Caso Thawanna: PM que atirou e matou mulher é suspensa pela Justiça
A policial militar Yasmin Cursino Ferreira matou Thawanna Salmazio durante abordagem em Cidade Tiradentes, na zona leste, no dia 3 de abril
atualizado
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A policial militar Yasmin Cursino Ferreira, que matou Thawanna da Silva Salmazio, de 31 anos, ao atirar contra ela durante uma abordagem ocorrida em 3 de abril, na zona leste de São Paulo, foi suspensa da função pública por decisão judicial dessa quarta-feira (22/4). Com isso, a agente de segurança não poderá portar arma de fogo, manter contato com testemunhas e parentes da vítima nem deixar a comarca sem autorização judicial prévia. Yasmin deverá ainda manter-se recolhida em seu domicílio das 22h às 5h. As medidas atendem a pedido da polícia, com a concordância do Ministério Público de São Paulo (MPSP).
Para o magistrado Antônio Carlos Ponte de Souza, existem provas de materialidade e suficientes indícios de autoria da conduta criminosa, justificando o deferimento das medidas.
A autoridade policial esclareceu que “os elementos informativos até então produzidos revela quadro que extrapola, de forma inequívoca, os limites do uso legítimo da força por agente estatal, evidenciando, em juízo de cognição sumária, conduta marcada por impulsividade, descontrole emocional e absoluta desproporcionalidade”.
Estágio supervisionado
Yasmin havia sido aprovada no concurso da Polícia Militar em novembro de 2024 e tomou posse em janeiro de 2025.
De acordo com a PM, o curso de formação tem duração de dois anos e é dividido em etapas que incluem formação básica, formação específica em unidades operacionais e estágio supervisionado, fase em que o aluno já atua em atividades práticas em diferentes regiões do estado.
Yasmin se encontrava justamente nesse estágio supervisionado quando matou Thawanna. Segundo a corporação, ela não utilizava câmera corporal durante a ação em que efetuou o disparo contra Thawanna.
A morte de Thawanna
O caso aconteceu no último dia 3 de abril, Thawanna e o marido, Luciano Gonçalves dos Santos, caminhavam pela rua Edimundo Audran, em Cidade Tiradentes, na zona leste, quando uma viatura policial passou em alta velocidade e o retrovisor esbarrou no braço de Luciano. Thawanna se envolveu em uma discussão com a Policial Militar (PM) Yasmin Ferreira, que disparou contra ela. Yasmin não usava bodycam no momento da ocorrência.
A câmera corporal de outro PM envolvido na abordagem registrou a dinâmica da ocorrência que acabou na morte de Thawanna. Após a ocorrência, a Polícia Civil instaurou um inquérito para investigar o companheiro dela, por oferecer resistência, enquanto que a policial que atirou contra Thawanna constava como vítima.
Possível omissão de socorro
De acordo com o laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML), Thawanna morreu de hemorragia interna aguda. A Ouvidoria da Polícia Militar (PM) recomendou à Corregedoria que uma possível omissão e atraso em socorro sejam investigadas.
Thawanna chegou a ser socorrida no Hospital Tiradentes, mas não resistiu aos ferimentos. Ela aguardou cerca de 30 minutos pelo resgate depois do disparo feito pela agente Yasmin Ferreira Cursino, da Polícia Militar. O Corpo de Bombeiros informou apurar a demora no atendimento.
A vítima estava na rua Edimundo Audran, quando foi atingida. Segundo ferramentas de GPS, o local fica apenas a 3,8 km de distância do hospital em que ela foi socorrida. O tempo de deslocamento até a unidade varia entre oito e 12 minutos, considerando o horário em que o disparo foi efetuado (3h da manhã).
Início da briga
Uma câmera de segurança registrou o diálogo entre Thawanna Salmázio e policiais militares antes de a mulher ser morta com um tiro da soldado Yasmin Cursino.
No início do vídeo, é possível ver o casal de mãos dadas, na Rua Edimundo Audran, às 2h58. Eles caminham até um ponto fora do alcance das câmeras. Logo em seguida, uma viatura da Polícia Militar passa. Mesmo fora da imagem, parte de uma discussão é registrada em áudio (assista acima).
Em um dos trechos audíveis, Thawanna diz: “com todo respeito, mas você [PM] que bateu em nós, que eu vi”. Uma voz feminina, que seria da policial, responde. A partir daí, a discussão escala para gritos. “Vai agredir? Vai agredir?”, diz Luciano. Segundos depois, ouve-se um disparo.
A policial foi afastada da corporação, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP). Yasmin Cursino Ferreira, soldado de 2ª classe de 21 anos, é alvo de um inquérito policial militar e um de um inquérito conduzido pela Polícia Civil.
“As circunstâncias são apuradas com prioridade absoluta pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das corregedorias. As imagens das câmeras corporais e os laudos periciais já integram a investigação”, disse a SSP em nota.
Mulher caída
Uma testemunha registrou a sequência do momento em que Thawanna foi baleada pela policial militar. Nas imagens, é possível ver a mulher caída no meio da rua, com um sangramento na região do peitoral.
Os policiais checam a situação e um deles presta os primeiros socorros. Um dos moradores afirma que viu a ação dos PMs e chama a agente que fez o disparo de “despreparada” (assista acima).
Protesto após morte de Thawanna
- Moradores fizeram um protesto, no último dia 3 de abril, na Rua Alexandre Davidenko após a morte de Thawanna.
- Eles montaram uma barricada e atearam fogo em objetos.
- O Corpo de Bombeiros foi acionado e equipes do Choque foram encaminhadas para o local.
- Houve confronto entre os policiais e os manifestantes e uso de bombas de gás lacrimogêneo.
- Também ocorreu uma tentativa de atear fogo em um ônibus.
- Ninguém foi preso ou ficou ferido.
- Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que as imagens das câmeras corporais usadas pelos agentes serão analisadas.
- Os policiais foram colocados em funções administrativas até o fim da investigação.
- O caso foi registrado no 49º Distrito Policial (São Mateus) como resistência.
























