Deolane: fotos mostram proximidade com família de Marcola, diz polícia
Relatório final da Polícia Civil reúne registros de Deolane Bezerra ao lado de membros da família Camacho nas redes sociais

O relatório final da investigação que tem Deolane Bezerra como um dos alvos afirma que fotos publicadas nas redes sociais evidenciariam a relação pessoal da influenciadora com membros da família Camacho, especialmente com a cunhada e o irmão de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola.
O documento reúne diferentes registros de Deolane ao lado de Francisca Alves da Silva, companheira de Alejandro Juvenal Herbas Camacho, “circunstância que afasta a hipótese de contato meramente eventual ou fortuito e revela convivência reiterada em ambientes privados e sociais”, escreveram os investigadores.
A empresária também apareceu em fotos com Bárbara Alves Mota e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Neto, enteada e filho de Alejandro Camacho, respectivamente. De acordo com a Polícia Civil de São Paulo, as publicações reforçariam uma proximidade não apenas com uma pessoa isolada, mas também com diferentes integrantes do mesmo núcleo familiar.
A reiteração dos registros, segundo a polícia, revelaria um ambiente de convivência e confiança entre Deolane e a família Camacho.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“Tal circunstância, quando examinada em conjunto com os demais elementos colhidos durante esta investigação, mostra-se relevante para a compreensão da rede de relacionamentos da investigada e para a contextualização dos indícios apurados quanto à possível atuação articulada em estruturas de ocultação, dissimulação patrimonial e lavagem de capitais”, conclui o documento.
Deolane Bezerra está presa desde o dia 21 de maio, quando foi deflagrada a Operação Vérnix. Ela é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Relação entre Deolane e operador do PCC
A polícia chegou a Deolane por meio de Everton de Souza, conhecido pelos codinomes “Player” ou “Temer”. Ele é identificado nas investigações como um intermediador e operador financeiro da alta cúpula do PCC, que atuaria na gestão de bens e na destinação de fluxos financeiros para a cúpula da facção, especificamente para Marcola e Alejandro.
O elo entre Everton e Deolane Bezerra Santos é central na investigação, e foi imprescindível para comprovar a participação da advogada na engrenagem de lavagem de dinheiro da facção, segundo a polícia.
Everton atuava como gestor indireto da Lopes Lemos Transportadora, empresa de fachada criada a pedido de Marcola e Alejando, da qual recebeu R$ 28,7 mil em transferências bancárias. Ele orientava o sócio-administrador da companhia a realizar depósitos em contas de Deolane. Tais pagamentos faziam parte do acerto mensal ou “balancete” da facção, e não tinham origem justificada, apontou a investigação.
No celular do sócio-administrador, em uma operação de 2021, a polícia encontrou comprovantes de transferências bancárias diretamente para Deolane. Os valores, enviados entre agosto e outubro de 2020, totalizam R$ 24,5 mil. A defesa da influenciadora afirma que o montante foi pago pela prestação de serviços advocatícios.

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Ver todasNas contas dela, os investigadores identificaram, ainda, a entrada de mais de R$ 1 milhão, em depósitos em espécie, entre 2018 e 2021, sem origem identificada. A defesa atesta que o valor também se refere ao trabalho como advogada.
Deolane também aparece como representante legal de Everton em registros policiais e como testemunha em ocorrências nas quais ele figura como vítima. A relação dos dois se mostrou ainda mais sólida com a declaração de Everton em interrogatório de que alugava um apartamento da advogada no bairro Tatuapé, na zona leste de São Paulo, por R$ 5 mil mensais.
Segundo a polícia, depoimentos de ex-integrantes da facção e registros em redes sociais sugerem uma amizade íntima entre os dois, com a presença de Everton em eventos familiares da advogada.
Entenda a cronologia da operação contra Deolane e o PCC
- A investigação iniciou em 2019, quando policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau.
- Os manuscritos revelaram elementos relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime organizado e a possíveis ataques contra agentes públicos.
- A Polícia Civil notou a menção a uma “mulher da transportadora”, que teria feito um levantamento de endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques do PCC, e chegou a uma transportadora, o que deu início à segunda etapa da investigação.
- Batizada de Lado a Lado e deflagrada em 2021, a operação revelou a utilização da transportadora como braço financeiro do PCC, além de movimentações financeiras incompatíveis e crescimento econômico sem lastro.
- Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam um celular com indícios de repasses financeiros a Deolane, além de estreitos vínculos da influenciadora com um dos gestores fantasmas da transportadora.
- Deolane, segundo os investigadores, passou a ocupar posição de destaque no caso, em razão de movimentações financeiras expressivas, incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC.
- Os levantamentos apontaram recebimentos de origem não esclarecida, circulação de valores milionários e aquisição de bens de alto padrão, o que fundamentou o desdobramento desta quinta-feira.






























