Aproveitar ou descartar? Nutricionista ensina a evitar o desperdício
Nutricionista ensina como identificar os sinais visíveis e sensoriais nos alimentos para garantir a segurança da saúde e economizar

Em tempos de busca por alimentação saudável e redução do desperdício, muitas pessoas ficam em dúvida sobre quando um alimento ainda pode ser consumido e quando representa risco à saúde. Segundo a nutricionista Cibele Santos, embora alguns sinais indiquem apenas perda de qualidade, outros podem significar contaminação por microrganismos capazes de causar intoxicações alimentares.
A profissional destaca que a regra principal é observar a aparência, o cheiro, a textura e as condições de armazenamento, ponderando que nem todo alimento “feio” precisa ir para o lixo, mas que certos sinais exigem o descarte imediato.
Veja como avaliar os alimentos
Frutas
Segundo Cibele, elas podem ser aproveitadas em vitaminas, bolos, geleias, compotas ou assados se estiverem muito maduras (como a banana com casca preta), amolecidas com cheiro normal ou com pequenas manchas escuras superficiais. “Devem ser descartadas imediatamente se houver mofo, odor fermentado intenso, líquidos viscosos, espuma ou apodrecimento avançado.”
A especialista alerta que retirar apenas a parte mofada não basta em frutas macias, pois os fungos se espalham internamente de forma invisível.

Grãos e cereais
Itens como arroz, feijão, lentilha, grão-de-bico, aveia e quinoa estão próprios para o consumo se estiverem na validade, em recipientes secos e fechados, e sem alteração de cor ou cheiro. A especialista destaca que o descarte deve ser feito caso apresentem insetos, larvas, teias, cheiro de mofo/ranço, pontos escuros ou esbranquiçados. A umidade é apontada como uma das maiores causas de deterioração desses alimentos.

Vegetais e hortaliças
A folhas levemente murchas ou com pequenas áreas amareladas podem ser reidratadas em água gelada, enquanto vegetais que perderam um pouco da firmeza servem para sopas, refogados e cozidos. Contudo, a nutricionista reforça que devem ir para o lixo se apresentarem limo, cheiro desagradável, mofo visível ou se estiverem excessivamente viscosos ou escurecidos, já que a textura pegajosa costuma indicar proliferação bacteriana.

Laticínios
“Por serem altamente perecíveis e propensos a microrganismos patogênicos, a atenção deve ser redobrada”, pontua Cibele. Estão seguros se mantidos sob refrigeração adequada, na validade e sem alterações de cheiro, sabor ou textura. O descarte é obrigatório se a embalagem estiver estufada, se o leite tiver grumos inesperados, se o iogurte estiver com cheiro muito ácido ou se os queijos exibirem mofo fora do seu processo de fabricação.

“Precisamos diferenciar desperdício de segurança alimentar. Nem todo alimento com aspecto menos bonito precisa ser descartado, mas também não devemos correr riscos quando há sinais claros de deterioração. Aprender a identificar essas diferenças ajuda a economizar, reduzir o desperdício e proteger a saúde”, explica a nutricionista.
O que vale mais: validade ou aparência?
De acordo com a especialista, a data de validade é uma referência importante, mas não deve ser analisada de forma isolada. Um produto dentro do prazo pode estragar se for armazenado incorretamente, assim como alimentos próximos do vencimento podem continuar seguros caso mantidos nas condições adequadas.
O correto é combinar a observação dos sinais sensoriais — cheiro, textura, cor e aparência — com o respeito às orientações de armazenamento.

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