O vegetal esquecido: os benefícios e como consumir o maxixe
A nutricionista Juliana Andrade comenta sobre as inúmeras vantagens de consumir maxixe, um vegetal quase sempre deixado de lado

Quem cresceu no Norte ou Nordeste do Brasil sabe o que é o maxixe. Quem cresceu em outras regiões talvez nem reconheça o vegetal em uma feira. Essa é uma das injustiças da alimentação brasileira, porque o maxixe é nutritivo, barato, versátil e incrivelmente subestimado fora de onde é tradição.

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Ver todasO vegetal é da mesma família do pepino, da melancia e do chuchu. Tem casca verde com pequenos espinhos, polpa clara, sabor levemente amargo e refrescante e textura crocante quando cru.
O que tem dentro do maxixe
O maxixe não é um alimento denso em calorias, e isso é parte do que o torna interessante. Em 100 gramas, tem menos de 20 calorias, um teor de água altíssimo, boa quantidade de fibras e um perfil de micronutrientes que surpreende para um vegetal tão simples.
Vitamina C está presente em quantidade relevante, com papel no funcionamento do sistema imunológico e na absorção do ferro. E aqui existe uma combinação interessante: o maxixe tem ferro e vitamina C ao mesmo tempo, o que favorece a absorção do próprio ferro que ele fornece. Para quem tem tendência à anemia ou quer reforçar a ingestão de ferro por fontes vegetais, é uma dupla que funciona bem no mesmo alimento.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles Vida & EstiloO potássio presente no maxixe ajuda a regular a pressão arterial e a reduzir a retenção de líquidos, atuando como contrapeso natural do sódio no organismo. Tem também cálcio, magnésio, fósforo e vitaminas do complexo B, com destaque para o papel desses minerais na saúde óssea e no funcionamento muscular.
As fibras, tanto solúveis quanto insolúveis, contribuem para o trânsito intestinal regular, para o controle do açúcar no sangue e para a saciedade. Por ter índice glicêmico baixo e ser rico em fibras, o maxixe é um aliado especialmente interessante para quem tem ou quer prevenir diabetes tipo 2.
Como consumir
O maxixe é mais versátil do que parece, e parte do preconceito que existe em relação a ele vem do desconhecimento das formas de preparo.
Cru, tem textura crocante e sabor refrescante que funciona bem em saladas, como alternativa ao pepino, ou em sucos verdes. Antes de comer cru, basta raspar os espinhos da casca com uma faca ou esfregar com uma esponja. A casca pode ser mantida, pois concentra boa parte das fibras.
Refogado com alho e azeite é uma das formas mais simples e mais gostosas de preparo. Entra bem como acompanhamento de qualquer proteína e fica pronto em poucos minutos.
No feijão é onde o maxixe mais aparece na culinária nordestina e amazônica. Adicionado nos últimos minutos do cozimento, ele absorve o caldo, amolece levemente e fica com sabor adocicado que complementa muito bem o feijão. É uma combinação que já existe na tradição brasileira há séculos e que do ponto de vista nutricional também faz sentido: o ferro do feijão e do maxixe se soma, e a vitamina C do maxixe melhora a absorção de ambos.
Em sopas e caldos, entra cortado em pedaços e cozinha rapidamente. Também aparece em ensopados, escabeches e conservas em algumas regiões.
Por que ele sumiu da mesa de boa parte do Brasil
A resposta mais honesta é a urbanização e a industrialização da alimentação. O maxixe é um vegetal de horta, de feira, de roça. Não tem embalagem chamativa, não aparece em propagandas e não ganhou o apelo visual dos superfoods importados. Sobreviveu nas regiões onde a conexão com a agricultura local e com a culinária tradicional permaneceu mais forte.
O que é uma pena, porque o maxixe tem tudo o que as tendências de alimentação saudável buscam: pouquíssimas calorias, alta densidade nutricional, fibras, baixo índice glicêmico, produção nacional e preço acessível.
Vale a pena experimentar!













