De novo a mesma história? Entenda quando se preocupar com a repetição

Muitos relacionam a repetição de histórias a problemas cognitivos, porém nem sempre é o caso. Entenda quando a ação é realmente preocupante

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Magnific
Imagem colorida de homem branco - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida de homem branco - Metrópoles - Foto: Magnific

“Já perdi as contas de quantas vezes ouvi essa história” ou “o disco está arranhado”. Para quem é um “repetidor de contos profissional”, essas são frases comuns de escutar. Apesar de ser um possível sinal de problemas cognitivos ou psiquiátricos, contar o mesmo acontecimento várias vezes nem sempre é preocupante. 

Segundo especialistas entrevistados pelo Metrópoles, a repetição de histórias pode estar ligada a diferentes fatores, incluindo ansiedade, necessidade de reafirmação ou até características da personalidade. 

“Pessoas assim acabam repetindo os mesmos pensamentos e criando as mesmas narrativas. Às vezes, acontece até como uma forma de reforçar o próprio pensamento. Não significa, necessariamente, uma doença”, explica a neurologista Thais Augusta Martins, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.

Em alguns casos, o “disco arranhado” pode estar relacionado à atenção. O psicólogo social Gabriel Müller Leal explica que, quando estamos contando alguma história, a concentração para ter um bom desempenho na transmissão da mensagem aumenta.

“Esse foco consome recursos do lobo frontal, o que nos impede de registrar com eficiência o rosto ou a reação do ouvinte”, diz o especialista do Grupo Reinserir Psicologia, em São Paulo.

E quando a repetição deve virar motivo de preocupação?

Contar histórias muito antigas pode até ser normal. O problema começa quando a repetição ocorre muitas vezes ou quando acontece uma mudança de personalidade e o indivíduo que não tinha o hábito começa com o costume.

“A pessoa repetir o mesmo fato e não se lembrar, de maneira alguma, de já ter falado sobre aquilo anteriormente — seja algumas horas antes, no mesmo dia ou na mesma semana – preocupa. Isso porque, nas condições neurocognitivas, como a doença de Alzheimer, esse quadro é bastante comum”, alerta Thais.

Nesses casos, há falhas cerebrais no armazenamento das informações, fazendo com que o indivíduo conte a mesma história várias vezes — para ele, parece que o conto é inédito.

Segundo Leal, um outro sinal de preocupação está relacionado com o empobrecimento de repertório. “Pessoas saudáveis que repetem histórias geralmente contam causos antigos. O paciente com declínio cognitivo real repete a mesma história de um fato que aconteceu há dez minutos porque sua capacidade de reter novos estímulos está severamente comprometida”, diz o psicólogo.

Rotina acelerada pode ser confundida com doença neurológica

Por outro lado, em meio a rotinas aceleradas onde se fazem várias atividades ao mesmo tempo, as histórias repetidas são apenas um reflexo de um cérebro extremamente estimulado e, por vezes, cansado. 

“Muitas vezes, a pessoa realiza várias atividades sem prestar atenção adequada em cada uma delas. Isso pode gerar esquecimentos e a impressão de falha de memória, quando, na verdade, o problema está mais ligado à distração e ao excesso de multitarefas do cotidiano”, afirma a neurologista.

A fim de evitar conclusões precipitadas, as avaliações neuropsicológicas surgem como a melhor alternativa. A partir delas, é possível ter o diagnóstico correto e saber se o caso é passível de tratamento ou é apenas uma sobrecarga da rotina pesada.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações