Gastroenterologista explica gastrite incurável de Bryan Johnson
Bryan Johnson tem gastrite autoimune. O bilionário é conhecido por seguir o protocolo para retardar, interromper e reverter o envelhecimento

Conhecido como “o homem que gasta uma fortuna para não envelhecer e, consequentemente, não morrer”, o magnata estadunidense do ramo da tecnologia Bryan Johnson descobriu um obstáculo que atrapalha os seus planos de viver para sempre: uma gastrite autoimune (AIG, sigla em inglês). O bilionário de 48 anos deu a má notícia em uma postagem no X.
“Más notícias n°1: tenha uma doença autoimune. Meu estômago está se destruindo. Más notícias n°2: de 2% a 5% das pessoas também têm isso. Provavelmente mais, porque é algo que se esconde”, disse Johnson. Na publicação, o biohacker destacou que tentará resolver a condição. “Contarei tudo”, acrescentou.
Com um patrimônio avaliado em US$ 400 milhões, o equivalente a R$2,06 bilhões, Johnson gasta R$ 2 milhões por ano com métodos para não envelhecer. O valor corresponde a R$ 10,3 milhões em cotação atual. Batizado de Blueprint, o protocolo seguido à risca por ele visa retardar, interromper e reverter o envelhecimento biológico.
A coluna Claudia Meireles conversou com a gastroenterologista Paula Novais para entender a condição de Bryan Johnson. Ela explica que a gastrite autoimune é uma doença em que o próprio sistema de defesa do organismo passa a atacar, por engano, uma parte do estômago. A médica salienta que o processo acontece de forma lenta e, na maioria das vezes, silenciosa.
“Em vez de combater vírus e bactérias, o sistema de defesa agride as células responsáveis pela produção do ácido gástrico e do fator intrínseco, uma proteína essencial para que o organismo consiga absorver a vitamina B12”, esclarece a especialista do Barralife Medical Center, do Rio de Janeiro (RJ).

Membro da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG), a gastroenterologista ressalta que, aos poucos, o estômago vai perdendo a capacidade de produzir ácido, o que tende a afetar a digestão e dificultar a absorção de nutrientes importantes, principalmente ferro e vitamina B12. “Por isso, alguns pacientes começam a apresentar anemia, cansaço persistente, falta de energia, entre outros sintomas”, defende.
Até então, a causa exata da condição é desconhecida. Paula aponta que é comum pacientes com gastrite autoimune também terem outras doenças, como alterações na tireoide, quadro tido por Johnson. “A gastrite autoimune é uma doença crônica e, até o momento, não tem cura”, atesta a especialista. Ela alega, no entanto, que o tratamento é bastante eficaz.
“O primeiro pilar do tratamento é identificar e corrigir as deficiências de vitaminas e minerais. As mais comuns são a deficiência de vitamina B12 e de ferro, que podem causar anemia, cansaço, fraqueza, falta de ar, alterações de memória e até sintomas neurológicos, como formigamentos nas mãos e nos pés. Dependendo da gravidade, a vitamina B12 pode precisar ser reposta por injeções, enquanto o ferro pode ser administrado por via oral ou intravenosa”, orienta a médica.

Relato de Bryan Johnson
Ao fazer uma viagem ao túnel do tempo, o bilionário recordou maus hábitos da infância, como comer cereal açucarado, tomar refrigerantes e “devorar” fast foods. Quando adulto, o combo se tornar pai jovem e construir o próprio negócio o fez deixar a saúde de lado, além de conviver com alto índice de estresse e ganhar 18 quilos.
Bryan Johnson entrou em uma depressão profunda e crônica. Diante de todo o quadro de estresse, ganho de peso e problemas psicológicos, o corpo dele passou a desenvolver um processo autoimune que afetou a tireoide e o revestimento do estômago, no caso, a gastrite autoimune. Ele descobriu a doença em maio deste ano.

“Meu próprio sistema imunológico estava atacando o meu estômago“, contou o magnata da tecnologia. Toda a investigação começou com o quadro de ferritina baixa sem um motivo aparente. Ele foi submetido a uma endoscopia que examinou o trato intestinal da garganta até o colón.
“Eu tenho gastrite autoimune. Meu estômago está se corroendo. Portanto, nunca foi um problema único. Eram três, interligados: a deficiência de ferro, a gastrite autoimune que a impulsiona e a doença autoimune da tireoide concomitante”, enfatizou. Ele compartilhou que se não tivesse cuidado da saúde nos últimos cinco anos, a situação estaria mais grave.

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