Revisão questiona eficácia de remédios contra o Alzheimer. Entenda
Análise de mais de 20 mil pacientes indica benefício mínimo e aponta aumento de riscos como inchaço e sangramento cerebral
atualizado
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Medicamentos desenvolvidos para remover a proteína beta-amiloide do cérebro, um dos principais alvos no tratamento do Alzheimer, podem não trazer benefícios relevantes para os pacientes. É o que aponta uma revisão publicada na Cochrane Library em 16 de abril, que reuniu dados de 17 ensaios clínicos com mais de 20 mil pessoas.
Esses fármacos foram criados com base na ideia de que o acúmulo de beta-amiloide está ligado ao desenvolvimento da doença. A expectativa era de que, ao reduzir essas proteínas, seria possível retardar o avanço do quadro, especialmente em estágios iniciais, como o comprometimento cognitivo leve ou a demência leve.
No entanto, os resultados indicam que essa estratégia não tem impacto significativo na prática clínica. Segundo os pesquisadores, os efeitos observados sobre o declínio cognitivo e a progressão da demência foram inexistentes ou muito pequenos, abaixo do que é considerado relevante para a vida dos pacientes.
“Infelizmente, as evidências sugerem que esses medicamentos não fazem diferença significativa para os pacientes”, afirmou Francesco Nonino, neurologista e epidemiologista do Instituto de Ciências Neurológicas de Bolonha, na Itália, e principal autor do estudo, em comunicado.
Ele ressalta que resultados estatisticamente positivos nem sempre se traduzem em benefícios reais no dia a dia.
Riscos e limites do tratamento
Além da baixa eficácia, a análise também identificou um aumento no risco de efeitos adversos. Entre eles, estão inchaço e sangramento no cérebro, detectados principalmente por exames de imagem. Na maioria dos casos, esses efeitos não apresentaram sintomas imediatos, mas ainda há incertezas sobre possíveis consequências a longo prazo.
Os pesquisadores destacam que, embora os medicamentos consigam reduzir os níveis de beta-amiloide no cérebro, isso não se reflete em melhora clínica.
Diante dos resultados, os autores defendem que futuras pesquisas sigam outros caminhos. A recomendação é investir em abordagens que considerem diferentes mecanismos envolvidos no Alzheimer, na tentativa de encontrar tratamentos mais eficazes.
“Os medicamentos atuais oferecem algum benefício para alguns pacientes, mas não são suficientes. Precisamos explorar outras possibilidades para enfrentar essa doença”, afirma Edo Richard, professor de Neurologia do Centro Médico da Universidade Radboud.














