PCC: veja cronologia de operação que mirou Marcola e Deolane
Operação que prendeu a influenciadora Deolane Bezerra nesta quinta-feira (21/5) em SP é desdobramento de investigação iniciada em 2019
atualizado
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Deflagrada em São Paulo nesta quinta-feira (21/5), a operação que prendeu a influenciadora digital Deolane Bezerra é desdobramento de uma investigação iniciada há sete anos. Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC) e atualmente preso na Penitenciária Federal de Brasília, também é alvo das autoridades.
Batizada de Operação Vérnix, a ação da Polícia Civil com o Ministério Público de São Paulo (MPSP) mira um esquema de lavagem de dinheiro da facção criminosa.
Entenda a cronologia da operação contra Deolane e o PCC
- A investigação iniciou em 2019, quando policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
- Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e possíveis ataques contra agentes públicos.
- A Polícia Civil notou a menção a uma “mulher da transportadora”, que teria feito um levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques do PCC, e chegou a uma transportadora, o que deu início à segunda etapa da investigação.
- Batizada de Lado a Lado e deflagrada em 2021, a operação revelou a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC, além de movimentações financeiras incompatíveis e crescimento econômico sem lastro.
- Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular com indícios de repasses financeiros à Deolane, além de estreitos vínculos da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.
- Deolane, segundo os investigadores, passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC.
- Os levantamentos apontaram recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição de bens de alto padrão, o que fundamentou o desdobramento desta quinta-feira.
Além de Deolane e do chefe do PCC, que já cumpre pena em um presídio federal, a operação mirou Alejandro Camacho, irmão de Marcola; Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinhos do criminoso; e Everton de Souza, que atuaria como operador financeiro do grupo.
Envolvimento de Deolane com o PCC
Segundo a investigação, Deolane desempenhava um papel fundamental ao fornecer uma camada de aparente legalidade para os recursos ilícitos do PCC. A projeção pública da influenciadora, além de suas atividades empresariais formais e da movimentação de seu patrimônio, era utilizada para ocultar e dissimular a origem criminosa do dinheiro, dificultando a identificação do vínculo com a facção.
Deolane, conforme os investigadores, possuía vínculos pessoais e negociais estreitos com um dos “gestores fantasmas” de uma transportadora em Presidente Venceslau, que já havia sido identificada como braço financeiro do PCC na operação anterior.
As autoridades ainda destacaram que Deolane passou a ocupar posição de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC.
Após pedido da Polícia Civil com apoio do Ministério Público paulista, a Justiça determinou o bloqueio de valores superiores a R$ 327 milhões, além do sequestro de 17 veículos — incluindo modelos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões — e quatro imóveis ligados aos investigados. Seis prisões preventivas foram decretadas.
As medidas, segundo as autoridades, buscam interromper o fluxo financeiro ilícito, preservar ativos de possível origem criminosa e atingir a estrutura econômica do PCC.













