
Claudia MeirelesColunas

Gastroenterologista lista medicamentos populares que afetam o estômago
Mestra pela Unicamp, a gastroenterologista Maria Júlia Colossi menciona quais são os medicamentos populares que interferem no estômago
atualizado
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O Brasil é um país em que a população tem o costume de ingerir medicamentos sem prescrição médica, conforme verificou a pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), divulgada em 2024. Nove entre 10 brasileiros consomem formas farmacêuticas sem consulta ou orientação especializada. Entretanto, esse hábito oferece riscos à saúde e ao funcionamento de órgãos, como o estômago.
Membro titular da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) e da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed), a gastroenterologista Maria Júlia Colossi explica que o estômago é o local da recepção da medicação e da desintegração decorrente da ação de enzimas e da acidez do órgão. Na maioria dos casos, também ocorre o início da absorção da fórmula medicamentosa no estômago.
Mestra pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a médica destaca que, nesses processos, algumas medicações podem reagir com o revestimento gástrico e desencadear danos ao estômago. A especialista pontua a respeito dos anti-inflamatórios, principalmente os não esteroidais (AINEs). Ela define essa categoria de medicamentos como “os de maior risco”.
Com especialização em endoscopia digestiva e colonoscopia, a gastroenterologista menciona os medicamentos: “O grupo do ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida e outros — naproxeno, cetoprofeno, cetorolaco, meloxicam e tenoxicam”.
Segundo a médica, o estômago é um órgão que, para exercer o funcionamento adequado de quebra e absorção de nutrientes da alimentação, “vive sob um pH muito baixo”. “Nem mesmo seu próprio revestimento (mucosa) toleraria essa condição hostil”, garante Maria Júlia sobre os medicamentos afetarem a saúde do estômago.

“Como forma de proteção, temos diversos mecanismos, principalmente uma barreira de muco espesso e bicarbonato acima da mucosa. Os AINEs inibem a produção de prostaglandina — hormônio muito importante na manutenção da barreira protetora de muco gástrico. Isso deixa a mucosa gástrica exposta e propensa a sofrer efeitos deletérios do ambiente ácido, como erosões e úlceras”, esclarece a especialista.
A gastroenterologista detalha que esses “machucados” no interior do estômago podem gerar sintomas, desde dor, queimação e até sangramentos graves e “ameaçadores à vida”.
“Portanto, apesar de excelentes para reduzir dores e inflamações, os AINEs devem ser usados com muito cuidado e sempre sob supervisão de profissional”, argumenta a mestra pela Unicamp.

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