Deolane explica origem de fortuna: “Trabalho desde os 12 anos”

Influenciadora foi presa em operação contra lavagem de dinheiro do PCC. Justiça determinou bloqueio de R$ 27 milhões das contas de Deolane

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Imagem colorida mostra Deolane Bezerra, presa em investigação contra o PCC. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra Deolane Bezerra, presa em investigação contra o PCC. Metrópoles - Foto: Leonardo Amaro/Metrópoles e Reprodução

Conhecida por ostentar um patrimônio milionário com carros de luxo, mansões e viagens para o exterior, a influenciadora Deolane Bezerra afirmou que sua fortuna vem do trabalho como advogada. Nessa quinta-feira (22/5), ela foi presa na região metropolitana de São Paulo por suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Deolane Bezerra foi presa durante operação contra esquema de lavagem de dinheiro do PCC
Deolane Bezerra foi presa durante operação contra esquema de lavagem de dinheiro do PCC
A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21/5), em Alphaville, na Grande São Paulo, durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Batizada de Operação Vérnix, a ação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.
Deolane Bezerra posa em Roma antes de ser presa
Deolane Bezerra foi presa durante operação contra esquema de lavagem de dinheiro do PCC
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A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21/5), em Alphaville, na Grande São Paulo, durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
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A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa na manhã desta quinta-feira (21/5), em Alphaville, na Grande São Paulo, durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Reprodução/Globo News
Batizada de Operação Vérnix, a ação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.
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Batizada de Operação Vérnix, a ação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.

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Deolane Bezerra posa em Roma antes de ser presa
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Deolane Bezerra posa em Roma antes de ser presa

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As investigações apontam para um esquema sofisticado de ocultação de patrimônio, que utilizaria empresas e terceiros para movimentar recursos atribuídos à facção criminosa. Segundo os investigadores, uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, interior paulista, teria sido usada para lavar dinheiro da família de Marcola.
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As investigações apontam para um esquema sofisticado de ocultação de patrimônio, que utilizaria empresas e terceiros para movimentar recursos atribuídos à facção criminosa. Segundo os investigadores, uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, interior paulista, teria sido usada para lavar dinheiro da família de Marcola.

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Marcola, líder máximo do PCC
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Marcola, líder máximo do PCC

Arte/Metrópoles

Em entrevista de 2022, a influenciadora alegou que ostenta pouco comparada a outras pessoas que atuam no mesmo ramo. Para os investigadores, no entanto, Deolane exibia um padrão de vida incompatível com sua renda. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões da conta da influenciadora, além do sequestro de bens como carros avaliados em R$ 3 milhões.

“E eu trabalhei muito, me formei com 22 anos, tenho meu escritório montado desde 2017. Comprei meu apartamento muito jovem. Tudo que eu ganhava com a advocacia, eu usava para viajar, comprar coisas de grifes, porque aquelas contas que você tem que pagar para sobreviver, eu já não precisava. Então eu trabalhava para caramba, fazia três, quatro flagrantes no dia, processos, audiências quase todo dia. Mas as pessoas não vêem você trabalhando, só vêem você no shopping. E a minha vida vem de muito trabalho, desde muito nova. Eu trabalho desde os meus 12 anos de idade“, disse a influenciadora na entrevista ao Uol.

Em um relatório policial obtido pelo Metrópoles, a Deolane é classificada como integrante do PCC e peça importante no esquema de lavagem com uma transportadora de fachada. Segundo o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, uma das principais autoridades no combate à facção, ela abriu 35 empresas no mesmo endereço para ocultar patrimônio e dificultar o rastreio das autoridades.

O endereço em questão é uma casa, em Martinópolis, no interior de São Paulo. Ela também abriu mais duas empresas por meio de um contador em um endereço de Santa Anastácia, e outras companhias em endereços fictícios, como em Ribeirão Preto.

Além de Deolane, a operação também cumpriu mandados contra Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC, e familiares dele.

Operação começou com bilhete em presídio

Autoridades de São Paulo deflagraram, nessa quinta-feira (21/5), a Operação Vérnix, contra um esquema de lavagem de dinheiro do PCC. A ação é desdobramento de uma investigação iniciada após trocas de bilhetes dentro de uma penitenciária. Segundo documento obtido pelo Metrópoles, as mensagens foram localizadas na caixa de esgoto de uma cela na Penitenciária II “Maurício Henrique Guimarães Pereira”, em Presidente Venceslau.

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Bilhetes do PCC foram encontrados em esgoto de presídio
Bilhetes do PCC foram encontrados em esgoto de presídio
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Os bilhetes foram descobertos em 2019, após dois detentos darem descarga nos papéis durante uma vistoria na cela. Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, ao tráfico de drogas dentro da penitenciária, à atuação de lideranças do crime organizado e a planos de atentados contra agentes públicos, incluindo um ex-diretor do presídio.

Um dos manuscritos sugeria uma cobrança de Marcola sobre a execução do plano de ataque. O bilhete indicava que “aquela mulher da transportadora” havia fornecido o endereço atualizado de um dos alvos do atentado.

Em busca da “mulher da transportadora”, a Polícia Civil identificou uma empresa de transportes sediada em endereço ao lado do presídio e deflagrou, em 2021, a Operação Lado a Lado. Durante a operação, as autoridades apreenderam um celular e analisaram mais trocas de mensagens de pessoas ligadas à facção. O conteúdo também revelou indícios de repasses financeiros a Deolane Bezerra e apontou estreitos vínculos pessoais e comerciais da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.


Entenda o envolvimento de Deolane Bezerra

  • Segundo a investigação, Deolane desempenhava um papel fundamental ao fornecer uma camada de aparente legalidade para os recursos ilícitos do PCC.
  • A projeção pública da influenciadora, além de suas atividades empresariais formais e da movimentação de seu patrimônio, era utilizada para ocultar e dissimular a origem criminosa do dinheiro, dificultando a identificação do vínculo com a facção.
  • Deolane, segundo os investigadores, tinha vínculos pessoais e negociais estreitos com um dos “gestores fantasmas” de uma transportadora em Presidente Venceslau. A empresa já havia sido identificada como braço financeiro do PCC em uma operação anterior.
  • Os investigadores ainda apontam que a influenciadora apresentou movimentações financeiras expressivas e um fluxo vultoso de dinheiro que não tinha lastro econômico compatível com suas atividades.
  • A estrutura envolvia o recebimento de valores de origem não esclarecida por meio de empresas, além da aquisição ou vinculação a bens de alto padrão, como imóveis e veículos de luxo.

A quebra de sigilos revelou um alto fluxo de dinheiro sem lastro compatível, além de movimentações bancárias atípicas, contas utilizadas para passagem de valores e operações com empresas sem capacidade financeira aparente.

As investigações prosseguiram e resultaram na Operação Vérnix. Após pedido da Polícia Civil com apoio do Ministério Público paulista, a Justiça determinou o bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões, além do sequestro de 17 veículos – incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões – e quatro imóveis ligados aos investigados. Seis prisões preventivas foram decretadas.

Com a operação, as autoridades buscam interromper o fluxo financeiro ilícito, preservar ativos de possível origem criminosa e atingir a estrutura econômica do PCC.

Veja íntegra de posicionamento da defesa de Deolane

“A defesa técnica da advogada Dra. Deolane Bezerra Santos vem, com o máximo respeito às instituições do Sistema de Justiça e ao Estado Democrático de Direito, prestar os devidos esclarecimentos sobre os acontecimentos que resultaram em sua prisão preventiva.

Inicialmente ressaltamos a sua mais absoluta inocência, bem como, que os fatos serão devidamente esclarecidos por esta, em momento oportuno.

Por hora e como o devido acatamento, consideramos desproporcionais as medidas firmadas em face de Deolane e esta banca de defesa seguirá cooperando tecnicamente com a Justiça para demonstrar a licitude de suas atividades na condição de advogada que é, confiando plenamente no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário.”

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