MPSP processa empresa de ração por mortes de cavalos e risco a humanos

Segundo ação do Ministério Público, foram confirmadas 238 mortes de cavalos em diferentes estados do Brasil

atualizado

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Égua que comeu ração contaminada - Metrópoles
1 de 1 Égua que comeu ração contaminada - Metrópoles - Foto: Material cedido ao Metrópoles

A Promotoria de Justiça do Consumidor do Ministério Público de São Paulo (MPSP) entrou com uma ação civil pública contra a empresa Nutratta Nutrição Animal, acusada de causar a morte de dezenas de cavalos, além do adoecimento de centenas de animais, em uma propriedade em Indaiatuba, no interior de São Paulo, e em estabelecimentos em outras cidades do país.

Segundo as apurações, a empresa usou resíduos de soja contaminados na fabricação de rações para equinos, bovinos, suínos e aves. Laudos laboratoriais e necropsias apontaram que as substâncias — alcaloides pirrolizidínicos — estavam presentes em concentrações até 2.600 vezes acima do limite considerado seguro para cavalos.

Os dados reunidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) também apontam 238 mortes confirmadas de equídeos, em vários estados brasileiros. Somente em um estabelecimento em Indaiatuba, foram 29 mortes e cerca de 120 animais adoecidos. No município de Atalaia, em Alagoas, outros 79 animais morreram após consumir ração da empresa. Também foram relatados óbitos e adoecimentos em propriedades de cidades como Campinas, Itu, Porto Feliz, Volta Redonda (RJ) e Jaboticatubas (MG).

Ainda de acordo com a ação do MPSP, a contaminação pode ter inclusive atingido a cadeia alimentar humana, uma vez que a mesma linha de produção era utilizada para fabricar ração bovina sem mecanismos eficazes de controle de contaminação cruzada. Conforme o processo, auditoras do MAPA alertaram para o risco de transmissão das substâncias tóxicas por leite, carne e fígado de animais alimentados com os produtos contaminados.

No processo, a promotora Patrícia Leitão pediu à Justiça (TJSP) que:

  • bloqueie os ativos dos réus.
  • proíba a retomada das atividades da empresa antes do cumprimento de exigências do MAPA.
  • faça o recall dos produtos contaminados.
  • indenize os consumidores prejudicados.
  • pague R$ 10 milhões por danos morais coletivos.

Empresa já havia sido denunciada por criadores

Conforme reportagem de 2025 do Metrópoles, ao menos 290 cavalos haviam morrido em cerca de dois meses no ano passado após consumo de rações da Nuttrata, no estado de São Paulo. À época, também havia cerca de 250 animais em tratamento intensivo.

A maioria dos casos foram registrados no interior do estado, assim como na região metropolitana. Os dados eram de um levantamento organizado pela advogada Maria Alessandra Agarussi, que representa criadores afetados.

“Os casos aumentam diariamente. Mortes são observadas em todo o país”, lamenta a advogada. Ela coordena o grupo “Vítimas da Nutratta”, que engloba centenas de depoimentos de perdas em haras e centros de treinamento. O grupo se organiza para tomar providências judiciais, mas todas as ações estão sendo ajuizadas em esfera individual.

Segundo a estimativa, no Brasil, haviam sido contabilizadas 650 mortes de cavalos depois de terem comido ração contaminada. Além de São Paulo, foram registrados casos de óbitos em decorrência da ingestão da ração em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Alagoas, Bahia, Goiás e no Rio Grande do Norte.

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Nove animais morreram no haras Dia de Sol, na zona rural de Guarulhos
Os cavalos têm mudanças de comportamento e podem apresentar agressividade súbita
A ração contaminada é fabricada pela empresa Nutratta Nutrição Animal Ltda.
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A ração contaminada é fabricada pela empresa Nutratta Nutrição Animal Ltda.

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Nove animais morreram no haras Dia de Sol, na zona rural de Guarulhos
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Nove animais morreram no haras Dia de Sol, na zona rural de Guarulhos

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Os cavalos têm mudanças de comportamento e podem apresentar agressividade súbita
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Os cavalos têm mudanças de comportamento e podem apresentar agressividade súbita

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Sintomas

Entre os sintomas observados nos bichos, estão desorientação, alterações de comportamento e mudanças na locomoção. “O primeiro é o apetite, eles perdem. Na sequência, eles começam a querer ficar prostrados, encostam a cabeça na parede, daqui a pouco eles começam a bater mesmo a cabeça na parede, morder”, detalha Marcos Barbosa, dono do haras Dia de Sol, na zona rural de Guarulhos, Região Metropolitana de São Paulo.

Barbosa já havia perdido nove cavalos desde maio. “Nem sei mais qual é o sentimento, fiquei até o último minuto com todos os nossos animais. Estou anestesiado até”, avaliou ele à época.

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