Conta de luz de operador do PCC está no nome do padrasto de Deolane
Informação aparece em relatório final da investigação que levou à prisão da influenciadora; ela é suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC
atualizado
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A conta de energia elétrica de um imóvel ligado a Everton de Souza, identificado pela Polícia Civil como intermediário e operador financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), está no nome de Danilo Ferreira de Brito, padrasto de Deolane Bezerra. A informação consta no relatório final da investigação que levou à prisão da influenciadora e de outros suspeitos de lavagem de dinheiro para o crime organizado.
A investigação esteve no apartamento localizado no Jardim Anália Franco, na zona leste da capital paulista. De acordo com o relatório, os investigadores constataram que uma foto tirada da varanda do imóvel teria as mesmas características de um registro feito por Deolane em uma sacada e publicado em seu perfil do Instagram, em 2019.
Everton de Souza atuava como gestor indireto da Lopes Lemos Transportadora, empresa de fachada criada a pedido de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e do irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior — da qual recebeu R$ 28,7 mil em transferências bancárias. Ele orientava o sócio-administrador da companhia a realizar depósitos em contas de Deolane. Tais pagamentos faziam parte do acerto mensal ou “balancete” da facção, e não tinham origem justificada, segundo a polícia.
No celular do sócio-administrador, em uma operação de 2021, a polícia encontrou comprovantes de transferências bancárias diretamente para a influenciadora. Os valores, enviados entre agosto e outubro de 2020, totalizam R$ 24,5 mil. A defesa de Deolane afirma que o montante foi pago pela prestação de serviços advocatícios.
Nas contas dela, os investigadores identificaram, ainda, a entrada de mais de R$ 1 milhão, em depósitos em espécie, entre 2018 e 2021, sem origem identificada. A defesa atesta que o valor também se refere ao trabalho como advogada.
Deolane também aparece como representante legal de Everton em registros policiais e como testemunha em ocorrências nas quais ele figura como vítima. A relação dos dois se mostrou ainda mais sólida com a declaração de Everton em interrogatório de que alugava um apartamento da advogada na zona leste de São Paulo por R$ 5 mil mensais.
“Nota-se, portanto, que o vínculo entre Deolane e Everton transcende qualquer relação meramente profissional ou, até mesmo de proximidade pessoal, consistindo em uma parceria voltada às práticas delitivas ora desnudadas, as quais são praticadas a mando e no seio da facção”, diz um trecho do relatório.
No endereço ligado a Everton no Jd. Anália Franco, a investigação encontrou uma caixa de MDF com as inscrições “Dra. Deolane” na tampa. Dentro dela, havia R$ 7,8 mil em espécie. Também foi apreendida no local uma máquina de contar dinheiro.
O Metrópoles tentou contato com a defesa da influenciadora para esclarecimentos e segue no aguardo de uma resposta.
Entenda a cronologia da operação contra Deolane e o PCC
- A investigação iniciou em 2019, quando policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
- Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e a possíveis ataques contra agentes públicos.
- A Polícia Civil notou a menção a uma “mulher da transportadora”, que teria feito um levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques do PCC, e chegou a uma transportadora, o que deu início à segunda etapa da investigação.
- Batizada de Lado a Lado e deflagrada em 2021, a operação revelou a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC, além de movimentações financeiras incompatíveis e crescimento econômico sem lastro.
- Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular com indícios de repasses financeiros a Deolane, além de estreitos vínculos da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.
- Deolane, segundo os investigadores, passou a ocupar posição de destaque no caso, em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC.
- Os levantamentos apontaram recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição de bens de alto padrão, o que baseou a prisão.

















