Vinagre é suficiente para desinfetar frutas? Médico explica riscos

Apesar da fama nas redes sociais, especialistas explicam que o vinagre, sozinho, não é capaz de remover agrotóxicos, vírus e bactérias

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Foto colorida de vinagre de maça - Nutri explica se consumo de vinagre de maçã ajuda na gordura no fígado - Metrópoles
1 de 1 Foto colorida de vinagre de maça - Nutri explica se consumo de vinagre de maçã ajuda na gordura no fígado - Metrópoles - Foto: Freepik

Muita gente ainda usa vinagre para fazer a higienização de frutas e verduras acreditando que o produto elimina bactérias, vírus e até agrotóxicos. O hábito, bastante difundido nas redes sociais, parece simples e barato, mas especialistas alertam que ele não é suficiente para garantir a segurança dos alimentos.

Embora o vinagre consiga reduzir parte dos microrganismos presentes na superfície dos alimentos, ele não substitui os métodos corretos de limpeza recomendados por órgãos de saúde.

Vinagre não remove agrotóxicos nem elimina todos os germes

A nutricionista Beatriz Fausto, de Brasília, explica que existe um mito em torno do uso do vinagre na higienização de frutas e verduras.

“O vinagre não elimina completamente bactérias, vírus e parasitas, tampouco remove os agrotóxicos pulverizados na plantação”, afirma.

Segundo a especialista, muitos defensivos agrícolas conseguem penetrar no alimento, o que impede que sejam retirados apenas com lavagem superficial. Ela explica que o procedimento correto começa com água corrente para remover sujeiras aparentes.

No caso de frutas com casca firme, a orientação é esfregar a parte externa com água e sabão. Depois disso, os alimentos devem ficar submersos em solução clorada própria para alimentos ou em água sanitária sem perfume e sem aditivos, na proporção indicada pelos especialistas.

A higienização inadequada pode favorecer intoxicações alimentares, além de doenças como salmonelose, giardíase e infecções por Escherichia coli.

Alimentos mal lavados podem transmitir doenças graves

“Frutas e verduras mal higienizadas podem transmitir diversas infecções bacterianas, virais e parasitárias”, alerta o infectologista Thiago Vitoriano, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo.

Entre os principais microrganismos envolvidos estão Salmonella, Shigella, Campylobacter, Escherichia coli patogênica e vírus como hepatite A e norovírus. Segundo o médico, a contaminação costuma ocorrer por água imprópria, irrigação contaminada ou manipulação inadequada dos alimentos.

Apesar de estudos mostrarem que o ácido acético presente no vinagre consegue reduzir parte da carga microbiana, Vitoriano reforça que o método não garante eliminação total dos patógenos.

O infectologista também destaca que grupos como crianças, idosos e gestantes possuem maior risco de desenvolver complicações graves após consumir alimentos contaminados, incluindo meningite, septicemia e infecções neurológicas.

Quais sintomas merecem atenção

Os sintomas mais comuns de intoxicação alimentar incluem diarreia, vômitos, náuseas, dor abdominal e febre. Em alguns casos, a infecção pode evoluir para quadros mais graves. Sangue nas fezes, febre alta, desidratação intensa e dores abdominais fortes são sinais de alerta que exigem avaliação médica.

Especialistas também chamam atenção para erros frequentes na higienização, como tempo insuficiente de lavagem, ausência de fricção e falta de limpeza em regiões de difícil acesso dos alimentos.

Mesmo parecendo inofensivo, confiar apenas no vinagre pode criar uma falsa sensação de segurança. A recomendação dos especialistas é seguir métodos adequados de higienização para reduzir os riscos de contaminação alimentar.

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