre demora em procurar os pais

Questionada por juiz, Adriana Villela relata álibis no dia do crime

Irmão de Adriana Villela: “Temos certeza da inocência dela”

Delegado aposentado diz que álibi de Adriana Villela é “incontestável”

“Cansados dos seus destemperos”, disse mãe de Adriana Villela em carta

Delegado diz que Adriana Villela pagou US$ 27 mil pela morte dos pais

Ex-ministro do TSE afirma que Adriana Villela “pratica a verdade”

Adriana Villela sobre júri: “Oportunidade de esclarecer quem sou”

Segundo delegada Mabel, Adriana teria dito ao pai: “Vai para o inferno”

Crime da 113 Sul: MP diz que PCDF “plantou mentira” para proteger Adriana Villela

Promotor e representante da OAB -DF discutem em julgamento de Adriana

Últimas notícias