Demência além do Alzheimer: conheça outras condições que causam doença
Demência vascular, corpos de Lewy e frontotemporal também afetam cognição, comportamento e autonomia de milhares de brasileiros
atualizado
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A palavra “demência” costuma ser associada automaticamente ao Alzheimer, mas especialistas alertam que a condição engloba diferentes doenças neurológicas que comprometem memória, comportamento, raciocínio e autonomia. Embora o Alzheimer seja o tipo mais comum, existem outras formas de demência que podem apresentar sintomas bastante distintos e até ser confundidas com doenças psiquiátricas ou problemas circulatórios.
Segundo a neurologista Stephanie Gomes de Almeida Machado, da Clínica Paciente, o termo demência é amplo e não se limita ao Alzheimer. “Ela é a causa mais comum, mas não é a única”, explica.
O neurologista Heitor Lima, da Clínica Singular, reforça que diferentes doenças neurológicas podem provocar perda de autonomia. “A doença de Alzheimer é a mais frequente causa de demência no mundo, mas existem ao menos dezenas de outras doenças que também causam demência”, afirma.
Demência vascular e corpos de Lewy estão entre as mais comuns
Depois do Alzheimer, as formas mais frequentes da doença são a demência vascular, a demência por corpos de Lewy e a demência frontotemporal. Cada uma delas possui características próprias e exige atenção específica no diagnóstico.
A demência vascular está diretamente relacionada a problemas circulatórios e fatores de risco como hipertensão, diabetes e histórico de AVC. Nesse quadro, o declínio cognitivo pode ocorrer de maneira repentina e em etapas, diferente da progressão mais lenta observada no Alzheimer.
Já a demência por corpos de Lewy costuma combinar alterações cognitivas e sintomas motores semelhantes aos da doença de Parkinson. Oscilações importantes de lucidez e alucinações visuais detalhadas estão entre os sinais mais característicos.
“Uma das características mais marcantes é a oscilação: o paciente pode alternar momentos de lucidez quase total com períodos de confusão severa no mesmo dia”, destaca Stephanie.
Mudanças de comportamento podem indicar outro tipo de demência
Enquanto o Alzheimer costuma começar com perda de memória episódica, dificuldade para aprender e reter informações recentes, outros tipos de demência podem afetar principalmente o comportamento.
Na demência frontotemporal, por exemplo, os primeiros sintomas frequentemente envolvem impulsividade, apatia, perda de empatia e mudanças bruscas de personalidade. Em alguns casos, o paciente chega primeiro ao consultório psiquiátrico antes de receber avaliação neurológica.
Lima explica que alguns sinais ajudam a diferenciar o Alzheimer de outras doenças. “Se no início do quadro existirem mais dificuldades de movimentação do corpo do que alterações cognitivas, se o quadro surgiu de uma só vez, se as alterações de comportamento são muito mais intensas que as cognitivas, isso aponta para maior chance de origem não Alzheimer”, afirma.
Os especialistas também alertam que nem toda perda de memória em idosos significa demência. Alterações relacionadas ao envelhecimento natural, deficiência de vitamina B12, depressão, hipotireoidismo e efeitos colaterais de medicamentos podem causar sintomas semelhantes.
Diagnóstico precoce melhora qualidade de vida
Identificar o tipo de demência precocemente pode fazer diferença significativa no controle da doença e na qualidade de vida do paciente e da família. Além de permitir tratamentos mais adequados, o diagnóstico precoce ajuda no planejamento financeiro, jurídico e nos cuidados futuros.
“Algumas medicações são mais eficazes se iniciadas cedo para retardar a progressão dos sintomas”, explica a neurologista.
Com o envelhecimento da população brasileira, especialistas alertam que reconhecer os diferentes tipos de demência se tornou uma necessidade de saúde pública. O diagnóstico correto e precoce ajuda não apenas no tratamento dos sintomas, mas também na preservação da autonomia e no suporte emocional às famílias.
Em muitos casos, identificar a doença logo no início permite retardar a progressão do quadro e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente.
