Antes de morrer com tiro de PM, mulher reclamou que viatura bateu nela. Veja vídeo
Câmera registrou discussão entre Thawanna Samázio e policiais militares antes de a mulher ser morta com um tiro da PM Yasmin Cursino
atualizado
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Uma câmera de segurança registrou o diálogo entre Thawanna Samázio e policiais militares antes da mulher ser morta com um tiro da soldado Yasmin Cursino, na última sexta-feira (3/4), em Cidade Tiradentes, na zona leste de São Paulo. Ela caminhava pela rua com o marido, Luciano Gonçalves, quando uma viatura se aproximou.
No início do vídeo, é possível ver o casal de mãos dadas, na Rua Edimundo Audran, às 2h58. Eles caminham até um ponto fora do alcance das câmeras. Logo em seguida, uma viatura da Polícia Militar passa. Mesmo fora da imagem, parte de uma discussão é registrada em áudio (assista acima).
Em um dos trechos audíveis, Thawanna diz: “com todo respeito, mas você [PM] que bateu em nós, que eu vi”. Uma voz feminina, que seria da policial, responde. A partir daí, a discussão escala para gritos. “Vai agredir? Vai agredir?”, diz Luciano. Segundos depois, ouve-se um disparo.
Depoimentos
Em depoimento, a soldado Yasmin disse que o casal estaria discutindo quando a viatura passou pelo local. Segundo ela, Luciano teria “esbarrado o braço” no veículo e então começado a gritar. Yasmin afirma que os dois tinham sinais de embriaguez e que o homem precisou ser contido pela equipe, porque estaria “gesticulando de forma agressiva”. A PM diz que, enquanto isso, Thawanna teria começado a apontar o dedo na direção do seu rosto e a agredi-la.
A versão é diferente da descrição de Luciano sobre o ocorrido. Ele afirma não ter havido qualquer tipo de abordagem e que a PM desceu da viatura atirando. O companheiro de Thawanna afirmou que a viatura passou em alta velocidade pela rua, quase atingindo o casal. A mulher teria se assustado e “proferido palavras de insatisfação”, conforme consta no registro da ocorrência.
Nesse momento, disse Luciano, a policial atirou contra sua companheira. Inicialmente, ele teria pensado que o disparo foi de munição não letal e passou a colaborar com os PMs, colocando no chão uma bolsa e a blusa que estava vestindo, segundo ele, com o objetivo de demonstrar que não oferecia risco.
A policial foi afastada da corporação, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP). Yasmin Cursino Ferreira, soldado de 2ª classe de 21 anos, é alvo de um inquérito policial militar e um de um inquérito conduzido pela Polícia Civil.
“As circunstâncias são apuradas com prioridade absoluta pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das corregedorias. As imagens das câmeras corporais e os laudos periciais já integram a investigação”, disse a SSP em nota.
Mulher caída
Uma testemunha registrou a sequência do momento em que Thawanna foi baleada pela policial militar. Nas imagens, é possível ver a mulher caída no meio da rua, com um sangramento na região do peitoral.
Os policiais checam a situação e um deles presta os primeiros socorros. Um dos moradores afirma que viu a ação dos PMs e chama a agente que fez o disparo de “despreparada” (assista acima).
