Cadillac e Mercedes apreendidas de Deolane valem mais de R$ 3 milhões. Veja vídeo
Influenciadora Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira (21/5) em operação contra esquema de lavagem de dinheiro com envolvimento do PCC
Compartilhar notícia

A Polícia Civil apreendeu pelo menos dois carros de luxo na mansão da influenciadora Deolane Bezerra, nesta quinta-feira (21/5), em Alphaville, na Grande São Paulo. A advogada foi presa nesta manhã durante uma operação que investiga um esquema milionário de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Os veículos, somados, superam o valor de R$ 3 milhões.
Um dos carros é uma Mercedes AMG G63 4M, modelo 2025, avaliada em R$ 2.020.262 (dois milhões, vinte mil e duzentos e sessenta e dois reais). O veículo, de modelo híbrido, é importado da Alemanha e roda com eletricidade e gasolina.
O outro carro é a Cadillac Escalade, de 2025, que pode ser importada ao Brasil pelo valor variável de R$ 1.559.000 (um milhão e quinhentos e cinquenta e nove mil reais) a R$ 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil reais). Os veículos foram apreendidos e levados até a sede da Polícia Civil, na Rua Brigadeiro Tobias, no centro da capital paulista.
Deolane foi levada ao DHPP
Deolane chegou ao Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), no centro de São Paulo, na manhã desta quinta-feira (21/5), após ser presa durante a operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil. Segundo os investigadores, a advogada passou a ser alvo da apuração após análises financeiras identificarem movimentações consideradas incompatíveis e depósitos suspeitos em contas vinculadas a ela entre 2018 e 2021.
De acordo com o MPSP, a influenciadora teria recebido dezenas de transferências fracionadas, prática frequentemente usada para dificultar o rastreamento da origem do dinheiro. Os investigadores apontam que mais de 50 depósitos foram realizados em contas ligadas a Deolane, totalizando cerca de R$ 700 mil.
Entenda o envolvimento de Deolane Bezerra
- Segundo a investigação, Deolane desempenhava um papel fundamental ao fornecer uma camada de aparente legalidade para os recursos ilícitos do PCC.
- A projeção pública da influenciadora, além de suas atividades empresariais formais e da movimentação de seu patrimônio, era utilizada para ocultar e dissimular a origem criminosa do dinheiro, dificultando a identificação do vínculo com a facção.
- Deolane, segundo os investigadores, tinha vínculos pessoais e negociais estreitos com um dos “gestores fantasmas” de uma transportadora em Presidente Venceslau. A empresa já havia sido identificada como braço financeiro do PCC em uma operação anterior.
- Os investigadores ainda apontam que a influenciadora apresentou movimentações financeiras expressivas e um fluxo vultoso de dinheiro que não tinha lastro econômico compatível com suas atividades.
- A estrutura envolvia o recebimento de valores de origem não esclarecida por meio de empresas, além da aquisição ou vinculação a bens de alto padrão, como imóveis e veículos de luxo.
Parte dos valores teria sido enviada por um homem da Bahia que recebe salário mínimo e é suspeito de atuar como “laranja” no esquema investigado. A suspeita é de que contas de terceiros eram utilizadas para ocultar a verdadeira origem dos recursos.
As investigações também apontam que os valores recebidos não teriam sido declarados oficialmente. Por determinação da Justiça, cerca de R$ 27 milhões vinculados à influenciadora foram bloqueados.
Operação começou com troca de bilhetes
A Operação Vérnix, da Polícia Civil com o Ministério Público de São Paulo, é fruto de uma investigação que começou em 2019. Na ocasião, policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e a possíveis ataques contra agentes públicos.
Após a descoberta, a polícia descobriu um trecho que citava uma “mulher da transportadora”, que teria feito um levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques da facção.
A investigação levou a uma transportadora em Presidente Venceslau, interior de São Paulo, posteriormente reconhecida judicialmente como instrumento utilizado pelo crime organizado para lavagem de dinheiro, e deu origem à segunda fase da operação, batizada de Lado a Lado. Essa etapa revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC.
Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular e analisaram mais trocas de mensagens de pessoas ligadas à facção. O conteúdo também revelou indícios de repasses financeiros a Deolane Bezerra e apontou estreitos vínculos pessoais e comerciais da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.
Na terceira fase da investigação, com a operação deflagrada nesta quinta-feira (21/5), as autoridades buscam descortinar um esquema mais amplo de lavagem de capitais, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras. Foram decretadas seis prisões preventivas, bloqueios de valores superiores a R$ 327 milhões, além da apreensão de 17 veículos, incluindo modelos de luxo.
Entenda a cronologia da operação contra Deolane e o PCC
- A investigação iniciou em 2019, quando policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
- Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e possíveis ataques contra agentes públicos.
- A Polícia Civil notou a menção a uma “mulher da transportadora”, que teria feito um levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques do PCC, e chegou a uma transportadora, o que deu início à segunda etapa da investigação.
- Batizada de Lado a Lado e deflagrada em 2021, a operação revelou a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC, além de movimentações financeiras incompatíveis e crescimento econômico sem lastro.
- Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular com indícios de repasses financeiros à Deolane, além de estreitos vínculos da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.
- Deolane, segundo os investigadores, passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC.
- Os levantamentos apontaram recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição de bens de alto padrão, o que fundamentou o desdobramento desta quinta-feira.



















