“Adriana é nossa principal testemunha”, diz MP ao citar contradições

Procurador Maurício Miranda afirma que comportamento e depoimentos da acusada do caso da 113 Sul mostram a participação dela no crime

atualizado 02/10/2019 12:02

Rafaela Felicciano/Metrópoles

O décimo e, provavelmente, último dia de julgamento de Adriana Villela no crime da 113 Sul começou com declarações fortes dos representantes do Ministério Público do DF (MPDFT). O procurador Maurício Miranda (foto em destaque) afirmou que a melhor testemunha de acusação é a própria Adriana. Ela é acusada de mandar matar os pais, José Guilherme Villela e Maria Villela, e a doméstica da família, Francisca Nascimento Silva.

“Em um primeiro depoimento, ela (Adriana) disse que brigava igual ‘cão e gato’ com os pais”, disse Miranda. O promotor Marcelo Leite Borges leu um trecho do laudo pericial sobre a personalidade da ré.

“Depoente se mostrou desafiadora, autoritária, irônica, invasiva, dissimulada, seletiva no discurso e na memória, com traços compulsivos, vitimização, dramatização, ambivalência, impulsividade, intolerância, frustração, agressividade e frieza, além de apresentar conduta manipulativa. Percebeu-se a falta de laços afetivos em relação a mãe”, aponta o documento.

“O laudo da perícia deixou transparecer uma personalidade de autoritarismo e de uma pessoa manipuladora. O mesmo que nós pudemos perceber no depoimento que ela prestou aqui, ontem (terça-feira, 01/10/2019)”.

“Além disso”, continuou Borges, “o texto também dizia que o vínculo com os genitores era somente material, distante de afetividade. A ligação com a família era econômica e não sentimental”.

“Culpada”

O promotor complementou: “Não viemos aqui para condenar inocentes. Se estamos aqui é porque acreditamos que Adriana é culpada. Tenho certeza que os senhores saberão analisar esse crime e entender que o Ministério Público não forja provas.”

No início do discurso, Maurício Miranda afirmou que há componentes financeiro e social fortes no caso de Adriana. “Este aqui não é ‘o processo’. É só mais um processo. Mas que, lamentavelmente, se tornou maior que outros. Há uma dificuldade em você julgar um rico do que julgar um pobre”, apontou o procurador.

Em um primeiro momento, Miranda lembrou que o caso tem 10 anos e dos desdobramentos em diversas delegacias. Para ele, houve supressão de documentos, de provas, as unidades policiais falharam e, então, a investigação foi parar na Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida).

Falhas na investigação

A procura de uma vidente para ajudar a desvendar o crime e a insistência na teoria de latrocínio foram dois lados apontados por Maurício Miranda para provar falhas na investigação. O procurador entregou aos jurados imagens do apartamento, mostrando que, no dia do crime, os condenados só estiveram em dois cômodos do imóvel e o resto da casa permaneceu intacto.

“A sala de jantar estava posta. A televisão estava ligada. A 8ª DP tentou mudar tudo. Eles queriam dizer a qualquer custo que esse crime era latrocínio”, apontou Maurício Miranda.

Borges também questionou esses indícios. “Os criminosos deixariam mais de R$ 100 mil em joias dentro da casa? Não mexeriam no quarto do casal Villela? Não dá para defender que é o crime da 113 sul foi latrocínio”, disse o promotor.

O assistente de acusação do caso, Pedro Calmon, disse que nunca viu um crime tão covarde como este, em tantos anos de profissão: a filha contratar o porteiro para a assassinar o pai e a mãe, e ainda a empregada como queima de arquivo. “Senhores jurados, está provado que ela contratou o Leonardo (Campos Alves), Leonardo contratou o Mairlon (Francisco Mairlon Barros Aguiar) e Mairlon contratou o Paulo (Cardoso), para queimar o arquivo”, apontou.

Nesse momento, Calmon ainda citou uma conversa entre a delegada Mabel de Farias e Adriana Villela, em que a investigadora disse que se Francisca estivesse viva, ela seria o arquivo vivo dos fatos. A ré teria respondido: “Arquivo morto”.

Suspeita

O objetivo do julgamento é saber se Adriana Villela mandou matar os pais e a doméstica da família. Eles foram executados com 73 facadas. Segundo a acusação, Adriana contratou Leonardo Campos Alves, porteiro do edifício onde moravam os pais, para matar as vítimas por R$ 60 mil.

Ele, por sua vez, teria prometido dar R$ 10 mil a Francisco Mairlon Barros Aguiar para executar o crime. Sobrinho de Leonardo, Paulo Cardoso também foi acusado pelo esfaqueamento do trio. Os três foram condenados e estão presos.

A última etapa do rito em plenário começou por volta 9h desta quarta-feira (02/10/2019). A sessão foi iniciada com o MPDFT, que teve uma hora e meia para falar. Em seguida, é a vez dos advogados de defesa, que dispõem do mesmo tempo. No caso de réplica e tréplica, acrescenta-se uma hora para cada parte. No total, portanto, pode durar cinco horas.

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