Menopausa e trabalho: 17 milhões de mulheres dizem não receber apoio
Dados do IBGE revelam impacto da menopausa na vida profissional e a falta de acolhimento nas empresas
atualizado
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Cerca de 17 milhões de mulheres brasileiras vivem a menopausa, fase também chamada de climatério, marcada pelo fim da menstruação e da fase reprodutiva. Segundo dados do IBGE, a maioria dessas mulheres está entre 45 e 55 anos. Apesar de ser um processo natural, o período ainda é pouco discutido no ambiente corporativo. O reflexo disso é direto: 80% das mulheres nessa faixa etária relatam não receber apoio adequado no trabalho.
A ginecologista Beatriz Tupinambá explica que os sintomas da menopausa podem comprometer significativamente o desempenho profissional e o bem-estar emocional. Entre os mais frequentes estão os fogachos, caracterizados por ondas de calor intensas e sudorese excessiva, além de insônia, cansaço extremo e persistente, alterações de humor, ansiedade e irritabilidade. Também são comuns dificuldades de concentração, foco e memória.
“Esses sintomas interferem na produtividade, na tomada de decisões e nas relações interpessoais. É um momento de maior fragilidade emocional nesse processo natural da mulher”, afirma.
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Para lidar com os impactos da menopausa, a médica destaca que o autoconhecimento é o primeiro passo. “Entender os sinais do próprio corpo ajuda a mulher a identificar o que está acontecendo e a buscar suporte adequado. A avaliação médica especializada é essencial para confirmar o diagnóstico e indicar o tratamento mais apropriado.”
Quando indicada de forma individualizada, a terapia de reposição hormonal pode trazer melhora significativa do sono, redução dos fogachos, aumento da disposição e maior estabilidade emocional, com efeitos positivos também no desempenho no trabalho.
Importância de estratégias não hormonais
Além das abordagens hormonais, Beatriz Tupinambá ressalta a importância de estratégias não hormonais. Ajustes no estilo de vida, como cuidado com o sono, alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e controle do estresse, são fundamentais. “Com acompanhamento correto e adequado, a mulher recupera sua performance profissional e, muitas vezes, consegue até melhorar seu rendimento”, destaca.
O ambiente corporativo tem papel decisivo nesse processo. Segundo a especialista, as empresas podem atuar de forma transformadora ao investir em conscientização e educação continuada sobre a menopausa, tanto para mulheres quanto para homens. Essas ações ajudam a reduzir estigmas e a normalizar o tema.

Medidas simples, como ambientes com temperatura mais confortável, acesso a programas de saúde com profissionais capacitados, além de palestras e orientações, contribuem para que a mulher se sinta acolhida. “Criar uma cultura em que a mulher possa falar sobre a menopausa sem julgamento faz toda a diferença”, ressalta.
Menopausa e a falta de apoio no trabalho
A falta de apoio no trabalho, alerta a médica, não afeta apenas a saúde das mulheres, mas também as próprias empresas. A ausência de acolhimento pode resultar em queda de produtividade, aumento do absenteísmo e perda de talentos experientes. “Valorizar essas mulheres é também uma estratégia para manter profissionais qualificadas e engajadas, especialmente as mulheres 50+”, afirma.

Por fim, Beatriz Tupinambá reforça que não se deve normalizar o sofrimento durante a menopausa. Sintomas que interferem na qualidade de vida, no desempenho profissional e no equilíbrio emocional precisam ser encarados como sinais de alerta. Insônias persistentes, exaustão extrema, piora do humor e queda de rendimento exigem avaliação médica. “A menopausa é uma fase natural, mas deve ser vivida de forma plena. Tudo o que causa prejuízo físico, emocional ou profissional precisa ser tratado”, conclui.










