Estudo descobre pista de proteção natural do cérebro contra Alzheimer

Estudo identifica possível mecanismo ligado à resistência cognitiva mesmo diante de alterações típicas do Alzheimer

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Brinquedo do cérebro humano cortado ao meio. Metrópoles
1 de 1 Brinquedo do cérebro humano cortado ao meio. Metrópoles - Foto: Robina Weermeijer/Unplash

Nem toda pessoa com alterações cerebrais típicas do Alzheimer desenvolve perda de memória ou demência. É o que diz um novo estudo publicado em 4 de abril na revista científica Acta Neuropathologica Communications, que investigou justamente por que alguns cérebros conseguem manter funções cognitivas preservadas mesmo com sinais biológicos associados à doença. 

A pesquisa analisou dados humanos e também testou hipóteses em camundongos modificados geneticamente. Os autores afirmam que o trabalho ajuda a entender mecanismos de “resiliência cognitiva”, termo usado para descrever quando o cérebro tolera lesões ou alterações sem apresentar sintomas clínicos importantes.

Segundo o estudo, cerca de 20% a 30% das pessoas idosas podem apresentar acúmulo relevante de placas beta-amiloide e proteína tau — duas marcas clássicas do Alzheimer — e, ainda assim, permanecerem cognitivamente intactas.

Essa condição é chamada de Alzheimer assintomático. Em termos práticos, significa que o cérebro apresenta alterações vistas na doença, porém sem impacto evidente sobre memória, linguagem ou raciocínio. Os pesquisadores destacam que compreender por que isso acontece pode ser tão importante quanto estudar a progressão do Alzheimer sintomático.

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Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas
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Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas

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Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
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Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista

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Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
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Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce

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Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
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Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano

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Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
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Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença

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Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
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Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns

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Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença
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Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença

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O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida
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O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida

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A equipe utilizou ferramentas computacionais para analisar grandes bancos de dados de expressão gênica em tecidos cerebrais humanos. O objetivo era identificar padrões moleculares capazes de diferenciar envelhecimento normal, Alzheimer com sintomas e Alzheimer assintomático.  

Depois, os cientistas aplicaram o conhecimento obtido em modelos animais para testar se os mecanismos encontrados também poderiam ser observados em laboratório.

A proteína que chamou a atenção dos cientistas

Um dos principais achados envolve a Chromogranin A (CgA). Segundo os autores, a ausência da proteína em camundongos com tauopatia levou a um quadro incomum, no qual os animais mantiveram desempenho preservado em testes de memória e aprendizagem, apesar de apresentarem alterações moleculares e neuropatológicas compatíveis com Alzheimer.

Nas fêmeas, o efeito foi ainda mais marcante, com redução da agregação de tau e preservação de estruturas sinápticas, responsáveis pela comunicação entre neurônios.

O estudo não aponta cura imediata nem mudança no tratamento atual. Porém, sugere que alguns fatores biológicos podem proteger o cérebro mesmo diante de lesões associadas ao Alzheimer.

Se os resultados forem confirmados em novas pesquisas, a descoberta pode abrir caminho para medicamentos voltados não apenas a combater a doença, mas também a fortalecer mecanismos naturais de resistência cerebral. Por enquanto, entender por que alguns cérebros resistem pode ser uma das chaves para enfrentar o Alzheimer no futuro.

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