
Claudia MeirelesColunas

Não é esquecimento! Saiba quais os primeiros sintomas da demência
Diagnosticar a demência nos estágios iniciais melhora significativamente a qualidade de vida do paciente
atualizado
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Por acometer tipicamente idosos, a demência é comumente tratada como um quadro relacionado à “idade”. Entretanto, trata-se de uma síndrome, e não de uma fase normal do envelhecimento. Sem o diagnóstico precoce, há chances de danos significativos na qualidade de vida para o paciente e para a família — com quem fica boa parte do custo humano e financeiro.
De acordo com Júlia Godoy, enfermeira especialista em geriatria e gerontologia, o diagnóstico da demência costuma ser tardio, pois há uma dificuldade na família e entre alguns profissionais de saúde em diferenciar sintomas.
“Muitas pessoas encaram como ‘natural’ e acabam deixando de lado a atenção com alguns fatores na vida do idoso. Sintomas como mudanças comportamentais ou dificuldade de linguagem, por exemplo, são frequentemente confundidos com depressão, estresse ou envelhecimento natural”, destaca.

A falta de letramento pode ainda dificultar o reconhecimento dos sinais precoces da doença, garante a neuropsicóloga Vanessa Bulcão.
“Ainda existe uma ideia muito simplificada de que demência é sinônimo de ‘esquecer tudo’, e isso atrapalha bastante. Quando a doença começa com alteração de comportamento, alucinação visual, lentidão motora, instabilidade cognitiva ou dificuldade de linguagem, por exemplo, muitas famílias não associam isso a uma síndrome demencial”, analisa.
Quais são os sinais precoce de demência
Mudanças de personalidade, perda de empatia, dificuldade de encontrar palavras e desatenção são algumas das alterações no julgamento que podem ser subestimadas. Vanessa Bulcão destaca ainda sintomas como:
- Perda de iniciativa;
- Desinteresse por hobbies;
- Apatia;
- Alterações no sono;
- Lentificação do raciocínio.

Outro sinal subestimado é a dificuldade com habilidades visuais espaciais — relacionadas à capacidade de perceber espaço, distância, direção e localização.
“A pessoa pode começar a se perder em trajetos conhecidos, estacionar mal, ter dificuldade para dirigir, interpretar mal objetos no ambiente ou errar tarefas práticas que antes fazia bem. Em alguns tipos de demência, esse pode ser um sinal mais precoce do que esquecer nomes ou compromissos”, destaca Vanessa Bulcão.
Diagnóstico precoce de demência afeta qualidade de vida do idoso
Na literatura médica, o consenso é que a demência começa a se manifestar a partir dos 65 anos, mas alguns sinais precoces podem ser percebidos aos 50 anos.
“Sem diagnóstico correto, o paciente pode receber abordagens inadequadas, que não controlam os sintomas específicos de cada tipo de demência, o que, no longo prazo, pode afetar a autonomia do idoso”, alerta Júlia Godoy. “Quando não se sabe a causa específica, se perde a chance de tratar quadros não degenerativos, que podem ter algum grau de recuperação”, completa Vanessa Bulcão.

Para as profissionais, falar sobre essas condições de forma clara, acessível e sem estigmas é fundamental para que as pessoas possam reconhecer os sinais antes, procurar ajuda mais cedo e entender que nem toda demência começa com perda de memória.
“Quanto mais informação de qualidade circula, maior a chance de diagnóstico oportuno, cuidado individualizado e preservação da dignidade da pessoa ao longo do processo”, garante a neuropsicóloga Vanessa Bulcão.
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