Psicólogo lista principais maneiras de cuidar da saúde mental em 2026

O Brasil enfrenta crise de saúde mental, liderando rankings mundiais de ansiedade e figurando entre os primeiros em depressão

atualizado

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Ilustração colorida de pessoa com confusão mental - Psicóloga explica por que lembramos da crítica e esquecemos o elogio - Metrópoles
1 de 1 Ilustração colorida de pessoa com confusão mental - Psicóloga explica por que lembramos da crítica e esquecemos o elogio - Metrópoles - Foto: Richard Drury/Getty Images

A saúde mental ocupa o topo das preocupações de saúde no Brasil. Segundo a pesquisa Health Service Report de 2025, feita pela empresa de pesquisas Ipsos, 52% dos brasileiros apontam o bem-estar emocional como sua principal prioridade. Esse índice é maior, inclusive, do que o de doenças como o câncer, que foi citada como preocupação por apenas 37% dos entrevistados.

Já no cenário global, 45% da população afirma ter a saúde mental como a maior preocupação. Mas, a pergunta central é: como traduzir essa preocupação em hábitos que realmente façam a diferença na saúde da mente? Para isso, o Metrópoles reuniu os principais cuidados que você pode incluir na vida em 2026. Confira:

1 – Comece cuidando do básico: sono, rotina e movimento

Cuidar da saúde mental começa sempre com hábitos muito simples, que não damos tanta importância. É importante que o sono esteja em dia, a alimentação seja feita em horários regulares e o corpo precisa estar em movimento.

Em contrapartida, sem uma rotina estabelecida, o organismo perde a capacidade de regular as emoções, a atenção e a memória e isso acaba com a sua saúde mental. Por isso, estabelecer horários para dormir e acordar, buscar luz natural logo cedo e incluir algum tipo de atividade física já traz ganhos importantes.

2 – Diminua o excesso de estímulos digitais

As redes sociais são programadas para que o usuário passe o maior tempo possível passando a tela, e esse mecanismo é feito por meio de vídeos rápidos e bem curtos que prendem a atenção. Nesse contexto, usar o celular o tempo todo contribui para a ansiedade, irritação e dificuldade de concentração.

Algumas estratégias para lidar com o excesso de estímulos é diminuir o tempo de tela, evitar o celular antes de dormir e criar momentos do dia sem notificações. Isso pode ajudar a recuperar a presença no que é real, diminuir a sobrecarga e ajudar na saúde mental.

3 – Mude a relação com o estresse e a ansiedade

Estresse e ansiedade não são sinais de fraqueza e nem problemas que devem ser eliminados a qualquer custo. Eles indicam que o corpo está reagindo a acontecimentos comuns da vida, e, muitas vezes, funcionam como uma defesa do corpo.

O melhor a ser feito nesses casos é não ignorar os sentimentos, mas sim reconhecer e validá-los. Técnicas de respiração e pausas conscientes podem ajudar a passar por períodos difíceis com mais clareza e menos desgaste.

“O primeiro passo para lidar bem é a validação: aceite que o estresse faz sentido diante da pressão atual. Depois, use estratégias de regulação fisiológica, como a respiração controlada ou o resfriamento facial — isso costuma ajudar a acalmar o sistema nervoso. A ansiedade perde força quando você para de lutar contra ela e foca no que é possível fazer agora, é como dar um passo de cada vez para a saúde mental”, explica a psicóloga Flávia Marsola, do Hospital Brasília Águas Claras.
Foto colorida de mulher estressada com o trabalho - Psicólogo lista principais maneiras de cuidar da saúde mental em 2026 - Metrópoles
Mude a ideia de que existem sentimentos “ruins” ou “vilões”. Validar é a melhor opção

4 – Observe sinais de que algo não vai bem

Alguns sinais no corpo mostram que a mente não está tão bem. Cansaço que não passa nem depois do descanso, dificuldade frequente para dormir, mudanças de humor que se mantém por semanas e perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas podem indicar algo mais sério.

Além disso, também é importante observar quando tarefas básicas, como trabalhar, estudar ou conviver com outras pessoas, começam a exigir um esforço excessivo. Esses sintomas não fazem parte da rotina normal e geralmente mostram necessidade de buscar ajuda de profissionais.

5 – Evite a automedicação e soluções improvisadas

Usar medicamentos por conta própria pode aliviar sintomas de forma momentânea, mas costuma atrapalhar o diagnóstico certo. Em muitos casos, o uso de medicamentos sem acompanhamento piora o sono, afeta a memória e pode levar à dependência.

O cuidado certo com a saúde mental depende da avaliação de um profissional, que define se o tratamento passa por mudanças de hábitos, acompanhamento psicológico ou uso de medicamentos, quando necessário.

“Medicamento não é sinônimo de tratamento, é uma ferramenta. Muitos quadros leves a moderados respondem muito bem com psicoterapia, mudanças de rotina, manejo do sono, atividade física e redução de estressores. Por outro lado, há situações em que o remédio não é opcional, é essencial — como depressões graves, transtornos bipolares, psicoses e alguns quadros de ansiedade intensa. O bom tratamento é sempre individualizado, e não receita de bolo para cuidar da saúde mental”, ensina o psiquiatra Gustavo Yamin Fernandes, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo.

6 – Procure ajuda antes que o sofrimento se intensifique

Buscar ajuda profissional não precisa ser uma decisão tomada de última hora, no desespero. A ideia é que quanto mais cedo o cuidado com a saúde mental começar, menos complexo costuma ser o tratamento. Boas opções são a psicoterapia e acompanhamento psiquiátrico, já que eles ajudam a desenvolver habilidades para lidar com as emoções, os limites e as escolhas.

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