Estudo encontra mecanismo que ajuda a frear o Alzheimer
Pesquisadores encontraram dois receptores do cérebro que ajudam a ativar enzima que limpa placas associadas ao Alzheimer
atualizado
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Pesquisadores do Instituo Karolinska, na Suécia, em parceria com o Riken Centro de Ciência do Cérebro, no Japão, identificaram dois “interruptores” no cérebro que podem ajudar a controlar o acúmulo de placas associadas ao Alzheimer.
A descoberta, publicada em novembro de 2025 no Journal of Alzheimer’s Disease, abre uma nova possibilidade de tratamento ao estimular um mecanismo natural de limpeza do próprio cérebro.
O estudo identificou dois receptores — chamados SST1 e SST4 — que funcionam como interruptores químicos. Eles regulam a produção de uma enzima chamada neprilisina, responsável por quebrar a amiloide-beta antes que ela se acumule.
Nos experimentos com camundongos geneticamente modificados com alterações semelhantes às do Alzheimer humano, a ausência desses receptores reduziu os níveis de neprilisina. Como consequência, houve mais placas e pior desempenho em testes de memória.
Por outro lado, quando os cientistas ativaram os receptores, a quantidade da enzima aumentou, as placas diminuíram e os animais apresentaram melhora na memória.
Hoje, muitos tratamentos contra Alzheimer tentam remover as placas já formadas. Alguns são caros e podem causar efeitos adversos. A diferença dessa nova abordagem é que ela tenta estimular o próprio cérebro a limpar a proteína beta-amiloide de forma natural, antes que o acúmulo se torne mais grave.
Além disso, os receptores SST1 e SST4 pertencem a uma família de proteínas que já é alvo de vários medicamentos usados em outras doenças. Isso pode facilitar o desenvolvimento de novos remédios no futuro.
Apesar do avanço, os cientistas destacam que os testes foram feitos em modelos experimentais. Ainda será necessário confirmar se o mesmo efeito ocorre em humanos. Mesmo assim, a descoberta ajuda a entender melhor por que o cérebro perde a capacidade de eliminar resíduos tóxicos com o envelhecimento — e pode abrir caminho para estratégias mais simples e acessíveis no tratamento do Alzheimer.














