Júri de Adriana atrai estudantes de direito e até vizinhos dos Villela

O enfermeiro e estudante de direito Esli Paulino de Brito (foto em destaque) aproveita as férias para agregar conhecimento à futura carreira

Igo Estrela/MetrópolesIgo Estrela/Metrópoles

atualizado 26/09/2019 23:13

Estudantes, advogados e curiosos acompanham o julgamento histórico de Adriana Villela, acusada de ser a mandante do homicídio dos pais e da empregada da família, em 28 de agosto de 2009. O Tribunal do Júri de Brasília está reservado desde segunda-feira (23/09/2019) e a previsão é que os trabalhos se estendam, pelo menos, até sábado (28/09/2019).

A aposentada Ignacia Rocha da Fonseca, 77 anos, reside na 113 Sul, quadra na qual moravam e foram mortos o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villela e a advogada Maria Villela. A funcionária do casal, Francisca Nascimento Silva, também foi assassinada.

Ela contou que não conhecia as vítimas, mas se interessou pelo caso desde o início. Na época das investigações, acompanhava o trabalho dos jornalistas na região e chegava a andar com um bloquinho para se enturmar. “Eu gosto muito dos detalhes. Vi que a Martha saiu do elevador dizendo: ‘Graças a Deus hoje não tem ninguém’, contou. Ela refere-se a Martha Vargas, primeira delegada a presidir a apuração e afastada após utilizar ajuda de uma vidente para dizer ter desvendado o crime.

Ignacia esteve no Tribunal do Júri no primeiro dia do julgamento, na segunda-feira (23/09/2019), e foi novamente nessa quinta-feira (26/09/2019). “Primeiro, adoro crime. Acho esse muito interessante, até por que há uma pergunta que ninguém faz: é possível um latrocínio com 73 facadas?”, indagou.

O enfermeiro e estudante de direito Esli Paulino de Brito, 32, aproveita as férias para assistir, desde segunda, aos depoimentos das testemunhas de acusação e defesa. Até esta quinta-feira (26/09/2019), 15 pessoas foram ouvidas. Esli disse que decidiu acompanhar o julgamento principalmente para observar o trabalho da defesa, comandada por Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, considerado um dos maiores criminalistas do país.

“É um caso muito complexo, com muitas informações. Eu pretendo atuar na área criminal e, para mim, é interessante toda essa aula que estão dando aqui”, declarou.

A advogada Thaynara Faria, 24, ressalta as nuances do processo, marcado por escândalos. “Esse caso é emblemático porque há dúvidas sobre a culpabilidade”, avaliou. Para Thaynara, o resultado é incerto. “Está sendo tranquilo com poucos embates entre a defesa e acusação, acho que isso ocorre até pelo profissionalismo dos promotores. Está tendencioso para os dois lados.”

Julgamento histórico

O quarto dia de julgamento de Adriana foi marcado pelo depoimento de sete testemunhas de defesa da arquiteta, entre elas o ex-professor da ré, o sociólogo da Universidade de Brasília (UnB) Elimar Pinheiro do Nascimento. Ele disse que todas as menções da acusada aos pais sempre “foram muito afetivas”. Além disso, relatou que os colegas se referiam a ela de forma positiva.

Provocado pelo assistente de acusação Pedro Calmon sobre possível mando do triplo assassinato por conta da herança, calculada em cerca de R$ 40 milhões, a testemunha afastou a hipótese. “Com o assassinato dos pais, evidentemente ela seria uma das herdeiras. Daí, fazer ilações de que pode ter matado os pais é uma estupidez”, declarou Elimar.

“Guerra” de cartas

Antes, o promotor Marcelo Leite disse que “as provas estão excelentes para a condenação da acusada. Os depoimentos expõem muito bem o que ocorreu. O nosso balanço é o melhor possível”, afirmou.

Segundo ele, a carta lida pelo procurador Maurício Miranda aos jurados na quarta-feira (25/09/2019) “deixa muito clara a questão da briga que tinha entre a mãe e a filha por questões financeiras”. “É justamente o que a gente entende como o motivo do crime. Essa carta foi apreendida no escritório de Maria Villela [mãe de Adriana] durante as investigações pela 1ª DP [Asa Sul]. Ali fica muito claro que o motivo da discussão era financeiro”, acrescentou Borges.

Por outro lado, a defesa de Adriana apresentou oito troca de e-mails entre Maria Villela e a filha, Adriana. Nos textos, as duas se tratam de forma carinhosa e Maria Villela sempre se refere à arquiteta como Nana.

 

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