Pesquisa mostra desgaste mental em cuidadores de doentes crônicos
Estudo indica ansiedade, insônia e depressão entre cuidadores e aponta falta de apoio psicológico como um dos principais desafios

Cuidar de pessoas com doenças raras ou crônicas pode trazer consequências importantes para a saúde de quem assume essa função. Pesquisas recentes mostram que o adoecimento não afeta apenas o paciente, mas também familiares e cuidadores, que convivem com sobrecarga física e emocional e muitas vezes sem apoio especializado.
Um dos levantamentos mais recentes, o Retrato da AME no Brasil
Entre os cuidadores de pessoas com atrofia muscular espinhal (AME), os relatos mais comuns são ansiedade, dor nas costas, insônia e depressão. A rotina inclui vigilância constante, adaptação da casa, acompanhamento médico frequente e, muitas vezes, reorganização completa da vida profissional e pessoal.
“O cuidado de pessoas com AME recai de forma desproporcional sobre as mulheres e gera impacto profundo na saúde física e mental. A rotina intensa e a falta de apoio estruturado fazem com que o adoecimento de quem cuida seja frequente, embora ainda pouco reconhecido”, afirma Diovana Loriato, diretora-presidente do Instituto Nacional da AME.

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Ver todasOutro dado recorrente é que a maior parte dos cuidadores principais são mulheres. No caso da AME, elas representam mais de 90% desse grupo, e cerca de dois terços precisaram deixar o emprego ou reduzir a jornada para dar conta das demandas do cuidado.
Impactos também aparecem em outras doenças crônicas
A sobrecarga emocional não se limita às doenças raras. Dados sobre hemofilia, distúrbio que afeta a coagulação do sangue, indicam que a necessidade de monitoramento constante de sangramentos gera tensão contínua nas famílias. Entre pacientes adultos, são frequentes relatos de irritabilidade, dificuldades para dormir e isolamento social.
Mesmo com essa pressão emocional, a maior parte dos cuidadores não conta com acompanhamento psicológico.
Levantamento da Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia (ABRAPHEM) mostra que cerca de 71% deles não têm acesso a esse tipo de suporte. O mesmo percentual se repete entre crianças e adolescentes com a condição, que também ficam sem assistência emocional adequada.
“Entre os cuidadores de crianças com hemofilia, a maioria é formada por mães. Muitas deixam o trabalho ou reduzem a jornada e ainda convivem com ansiedade constante e sobrecarga emocional. É fundamental garantir apoio psicológico para quem sustenta essa rotina”, afirma Mariana Battazza, presidente da associação.
Saúde mental precisa entrar no cuidado integral
O desgaste emocional também aparece em outras doenças crônicas, como o câncer de mama. Pesquisas apontam que fatores econômicos, mudanças na imagem corporal e desafios na vida pessoal influenciam diretamente o bem-estar psicológico das pacientes.
Especialistas defendem que o cuidado em saúde precisa considerar não apenas o tratamento da doença, mas também o suporte emocional de pacientes e familiares.


