Estudo aponta ligação entre dopamina e a perda de memória no Alzheimer

Pesquisa identifica novo mecanismo ligado ao Alzheimer e aponta possível caminho terapêutico à base de dopamina

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1 de 1 Montagem com silhueta de crânio humano em fundo cor de rosa, com vários pontos brancos em volta - Metrópoles. - Foto: Freepik

A deficiência de dopamina em uma região importante do cérebro pode contribuir diretamente para a perda de memória na doença de Alzheimer, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (23/4) na revista Nature Neuroscience.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e investigou como alterações químicas cerebrais interferem no funcionamento dos circuitos responsáveis pelas lembranças.

Os autores observaram que a redução da dopamina no córtex entorrinal prejudicou a comunicação entre neurônios e comprometeu tarefas relacionadas à memória em modelos experimentais da doença. Quando a sinalização foi restaurada, houve melhora no desempenho cognitivo.

O que é a dopamina e por que ela importa

A dopamina é um neurotransmissor, substância usada pelas células nervosas para trocar informações. Ela costuma ser lembrada por participar de sensações de recompensa e motivação, mas também atua em atenção, aprendizado e formação de memórias.

No Alzheimer, a perda progressiva da memória é um dos sinais mais conhecidos. O novo estudo indica que parte do problema pode estar relacionada não apenas ao acúmulo de proteínas anormais no cérebro, mas também ao desequilíbrio de mensageiros químicos importantes.


Sintomas comuns do Alzheimer

  • Esquecimento frequente, principalmente de fatos recentes;
  • Repetição de perguntas ou histórias;
  • Dificuldade para encontrar palavras;
  • Desorientação em lugares conhecidos;
  • Confusão com datas e horários;
  • Mudanças de comportamento;
  • Dificuldade para realizar tarefas habituais.

A área do cérebro analisada

Os pesquisadores concentraram a investigação no córtex entorrinal, região que ajuda a conectar diferentes áreas cerebrais ao hipocampo, estrutura essencial para armazenar e recuperar memórias.

Alterações nessa área costumam surgir nas fases iniciais do Alzheimer, motivo pelo qual ela é considerada estratégica para entender o avanço da doença.

Ao analisar modelos laboratoriais, a equipe identificou queda relevante da atividade dopaminérgica no local. Com menor estímulo químico, neurônios ligados à memória passaram a responder de forma menos eficiente.

Na etapa seguinte, os cientistas aumentaram a sinalização de dopamina no córtex entorrinal por métodos experimentais. O resultado foi a melhora da atividade neural e do desempenho em testes de memória.

Para os autores, a descoberta sugere que circuitos cerebrais ainda podem responder positivamente quando a comunicação química é recuperada, principalmente em fases iniciais.

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Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas
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Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas

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Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
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Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista

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Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
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Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce

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Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
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Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano

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Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
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Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença

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Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
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Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns

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Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença
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Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença

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O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida
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O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida

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O que muda na prática

A pesquisa não significa que medicamentos usados para elevar dopamina já devam ser empregados rotineiramente contra o Alzheimer. Ainda serão necessários estudos clínicos em humanos para confirmar segurança, eficácia e quais pacientes poderiam se beneficiar.

Mesmo assim, o trabalho amplia a compreensão sobre a doença ao mostrar que o declínio cognitivo pode envolver mecanismos além das proteínas beta-amiloide e tau, frequentemente associadas ao Alzheimer.

O estudo reforça que preservar a memória pode depender também do equilíbrio entre os neurotransmissores cerebrais. Se os achados forem confirmados em pessoas, estratégias voltadas à dopamina poderão se tornar mais uma frente de tratamento para retardar sintomas e preservar a autonomia dos pacientes.

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