Cientistas observam dano do Alzheimer em tempo real pela primeira vez

Estudo revela como proteínas tóxicas se formam no cérebro e aponta caminhos para tratamentos mais precisos

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

PIXOLOGICSTUDIO/SCIENCE PHOTO LIBRARY/ Getty Images
Ilustração colorida de atividade cerebral, com cores azul e rosa predominantes - Metrópoles.
1 de 1 Ilustração colorida de atividade cerebral, com cores azul e rosa predominantes - Metrópoles. - Foto: PIXOLOGICSTUDIO/SCIENCE PHOTO LIBRARY/ Getty Images

Pesquisadores conseguiram observar, pela primeira vez, como os danos associados ao Alzheimer acontecem em tempo real. Para isso, eles monitoraram, segundo a segundo, o processo químico que leva à doença.

O estudo liderado por cientistas da Oregon State University foi publicado em 7 de fevereiro de 2026 na revista científica ACS Omega. A descoberta ajuda a entender com mais precisão como o Alzheimer se desenvolve — e pode abrir caminho para tratamentos mais eficazes no futuro.

Para a pesquisa, os cientistas usaram uma técnica avançada que acompanha, em laboratório, o comportamento de proteínas chamadas beta-amiloides, diretamente ligadas ao Alzheimer.

Essas proteínas podem se acumular no cérebro e formar aglomerados que prejudicam a comunicação entre as células nervosas — um dos principais mecanismos da doença.

A novidade está no fato de que, até então, os estudos conseguiam observar apenas o resultado final. Agora, foi possível ver o processo acontecendo em tempo real.

Segundo a pesquisadora Marilyn Rampersad Mackiewicz, o método permite entender “como e quando” as reações ocorrem — e não apenas se funcionam.

O papel dos metais no cérebro

O estudo também identificou a influência de metais, como o cobre, no processo. Conforme observaram os pesquisadores, os níveis desequilibrados de certos metais podem interagir com as proteínas beta-amiloides, favorecendo a formação dos aglomerados tóxicos.

Em outras palavras, o problema não está apenas nas proteínas, mas também no ambiente químico ao redor delas. Uma das descobertas importantes do estudo é que o processo pode ser interrompido.

Outro ponto relevante foi a observação de moléculas chamadas quelantes. Essas substâncias conseguem se ligar aos metais e, em alguns casos, impedir ou até reverter a formação dos aglomerados de proteínas.

Dessa forma, os cientistas identificaram que um tipo específico de quelante foi capaz de agir de forma mais precisa, especialmente sobre o cobre — considerado um dos principais envolvidos no processo.

Cientistas observam dano do Alzheimer em tempo real pela primeira vez - destaque galeria
8 imagens
Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas
1 de 8

Alzheimer é uma doença degenerativa causada pela morte de células cerebrais e que pode surgir décadas antes do aparecimento dos primeiros sintomas

PM Images/ Getty Images
Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista
2 de 8

Por ser uma doença que tende a se agravar com o passar dos anos, o diagnóstico precoce é fundamental para retardar o avanço. Portanto, ao apresentar quaisquer sintomas da doença é fundamental consultar um especialista

Andrew Brookes/ Getty Images
Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce
3 de 8

Apesar de os sintomas serem mais comuns em pessoas com idade superior a 70 anos, não é incomum se manifestarem em jovens por volta dos 30. Aliás, quando essa manifestação “prematura” acontece, a condição passa a ser denominada Alzheimer precoce

Westend61/ Getty Images
Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano
4 de 8

Na fase inicial, uma pessoa com Alzheimer tende a ter alteração na memória e passa a esquecer de coisas simples, tais como: onde guardou as chaves, o que comeu no café da manhã, o nome de alguém ou até a estação do ano

urbazon/ Getty Images
Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença
5 de 8

Desorientação, dificuldade para lembrar do endereço onde mora ou o caminho para casa, dificuldades para tomar simples decisões, como planejar o que vai fazer ou comer, por exemplo, também são sinais da manifestação da doença

OsakaWayne Studios/ Getty Images
Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns
6 de 8

Além disso, perda da vontade de praticar tarefas rotineiras, mudança no comportamento (tornando a pessoa mais nervosa ou agressiva), e repetições são alguns dos sintomas mais comuns

Kobus Louw/ Getty Images
Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença
7 de 8

Segundo pesquisa realizada pela fundação Alzheimer’s Drugs Discovery Foundation (ADDF), a presença de proteínas danificadas (Amilóide e Tau), doenças vasculares, neuroinflamação, falha de energia neural e genética (APOE) podem estar relacionadas com o surgimento da doença

Rossella De Berti/ Getty Images
O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida
8 de 8

O tratamento do Alzheimer é feito com uso de medicamentos para diminuir os sintomas da doença, além de ser necessário realizar fisioterapia e estimulação cognitiva. A doença não tem cura e o cuidado deve ser feito até o fim da vida

Towfiqu Barbhuiya / EyeEm/ Getty Images

A principal contribuição do estudo é oferecer uma visão mais detalhada de como o Alzheimer começa e evolui no nível molecular. Até hoje, muitos tratamentos falharam justamente por não compreender totalmente esse processo.

Com a possibilidade de observar as reações em tempo real, os pesquisadores acreditam que será possível desenvolver medicamentos mais direcionados, que atuem no momento certo e com maior precisão.

Apesar dos resultados promissores, os cientistas reforçam que os testes foram feitos em ambiente de laboratório. A próxima etapa será avaliar os achados em sistemas mais complexos, como células e modelos pré-clínicos.

Ainda assim, a descoberta representa um avanço importante para entender exatamente como o dano acontece e pode ser a chave para, no futuro, conseguir interromper ou até reduzir os efeitos do Alzheimer.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSaúde

Você quer ficar por dentro das notícias de saúde mais importantes e receber notificações em tempo real?