Deolane se cala em interrogatório após reclamar de não ter sido ouvida
Suspeita de envolvimento com o PCC, a influenciadora Deolane Bezerra está presa desde a última quinta-feira (21/5)
atualizado
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Cerca de 230 perguntas – esse é o número de questionamentos que seriam feitos à influenciadora Deolane Bezerra durante o interrogatório realizado pela Polícia Civil de São Paulo, na quarta-feira (27/5). Na presença de uma das irmãs, Daniele, ela afirmou que, por orientação de sua defesa, permaneceria em silêncio durante todo o processo.
Segundo apuração do Metrópoles, a falta de respostas da influenciadora, que teria sido orientação de seu advogado, causou descontentamento. Isso porque, anteriormente, a defesa de Deolane já havia feito reclamações sobre o fato de ela não ter sido ouvida ao longo da investigação – mas agora que teve a oportunidade de se explicar, não o fez.
Deolane foi presa na manhã da última quinta-feira (21/5), no âmbito da Operação Vérnix, que também mirou Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo do Primeiro Comando da Capital (PCC). Ela é acusada pela polícia de integrar a facção e lavar dinheiro para a alta cúpula do grupo criminoso.
A advogada foi presa na mansão onde mora, em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, e encaminhada ao Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP). Ainda na unidade, ela passou por audiência de custódia de maneira virtual. A prisão preventiva, decretada pela 3ª Vara do Foro de Presidente Venceslau, foi mantida.
Deolane entrou na mira da polícia após investigadores identificarem que a influenciadora recebeu transferências bancárias de uma transportadora criada pelo PCC para “branqueamento de valores”. Segundo a investigação, as transações não foram justificadas por prestação de serviços advocatícios, mas como “fechamento” das contas mensais da empresa.
Deolane, no entanto, alegou que estava no exercício da profissão. Na época, ela acompanhava o processo de Diogenes Gomes Barros, preso por roubo na Penitenciária de Irapuru, no interior paulista, e identificado pela investigação como integrante do PCC.
No relatório final da Polícia Civil, os investigadores destacam que Deolane visitou Diogenes até ele ser solto, em dezembro de 2024.
Também é apontado que a projeção pública de Deolane, por ser influenciadora, junto de suas empresas formais e da movimentação de seu patrimônio, teria sido usada para ocultar e dissimular a origem do dinheiro, dificultando a identificação da ligação com o PCC.
A Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões em bens e valores dos investigados, além do sequestro de 17 carros de luxo e quatro imóveis. Ao todo, seis prisões preventivas foram decretadas.
Entenda a cronologia da operação contra Deolane e o PCC
- A investigação iniciou em 2019, quando policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
- Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e a possíveis ataques contra agentes públicos.
- A Polícia Civil notou a menção a uma “mulher da transportadora”, que teria feito um levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques do PCC, e chegou a uma transportadora, o que deu início à segunda etapa da investigação.
- Batizada de Lado a Lado e deflagrada em 2021, a operação revelou a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC, além de movimentações financeiras incompatíveis e crescimento econômico sem lastro.
- Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular com indícios de repasses financeiros a Deolane, além de estreitos vínculos da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.
- Deolane, segundo os investigadores, passou a ocupar posição de destaque no caso, em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC.
- Os levantamentos apontaram recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição de bens de alto padrão, o que fundamentou o desdobramento desta quinta-feira.
Deolane já havia sido presa
Essa é a segunda vez que Deolane Bezerra é presa. A primeira aconteceu em setembro de 2024, durante uma operação que investigava lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais no Brasil. Na ocasião, a influenciadora foi levada para a Colônia Penal Feminina do Recife, em Pernambuco, onde também ficou detida sua mãe, Solange Bezerra.
Após conseguir autorização da Justiça para cumprir prisão domiciliar, Deolane deixou o presídio cercada por fãs e imprensa. Ainda na porta da unidade prisional, no entanto, ela descumpriu medidas cautelares impostas pela Justiça ao falar publicamente com jornalistas e apoiadores. A atitude foi considerada uma violação das determinações judiciais, já que ela estava proibida de se manifestar sobre o caso e de utilizar redes sociais ou meios de comunicação.
Por conta do descumprimento, a decisão foi revista poucas horas depois, e Deolane voltou a ser presa. Ela retornou à Colônia Penal Feminina do Recife, onde permaneceu detida até receber um novo habeas corpus. Ao todo, a influenciadora passou cerca de 20 dias presa entre o regime fechado e a prisão domiciliar monitorada.
Na época, o caso gerou grande repercussão nas redes sociais e mobilizou fãs da influenciadora na porta do presídio, pedindo pela soltura dela e de sua mãe.











