Justiça encontra e bloqueia apenas R$ 6 milhões nas contas de Deolane

No documento que embasou a operação contra Deolane e o PCC, a Justiça já havia determinado o bloqueio de R$ 27 milhões nas contas dela

atualizado

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Deolane Bezerra - Metrópoles
1 de 1 Deolane Bezerra - Metrópoles - Foto: Instagram/Reprodução

A Justiça encontrou e bloqueou R$ 6 milhões nas contas da influenciadora Deolane Bezerra, presa por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). A operação que prendeu a advogada havia conseguido o bloqueio de até R$ 27 milhões nas contas dela.

A informação foi confirmada pelo Metrópoles nesta segunda-feira (25/5). Deolane Bezerra está presa desde quinta-feira (22/5). O valor bloqueado é apenas uma parte da fortuna da influenciadora. Os carros apreendidos dela, por exemplo, estão avaliados em mais de R$ 3 milhões.

Em entrevista de 2022, a influenciadora alegou que ostenta pouco em comparação a outras pessoas que atuam no mesmo ramo. Para os investigadores, no entanto, Deolane exibia um padrão de vida incompatível com sua renda.

“E eu trabalhei muito, me formei com 22 anos, tenho meu escritório montado desde 2017. Comprei meu apartamento muito jovem. Tudo que eu ganhava com a advocacia, eu usava para viajar, comprar coisas de grifes, porque aquelas contas que você tem que pagar para sobreviver, eu já não precisava. Então eu trabalhava para caramba, fazia três, quatro flagrantes no dia, processos, audiências quase todo dia. Mas as pessoas não vêem você trabalhando, só vêem você no shopping. E a minha vida vem de muito trabalho, desde muito nova. Eu trabalho desde os meus 12 anos de idade“, disse a influenciadora na entrevista ao Uol.

Em um relatório policial obtido pela reportagem, Deolane é classificada como integrante do PCC e peça importante no esquema de lavagem com uma transportadora de fachada. Segundo o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, uma das principais autoridades no combate à facção, ela abriu 35 empresas no mesmo endereço para ocultar patrimônio e dificultar o rastreio das autoridades.

O endereço em questão é uma casa, em Martinópolis, no interior de São Paulo. Ela também abriu mais duas empresas por meio de um contador em um endereço de Santa Anastácia, e outras companhias em endereços fictícios, como em Ribeirão Preto.

Operação contra Deolane e o PCC

Autoridades de São Paulo deflagraram, no dia 21/5, a Operação Vérnix, contra um esquema de lavagem de dinheiro do PCC. A ação é desdobramento de uma investigação iniciada após trocas de bilhetes dentro de uma penitenciária. Segundo documento obtido pelo Metrópoles, as mensagens foram localizadas na caixa de esgoto de uma cela na Penitenciária II “Maurício Henrique Guimarães Pereira”, em Presidente Venceslau (SP).

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Bilhetes do PCC foram encontrados em esgoto de presídio
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Os bilhetes foram descobertos em 2019, após dois detentos darem descarga nos papéis durante uma vistoria na cela. Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, ao tráfico de drogas dentro da penitenciária, à atuação de lideranças do crime organizado e a planos de atentados contra agentes públicos, incluindo um ex-diretor do presídio.

Um dos manuscritos sugeria uma cobrança do chefe do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, sobre a execução do plano de ataque. O bilhete indicava que “aquela mulher da transportadora” havia fornecido o endereço atualizado de um dos alvos do atentado.

Em busca da “mulher da transportadora”, a Polícia Civil identificou uma empresa de transportes sediada em endereço ao lado do presídio e deflagrou, em 2021, a Operação Lado a Lado. Durante a operação, as autoridades apreenderam um celular e analisaram mais trocas de mensagens de pessoas ligadas à facção. O conteúdo também revelou indícios de repasses financeiros a Deolane Bezerra e apontou estreitos vínculos pessoais e comerciais da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.


Entenda o envolvimento de Deolane Bezerra

  • Segundo a investigação, Deolane desempenhava um papel fundamental, ao fornecer uma camada de aparente legalidade para os recursos ilícitos do PCC.
  • A projeção pública da influenciadora, além de suas atividades empresariais formais e da movimentação de seu patrimônio, era utilizada para ocultar e dissimular a origem criminosa do dinheiro, dificultando a identificação do vínculo com a facção.
  • Deolane, segundo os investigadores, tinha vínculos pessoais e negociais estreitos com um dos “gestores fantasmas” de uma transportadora em Presidente Venceslau. A empresa já havia sido identificada como braço financeiro do PCC em uma operação anterior.
  • Os investigadores ainda apontam que a influenciadora apresentou movimentações financeiras expressivas e um fluxo vultoso de dinheiro que não tinha lastro econômico compatível com suas atividades.
  • A estrutura envolvia o recebimento de valores de origem não esclarecida por meio de empresas, além da aquisição ou vinculação a bens de alto padrão, como imóveis e veículos de luxo.

A quebra de sigilos revelou um alto fluxo de dinheiro sem lastro compatível, além de movimentações bancárias atípicas, contas utilizadas para passagem de valores e operações com empresas sem capacidade financeira aparente.

As investigações prosseguiram e resultaram na Operação Vérnix. Após pedido da Polícia Civil com apoio do Ministério Público paulista, a Justiça determinou o bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões, além do sequestro de 17 veículos – incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões – e quatro imóveis ligados aos investigados. Seis prisões preventivas foram decretadas.

Presa em Barueri, Deolane Bezerra foi transferida para a Penitenciária Feminina da cidade de Tupi Paulista. Em nota, a defesa da influenciadora reiterou que ela é inocente e os fatos serão devidamente esclarecidos em momento oportuno. “Por hora e como o devido acatamento, consideramos desproporcionais as medidas firmadas em face de Deolane, e esta banca de defesa seguirá cooperando tecnicamente com a Justiça para demonstrar a licitude de suas atividades na condição de advogada que é, confiando plenamente no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário.”

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