
Mirelle PinheiroColunas

Deolane tem R$ 27 milhões bloqueados por suspeita de conluio com o PCC
A advogada e influenciadora foi alvo de operação policial nesta quinta-feira (21/5), em São Paulo (SP)
atualizado
Compartilhar notícia

Além de ser alvo de mandado de prisão cumprido em operação deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo na manhã desta quinta-feira (21/5), a advogada e influenciadora Deolane Bezerra (foto em destaque) teve R$ 27 milhões bloqueados em contas bancárias vinculadas ao seu nome por determinação da Justiça.
Deolane foi presa em Alphaville, na Grande São Paulo, durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
As investigações apontam para uma rede coordenada de ocultação de patrimônio, que utilizaria empresas e terceiros para movimentar recursos atribuídos à facção criminosa paulista.
Além da advogada, estão entre os alvos Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo da facção, o irmão dele, Alejandro Camacho, e dois sobrinhos: Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. Batizada de Operação Vérnix, a ação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão.
Bloqueio milionário
Após pedido da Polícia Civil com apoio do Ministério Público, a Justiça determinou o bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões, além do sequestro de 17 veículos — incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões — e quatro imóveis ligados aos investigados. Dos valores, R$ 27 milhões estariam em contas ligadas a Deolane.
As medidas, segundo as autoridades, buscam interromper o fluxo financeiro ilícito, preservar ativos de possível origem criminosa e atingir a estrutura econômica do PCC.
Troca de bilhetes revelou esquema
Conforme noticiou o Metrópoles, a Operação Vérnix foi desencadeada a partir de uma investigação que começou em 2019. À época, policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
Os recados revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e possíveis ataques contra agentes públicos.
A investigação levou a uma transportadora em Presidente Venceslau, posteriormente reconhecida judicialmente como instrumento utilizado pelo crime organizado para lavagem de dinheiro.
A descoberta deu origem à segunda fase da operação, batizada de Lado a Lado. Essa etapa revelou movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro econômico suficiente e a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC.
Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular e analisaram trocas de mensagens de pessoas ligadas à facção. O conteúdo revelou indícios de repasses financeiros à Deolane Bezerra e apontou vínculos pessoais e comerciais da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.











