Procurador-geral de SP denuncia Nunes por injúria contra promotor
Prefeito de São Paulo chamou o promotor Ricardo Manuel de Castro de “idiota”; Ricardo Nunes era alvo de ação de improbidade administrativa
atualizado
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O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, protocolou uma denúncia contra o prefeito Ricardo Nunes (MDB) por injúria. Na ação, o procurador cita o episódio em que Nunes chamou o promotor Ricardo Manuel de Castro de “idiota” durante uma coletiva de imprensa, realizada em março do ano passado.
A fala ocorreu depois que Castro entrou com uma ação de improbidade administrativa contra a prefeitura por suspeita de superfaturamento na compra de garrafas de água para os foliões do carnaval de 2024. De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), os itens foram adquiridos por R$ 5,52 cada, enquanto o preço médio de mercado variava entre R$ 0,65 e R$ 0,90 por unidade.
Em 2025, ao ser questionado por jornalistas sobre o tema, Nunes se referiu a Castro como “idiota” e disse que ele “fica perturbando as pessoas” para defender seu posicionamento político.
“Não é a instituição, são as pessoas, e, no caso específico, por exemplo, esse José Ricardo [o nome correto é Ricardo Manuel Castro], que é o idiota do Ministério Público, que o tempo inteiro fica perturbando as pessoas e criando situações para poder defender a sua questão ideológico-partidária, e não a defesa do intelectual”, declarou o prefeito à época.
Em dezembro, o chefe do Executivo foi condenado a pagar R$ 20 mil em danos morais ao promotor. Além da indenização, a decisão do juiz Márcio Luigi Teixeira Pinto, da 1ª Vara do Juizado Especial da Fazenda Pública, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), determinava a publicação de nota de retratação em um jornal de grande circulação em São Paulo.
A mesma nota ainda deveria ser publicada no site da prefeitura e mantida por 30 dias na página inicial, bem como ser replicada nas redes sociais em perfis do X, Instagram e Facebook.
O Metrópoles procurou a assessoria de imprensa do prefeito para se manifestar sobre a denúncia e aguarda retorno.
Relembre o caso das águas superfaturadas
- Em março de 2025, o MPSP entrou com uma ação de improbidade administrativa contra a Prefeitura devido a suspeitas de superfaturamento em um contrato milionário para o fornecimento de água no Carnaval de 2024.
- O promotor de Justiça e do Patrimônio Público Ricardo Manuel Castro pediu a nulidade do contrato e a condenação da administração municipal, da empresa fornecedora e de três servidores públicos envolvidos.
- O MPSP apontava para suspeitas de direcionamento contratual, superfaturamento e manipulação de planilhas, e pediu à Justiça a devolução de R$ 1,2 milhão estipulado como prejuízo aos cofres públicos.
- De acordo com a promotoria, as garrafas de água sem gás foram adquiridas da empresa AMBP Promoções e Eventos por R$ 5,52 cada, enquanto o preço médio de mercado variava entre R$ 0,65 e R$ 0,90 por unidade.