7 síndromes associadas ao Alzheimer que vão além da perda de memória
Alterações comportamentais e neurológicas podem surgir durante a evolução do Alzheimer e passam despercebidas por familiares e cuidadores
atualizado
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A perda de memória costuma ser o sinal mais conhecido do Alzheimer, mas a doença pode se manifestar de diversas outras formas. Alterações de comportamento, delírios, alucinações e mudanças na forma como o paciente percebe as pessoas ao redor também podem fazer parte do quadro.
No Brasil, cerca de 1,8 milhão de pessoas vivem com algum tipo de demência, e aproximadamente 60% desses casos estão relacionados ao Alzheimer. A condição atinge cerca de 8,5% da população com 60 anos ou mais e pode provocar mudanças profundas na rotina do paciente e da família.
Embora o declínio da memória seja um dos sintomas mais conhecidos, especialistas alertam que existem síndromes menos discutidas que também podem aparecer ao longo da evolução da doença.
Segundo a neurologista Thais Augusta Martins, do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, as manifestações fazem parte do quadro clínico das demências, mas nem sempre são reconhecidas pelos familiares no dia a dia.
“Essas síndromes são conhecidas na prática clínica, embora muitas vezes não sejam identificadas pelos seus nomes. Em geral, aparecem como delírios ou alucinações e podem ocorrer em diferentes doenças neurológicas e psiquiátricas, não apenas no Alzheimer”, explica.
As alterações podem surgir em diferentes momentos da doença e exigem atenção tanto da equipe de saúde quanto dos cuidadores.
Síndromes pouco conhecidas associadas ao Alzheimer
Especialistas apontam que algumas síndromes neurológicas e comportamentais podem estar relacionadas ao avanço do declínio cognitivo. Por isso, conhecer os sinais pode ajudar a identificar mudanças no comportamento e buscar orientação médica.
1 – Síndrome de Capgras. O paciente passa a acreditar que uma pessoa próxima, como o cônjuge ou um filho, foi substituída por um impostor idêntico. Embora reconheça o rosto, a sensação de familiaridade desaparece, o que pode gerar rejeição ou desconfiança em relação aos familiares.
2 – Síndrome de Fregoli. É considerada o oposto da síndrome de Capgras. Nesse caso, o paciente acredita que pessoas desconhecidas são, na verdade, alguém conhecido que está disfarçado.
3 – Síndrome de Charles Bonnet. Mais comum em pessoas que também apresentam perda visual, como catarata ou glaucoma. O cérebro passa a criar imagens, levando a alucinações visuais. Em muitos casos, o paciente consegue perceber que aquilo não é real.
4 – Síndrome de Klüver-Bucy. Pode surgir em fases mais avançadas da doença e está associada a alterações nos lobos temporais do cérebro. Entre os sinais estão mudanças comportamentais importantes, como docilidade excessiva, impulsividade ou comportamento sexual alterado.
5 – Síndrome do pôr-do-sol. A síndrome do pôr-do-sol se caracteriza por episódios de agitação e confusão mental no fim da tarde, geralmente entre 16h e 17h. O cansaço cerebral dificulta o processamento de estímulos nesse período do dia.
6 – Síndrome amnésica. O esquecimento faz parte do envelhecimento, mas no Alzheimer ocorre perda da funcionalidade da memória. O paciente pode esquecer para que servem objetos ou se perder em trajetos conhecidos.
7 – Delírio. O cérebro afetado pelo Alzheimer se torna mais vulnerável a episódios de confusão mental súbita, especialmente em situações como infecções, dor ou desidratação.
Diagnóstico e acompanhamento
De acordo com a neurologista, diferenciar essas manifestações de outros sintomas da doença exige uma avaliação cuidadosa.
“O conjunto de informações da história clínica, associado a exames cognitivos, exames de imagem e laboratoriais, permite fazer essa diferenciação e chegar a um diagnóstico mais preciso”, explica.
Segundo ela, as síndromes podem aparecer em diferentes fases do Alzheimer. Algumas manifestações, como a síndrome amnésica, costumam surgir nas fases iniciais da doença. Já outras alterações, como a síndrome de Klüver-Bucy, tendem a aparecer em estágios mais avançados.
Importância do cuidado
O diagnóstico de Alzheimer não afeta apenas o paciente. A doença também transforma profundamente a rotina da família e dos cuidadores.
O psiquiatra Maurício Okamura, coordenador de saúde mental da Rede Total Care, explica que o cuidado precisa envolver tanto o paciente quanto quem acompanha o dia a dia da doença.
Ele ressalta que compreender a origem biológica das mudanças comportamentais ajuda a evitar conflitos e a reduzir o sofrimento emocional.
“A ciência avança em direção a tratamentos cada vez mais personalizados, mas o pilar central permanece sendo o cuidado”, afirma.














